Se as pesquisas estiverem mesmo desenhando um cenário eleitoral adverso para Lula, dá para imaginar que o discurso na ONU tenha mirado menos a recuperação de votos e mais o terreno que pode existir depois da urna. Os adversários falam em estrago diplomático, mas talvez estejam esquecendo de uma coisa: Lula não chegou até aqui sendo bobo. Se o confronto foi calculado, só ele sabe qual carta está escondida na manga.
Para quem está mais alinhado a Trump, pode parecer um cálculo bem pensado: bate em Washington agora e deixa alguma ponte de pé para depois. E, pela idade de Lula, seu futuro, mais do que nunca, só a Deus pertence. Se a derrota vier, a sobrevida terá de ser vivida em alto nível. Asilo político? Por enquanto, mera especulação. Mas fica a pulga atrás da orelha: a ONU foi apenas o palanque ou a primeira placa de uma estrada que Lula já sabe para onde leva?