quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Janones e Lindbergh: Tudo a Ver

Janones acordou inspirado: pegou os fatos do STF, embrulhou numa bandeira petista e saiu distribuindo “vagabundo” para o ministro André Mendonça.

Tudo para agradar à arquibancada vermelha, aquela que aplaude antes de entender e depois procura alguém para culpar pelo resultado.
Só esqueceram de avisar ao deputado que mandato não é salvo-conduto para transformar destempero em profissão.

O homem queria lacração, conseguiu notícia-crime; queria aplausos, ganhou advogado pedindo investigação; queria posar de valente, acabou posando de réu em potencial.
É uma espécie de marketing político às avessas: quanto mais Janones fala, mais a campanha parece trabalhar contra ele — e de graça, porque eleitor não cobra cachê para aplicar corretivo.
Lindbergh Farias, aliás, deveria assistir à aula com atenção: tolice demais também pode virar certificado de não renovação parlamentar.

Porque, se os dois continuarem confundindo mandato com microfone aberto de boteco, a próxima legislatura poderá apresentar uma novidade administrativa: a ausência deles.
Janones talvez descubra que “vagabundo” é uma palavra muito cara quando dirigida a ministro do Supremo; Lindbergh pode descobrir que certas bravatas custam ainda mais caro na urna.
E assim os dois poderão finalmente exercer uma função para a qual não se exige diploma, mandato nem imunidade: comentar política da calçada, depois do expediente.

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