Tem artista que sobe ao palco do Rock in Rio para plantar palavra de ordem e colher aplauso ideológico, como se o mundo fosse um comício a céu aberto. Esquece que o mundo é verde, que quem produz não suporta escassez — e que suas ideias estão tão secas que até Janones e Lindbergh parecem agricultores de bom senso diante dessa lavoura de bobagens.
O pior é transformar guitarra em enxada partidária e microfone em palanque, sabotando o próprio espetáculo com uma militância de jardim de infância. Mas eleição também tem colheita: depois de tanta semente vermelha, desprezo por quem produz e falta de ideias, talvez descubram que Janones e Lindbergh não são os únicos que sabem fazer barulho — e que o eleitor sabe muito bem onde passar a enxada.
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