Foi em Belford Roxo, lá pelos anos 80, que aconteceu. Eu estava com Zé Bocão e Irineu, numa loja que até hoje não sei se era de peças ou de material de construção, quando vi o Salmo 91 colado no balcão. Comecei a ler enquanto esperava ser atendido. Só que a leitura foi ganhando outro peso e, quando cheguei àquelas palavras — “Não terás medo do terror de noite, nem da seta que voa de dia...” — tive a curiosa sensação de que uma voz acompanhava a leitura dentro de mim. Não sei explicar. E talvez nem precise.
O que sei é que aquilo me bastou. Desde aquele dia, o Salmo 91 ficou comigo, assim como uma antiga prece árabe que também guardo no coração. São caminhos diferentes, mas a certeza que me deixam é a mesma: a gente pode chamar o Criador por nomes diferentes, pode até passar algum tempo sem se lembrar d’Ele, mas há uma coisa que me conforta profundamente — Deus nunca se esquece da gente.
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