Lameira, Barbosinha e companhia já foram daqueles amigos que a gente procurava quando queria ouvir uma opinião racional. Moral, lei, bom senso, essas coisas antigas. Hoje, porém, parece que alguns descobriram um princípio revolucionário: aquilo que é abominável quando feito pelo inimigo pode ganhar uma explicação filosófica quando praticado pelo amigo. É o milagre da ideologia: transforma até absurdo em tese de doutorado.
Barbosinha, segundo seu próprio relato, teria dito que ele e outros palestrantes espíritas interditaram Divaldo Franco porque ele gostava de Bolsonaro. Aí é que o negócio fica cabrunco. O sujeito passa a vida falando de evolução espiritual e, de repente, aparece uma espécie de “alfândega ideológica”: pode entrar no centro espírita, mas primeiro declare seu voto. Kardec, se souber disso, vai pedir transferência de plano espiritual.
E voltamos ao velho táxi de Churchill. A diferença é que hoje nem sempre precisa aparecer dinheiro: às vezes basta um partido, um líder, uma amizade ou uma paixão política. O sujeito entra dizendo “sou pela moralidade” e desce dizendo “depende”. No caminho, perdeu a coerência, atropelou a lógica e ainda chegou ao destino convencido de que fez uma bela viagem espiritual.
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