terça-feira, 28 de julho de 2026

MAIS DE 8 MIL VOZES NA CURVA DA VIDA

Há dias em que a escrita parece um diálogo em voz baixa, quase solitário, com o papel e com o tempo. Em outros, surpresas chegam sem pedir licença. No dia de ontem, o Nova Laranja viveu um desses momentos raros e gratificantes ao registrar a marca de 8.149 acessos em vinte e quatro horas.

​Acredito que o impulso veio do texto "Na curva avançada da vida", uma reflexão sobre as marchas e contramarchas da jornada que, por razões que a própria escrita desconhece, acabou ecoando no peito de milhares de leitores de forma tão simultânea.

​Ver mais de 8 mil pessoas passarem por estas páginas digitais em um só dia reaviva a certeza de que a palavra sincera sempre encontra o seu caminho. Ela atravessa telas, alcança a rotina do leitor e faz uma pequena pausa na correria do cotidiano.

​A todos os que leram, compartilharam ou simplesmente deixaram o olhar pousar por alguns minutos nas crônicas da nossa casa digital: o meu mais sincero muito obrigado. Seguimos juntos, linha a linha, curva a curva.



domingo, 26 de julho de 2026

E NA CURVA AVANÇADA DA VIDA...

É curioso notar como, para alguns, a falta de argumentos é rapidamente substituída pela arrogância e pela ofensa pessoal.

​Virou hábito de certos entusiastas de uma pretensa "superioridade moral e intelectual" reagir ao contraditório não com dados ou ideias, mas com ataques gratuitos, ironias baratas e um vocabulário rebuscado usado para camuflar a intolerância. Quando a divergência surge, o diálogo cede lugar à agressão infantil.

​Talvez exista aí uma fragilidade ainda mais profunda. Na curva avançada da vida, ao perceberem a escassez de perspectivas para novos ciclos produtivos, alguns recorrem ao rancor e à impaciência como armas de defesa. É o triste espetáculo de quem, ao envelhecer, renega a serenidade de uma alma verdadeiramente cristã para abraçar um ressentimento tardio, adotando na velhice valores de atrito e arrogância com os quais sequer comungava na juventude. A agressividade verbal vira, então, a última armadura de um ego que tenta se convencer de que continua relevante.

​O verdadeiro conhecimento caminhará sempre ao lado da humildade e da capacidade de ouvir. Quem precisa desqualificar o outro para sustentar a própria posição só demonstra a fragilidade do terreno em que pisa.

​Debater a complexidade do mundo exige maturidade, alma e classe. O resto é só o ruído doloroso de quem prefere o eco do próprio monólogo.

domingo, 12 de julho de 2026

OMISSÃO QUE SEGREGA: A CÚMPLICE INDIFERENÇA DA LIDERANÇA

É inadmissível que, em um cenário onde o empresariado tanto luta contra estigmas injustos, o proprietário de um grande supermercado em Seropédica —cujo nome e o de sua empresa, por enquanto, optamos por não divulgar-alguém que afirma conhecer de perto seus colaboradores — escolha o caminho da omissão covarde. Ao fazer vista grossa e fingir ignorar o assédio moral explícito em sua própria loja, o empresário não apenas se exime de sua função de líder, mas se torna cúmplice de uma segregação cruel, alimentada pelas vaidades, picuinhas e idiossincrasias de seus fiscais de caixa.

​O episódio ocorrido na última semana é o retrato do desamparo institucional. Uma funcionária, uma senhora de pouco mais de cinquenta anos, cumpriu seu dever com a dignidade habitual: bateu o ponto e aceitou a missão de treinar uma recém-admitida. Assim que concluiu a tarefa — servindo apenas como um "tapa-buraco" enquanto a iniciante lanchava —, foi descartada de forma humilhante. Conduzida ao Departamento Pessoal sob a justificativa genérica de "reestruturação", a verdade por trás do ato ficou evidente: foi o ápice de um processo de perseguição que o dono da empresa preferiu não ver.

​Mesmo sob profundo abalo emocional, a trabalhadora manteve a postura que faltou à gerência. Atravessou a imensa loja com os olhos marejados, sob os olhares de suas agora ex-colegas e, pior, sob os olhos do próprio proprietário. Este, em uma demonstração de pura hipocrisia, encenou uma falsa surpresa diante da decisão tomada pela sua equipe de fiscais.

​A conta dessa humilhação cai sobre a mesa da diretoria

Um verdadeiro líder não se esconde atrás de decisões de subalternos. Quando um proprietário permite que o ego e o sadismo de pequenos chefes ditem o destino de funcionários exemplares, ele abdica da autoridade e assume a responsabilidade pela injustiça praticada. A reestruturação que a empresa de fato precisa não é de pessoal, mas de caráter e liderança.

A supressão do aviso-prévio nesse contexto confessa a arbitrariedade.

Descartar sumariamente uma funcionária sem o devido prazo legal coroa o assédio moral, transformando a dispensa em um ato de mera represália corporativa que custará caro na Justiça.