No início dos anos 80, o jovem Lameira não fazia cerimônia: assumia o preconceito social e dizia que jamais se sentaria à mesa para discutir política com um metalúrgico analfabeto. Cada um no seu lugar, cada qual com sua régua — e, gostando ou não, havia valores e convicções que pareciam valer alguma coisa.
Hoje, olhando para o presente, dá até vontade de perguntar onde foram parar aquelas antigas certezas. O que ontem era princípio virou conveniência, o rigor intelectual virou torcida e o metalúrgico que não servia nem para conversa política quase virou estampa de pijama e pantufa. É a política de hoje: muda-se a companhia, muda-se o discurso e, se bobear, muda-se até a pantufa — mas a velha contradição continua andando por aí, de chinelo.
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