A campanha reúne 17 artistas repetindo “Bora, Lula”, como se o Brasil estivesse diante de uma emergência nacional de falta de aplausos. Enquanto isso, quem está com o burrinho amarrado à sombra, protegido pelo confortável serviço público e pela velha turma partidária, pode se dar ao luxo de fazer política entre um cafezinho e outro.
Do outro lado da porteira está o sujeito que acorda cedo, paga imposto e ainda precisa descobrir qual imposto apareceu durante a noite. Para esse, a conversa de Daniella Marques sobre revogar mais de mil normas e rever tributos criados ou elevados por Haddad soa menos como campanha artística e mais como alguém finalmente prometendo desatar o nó da burocracia.
E os artistas, coitados, continuam acreditando que um “Bora, Lula” dito em coro tem o mesmo peso de quem está com a mão no bolso pagando a conta. É a velha revolução de camarim: microfone na mão, burrinho dos outros puxando a carroça e, se possível, aplausos no final — porque trabalho pesado, afinal, também deve ter seu lado cênico.
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