terça-feira, 6 de outubro de 2026

NIKOLAS AFINA, LAMEIRA DESAFINA.

Tem uma cena que merece registro: basta alguém chamar Nikolas Ferreira de “jovem brilhante” para Lameira, violonista em visita à Espanha, aparentemente desafinar até sem tocar. No ano passado, o elogio pareceu incomodá-lo de tal maneira que dava a impressão de que “jovem brilhante” era um insulto pessoal. É compreensível: para quem passou tanto tempo olhando o mundo pela janela ideológica, descobrir que o rapaz que gostaria de diminuir virou fenômeno eleitoral deve ser um daqueles acordes que nem todo ouvido suporta.

E os números tornam a piada ainda melhor: Nikolas teve 3.119.318 votos e Pavanato, 3.038.438 — dois candidatos ultrapassando a barreira dos três milhões. Nikolas ainda teve 21 candidatos apoiados por ele eleitos para a Câmara. Enquanto isso, Lameira pode aproveitar a temporada espanhola para aperfeiçoar a técnica, porque, diante desses números, talvez o problema não esteja no violão, mas na música que a militância insiste em tocar. Nikolas virou fenômeno; Pavanato passou dos três milhões; e Lameira ficou com a missão ingrata de explicar o inexplicável — de preferência sem quebrar a corda G de tanto apertar o argumento.

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