Corre nas redes sociais uma resposta atribuída ao ator Cillian Murphy a um médico que lhe perguntou como conseguia interpretar personagens tão enigmáticos e complexos. Com admirável humildade, teria respondido: “Você é médico, isso sim é um trabalho de verdade. O meu trabalho é apenas vestir figurinos, interpretar vozes e representar.” A frase, verdadeira ou não em sua autoria, traz uma lição que deveria ser repetida por aqui.
É justamente aí que mora a diferença entre talento e pretensão: enquanto Murphy reconhece os limites da própria profissão, há celebridades regionais que, ao conquistarem alguma fama, parecem receber junto um diploma imaginário de especialista em política, economia, justiça e até comportamento social. Ser conhecido dá microfone; não dá conhecimento — e muito menos procuração para pensar pelo eleitor.
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