quarta-feira, 23 de setembro de 2026

"ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU"

De um lado, em Recife e outras capitais nordestinas, a romaria de carros e motos seguindo Flávio Bolsonaro; do outro, 17 rostinhos célebres reunidos num comercial de “Bora Lula”, como se fama viesse acompanhada de procuração popular.

O contraste parece até piada pronta: uma paisagem cheia de gente em movimento contra um quadro de paisagem morta, onde os artistas imaginam que um “Bora Lula” seja suficiente para ressuscitar, no grito, a popularidade que as urnas ainda terão de medir.

FLÁVIO NA URNA, JAIR NO RETROVISOR

A fala do jornalista Merval Pereira, na GloboNews, Lula parece estar fazendo aquela conta de botequim em que se esquece justamente da parcela mais importante: estaria olhando para Flávio Bolsonaro enquanto, segundo Merval, o verdadeiro fantasma da conta atende pelo nome de Jair. É como marcar um duelo com o substituto e descobrir, na hora do combate, que o titular ainda estava no vestiário.

A comparação com Serra em 2010 completa o deboche: segundo Merval, ele enxergou Dilma como uma candidata sem maiores condições e não percebeu que estava, na prática, enfrentando Lula. Na política, errar o adversário pode custar a eleição.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

BORA, LULA: O PASSADO NOS CONDENA

 A campanha reúne 17 artistas repetindo “Bora, Lula”, como se o Brasil estivesse diante de uma emergência nacional de falta de aplausos. Enquanto isso, quem está com o burrinho amarrado à sombra, protegido pelo confortável serviço público e pela velha turma partidária, pode se dar ao luxo de fazer política entre um cafezinho e outro.

Do outro lado da porteira está o sujeito que acorda cedo, paga imposto e ainda precisa descobrir qual imposto apareceu durante a noite. Para esse, a conversa de Daniella Marques sobre revogar mais de mil normas e rever tributos criados ou elevados por Haddad soa menos como campanha artística e mais como alguém finalmente prometendo desatar o nó da burocracia. 

E os artistas, coitados, continuam acreditando que um “Bora, Lula” dito em coro tem o mesmo peso de quem está com a mão no bolso pagando a conta. É a velha revolução de camarim: microfone na mão, burrinho dos outros puxando a carroça e, se possível, aplausos no final — porque trabalho pesado, afinal, também deve ter seu lado cênico.

E SE A CANOA VIRAR TALVEZ NEM CHEGO LÁ

Em Nova Iguaçu, os candidatos que embarcaram na canoa de Eduardo Paes já começam a olhar para a água com aquele sorriso amarelo de quem comprou passagem de primeira classe e descobriu que o casco é de madeira. Afinal, em 2018, o então desconhecido Wilson Witzel atravessou a eleição e deixou Paes olhando a maré de longe, impulsionado pela onda bolsonarista daquele momento.

Agora, com a disputa novamente fazendo água, a turma iguaçuana talvez esteja descobrindo a velha regra da política: candidato pode até escolher a canoa, mas quem decide a direção da maré é o eleitor. E, se a embarcação virar, vai faltar remo, colete e principalmente explicação para quem ficou a ver navios.

domingo, 20 de setembro de 2026

E COM QUE ROUPA EU VOU AO SAMBA QUE VOCÊ ME CONVIDOU?

Nesses dias que antecedem a eleição, o desespero de certos devotos de Lula parece ter entrado em modo parque de diversões: artistas, influencers e autoproclamados intelectuais estão que nem preá em casinha de roda-gigante, girando em círculos e procurando desesperadamente onde será a próxima estação da mamata cultural.

É que a possibilidade de mudança no Palácio parece ter produzido uma descoberta científica nessa fauna de seres especiais: até revolucionário profissional precisa de endereço, cachê e alguma coisa para pagar o cafezinho. Agora é cada um por si, o preá por todos e a velha pergunta martelando na cabeça: “E quando a urna fechar, quem é que vai continuar alimentando a gente?”

TOLERÂNCIA CRISTÃ, PACIÊNCIA DE SANTO

Há conservador que mantém nas redes aquele militante que parece ter feito pós-graduação em contrariar tudo o que ele acredita — talvez para exercitar, de maneira cristã, a tolerância ao próximo, mesmo quando o distinto cidadão parece ter se matriculado no subsolo da escala de valores humanos.

É quase uma penitência digital: o sujeito abre o celular, encontra mais uma provocação e, em vez de bloquear, respira fundo e pensa: “É meu próximo, tenho que tolerar.” Santa paciência! Só falta pendurar um crucifixo ao lado do botão “seguir” e instituir a indulgência plenária para quem consegue chegar ao fim do feed sem perder a fé.

O SINCERICÍDIO E A TAMPA DO CAIXÃO

Artistas e assemelhados com seus rostinhos angelicais, outros em caras e bocas de conteúdo, desfilam bravatas com a valentia de adestrados geriátricos. Só que, por trás da pose 

Ao imitar o coitadismo de Flávio e dizer que sua eleição libertaria o “amado papai”, enquanto a sua reeleição serviria justamente para mantê-lo preso, Lula acabou dizendo mais do que devia. Nesse momento, não precisou de cientista político, marqueteiro ou vidente: bastou prestar atenção para perceber que ele próprio levou a história ao lixo, bateu a tampa e ainda jogou a chave fora.

BAILE DA ILHA FISCAL, O RETORNO

Se a profecia de Garotinho estiver certa, o PT já poderia mandar engomar o terno da despedida: Gilmar teria percebido que os ventos mudaram, enquanto Moraes segue de cara fechada para Flávio — porque, depois de construir uma reputação de durão, ninguém vai estragar a personagem só porque o roteiro eleitoral resolveu mudar.

É a velha história do sujeito que percebe que a festa está acabando, mas continua na porta fazendo pose de leão de chácara: por dentro já sabe que o salão esvaziou, por fora mantém a carranca para não dar o braço a torcer. E, nessa versão da história, o PT ainda procura quem apagou a luz, enquanto o DJ já estaria escolhendo a música da próxima festa.

sábado, 19 de setembro de 2026

UMA VIDA QUE NINGUÉM MERECE

Ser bolsonarista, dizer que é de direita, respeitar pai e mãe, amar a Deus, a pátria e a família, casar, ter filhos, criar e educar os filhos, ser contra o assassinato de crianças, trabalhar — sobretudo trabalhar — e tentar ser uma pessoa do bem... até que não parece uma vida tão difícil assim. Não precisa de cartilha, de doutrinador, de palavra de ordem nem de reunião: é só viver a própria vida, assumir responsabilidades e seguir em frente.

Agora, experimente o outro lado: envelhecer brigando nas redes sociais, chamando de fascista todo mundo que discorda, repetindo o que o líder manda e, principalmente, agarrar-se com unhas e dentes à esperança de uma nomeação para um cargo público, mesmo que, para isso, seja preciso negar algumas das virtudes mais intrínsecas do ser humano. Afinal, quando o cargo vira objetivo de vida, até princípios que pareciam inegociáveis podem acabar entrando na fila da nomeação.

FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

Ainda sobre Thiago Lacerda: vendo aquele rosto desfigurado pelo furor uterino de quem parece ter acabado de parir a besta do Apocalipse, não pude deixar de lembrar de certas expressões de Lindbergh e Janones — aquela mistura de indignação, certeza absoluta e a convicção de que a própria régua moral deveria servir para medir o mundo inteiro. É o tipo de coisa que me faz lembrar do que escrevi dias atrás sobre o tal “discernimento de aluguel”: gente que a gente procura quando quer ouvir, além da voz humana, um pouco de razão.

E essa história me levou ao Barbosinha, que contou certa vez que ele e outros palestrantes de seu centro espírita resolveram expurgar Divaldo Pereira Franco porque o homem declarou votar em Bolsonaro. Quando questionado se aquilo não contrariava a doutrina de Kardec, veio a explicação definitiva: “Porque Bolsonaro não é humano.” De repente, a indignação de Thiago, Lindbergh e Janones ganha uma velha companhia: a certeza de que, quando o outro pensa diferente, até o bom senso pode ser colocado para fora pela porta dos fundos.

Talvez seja justamente aí que esteja o nosso problema: certas pessoas se julgam tão raras, tão iluminadas e tão indispensáveis que acabam imaginando que o país lhes pertence por direito adquirido. Querem o Estado para patrocinar suas convicções, o contribuinte para bancar a conta e, de preferência, o trabalhador para continuar trabalhando em silêncio — afinal, discernimento também tem seus custos, principalmente quando é de aluguel.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O ARTISTA, O GAFANHOTO E O FAÇA O L

Agora é o ator Thiago Lacerda indignado, mostrando ao brasileiro sua revolta contra quem considera o grande gafanhoto do país. Já houve época em que ator, cantor e celebridade falavam e o brasileiro obedecia com a mesma devoção de quem escuta o locutor anunciar o resultado da loteria.

Mas o tempo passou, o Brasil mudou e o cidadão descobriu que celebridade pode ser ótima para novela, música e palco, mas não necessariamente para administrar a própria consciência alheia. E quando chega a eleição, a verba estatal faz o milagre da ressurreição: luz, câmera, ação, discurso e o velho “faça o L” — porque convencer o eleitor pode até ser difícil, mas por um cachê a turma sempre ensaia mais uma vez.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

E SE É SUCESSO, EU TOCO!

No rádio, a voz vai ajudando a gente a encontrar o rumo da profissão. Eu saí e voltei trocentas vezes, mais por conveniência financeira mesmo. Afinal, como diz o caboclo, onde tem dinheiro a antena pega até no meio do mato!

Hoje, no meio da minha capineira do agro, me pego falando sozinho pros sapos coaxarem e pros insetos zumbirem, enquanto resgato os velhos bordões de um saudoso amigo e colega da Rádio Tupi: “Odair Marzano, o show dos sucessos musicais!”. E aí vem Roberto Carlos: “Quero que vá tudo pro inferno”, sucesso incontestável lá de 1965. E se é sucesso, eu toco! 

Já o Nelson Silva, do Club do Forró da Rádio Tropical, jurou de mãos postas que nunca mais voltava ao rádio e que, se voltasse, dormiria com a foto do operador de áudio, o Gilberto Alves na cabeceira. Pois voltou, justamente pra Tropical! Nelson não cumpriu a promessa, mas o Gilberto continua com a cabeça intacta, bonito e feliz — e sem precisar passar a noite olhando pra cara dele.

A ISCA JÁ ESTÁ NO BARCO

Os rostinhos mais singelos da esquerda petista que chega a rede social escrachando todo mundo que não comunga com a sua cartilha, não percebe que desse jeito estão fazendo campanha para o Flávio bolsonaro.

Quem tem simpatia pelo Lula vai votar no Lula, quem tá indeciso precisa ser conquistado com raciocínio, discernimento dos fatos, sobretudo, não implodindo e explodindo a vida e as pessoas com a linguagem de um Lindbergh da vida que nem criança leva a sério.

Em suma, põe uma mão na consciência, é um despropósito jogar isca para peixe que já está dentro do barco.


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A BOLA NAS COSTAS QUE A ESQUERDA NO FACEBOOK NÃO VÊ

Nas redes, sobretudo no Facebook, não falta professor, educador e cientista político de si mesmo, sempre muito simpático, muito sério e muito disposto a explicar a realidade para quem não pediu. Diante dos fatos, porém, começa o malabarismo: contemporiza o absurdo, relativiza o evidente e, quando falta argumento, tenta resolver a discussão ofendendo a inteligência da turma de direita.

O curioso é que esse desfile de superioridade intelectual pode produzir justamente o efeito contrário: até o eleitor mediano, que não vive política 24 horas por dia, começa a desconfiar quando a explicação precisa ser maior que o próprio fato. E aí está a ironia: tanto esforço para defender Lula, tanta energia para desqualificar quem discorda, pode terminar fazendo exatamente aquilo que eles menos desejam — empurrar para Flávio Bolsonaro até gente que, provavelmente, jamais imaginaria chegar tão perto dele.

QUAQUÁ E A MATEMÁTICA DO VOTO

Pode até não gostar do Quaquá, mas há de se reconhecer que, de vez em quando, o homem escapa da planilha dos marqueteiros e lembra que eleição não é campeonato de celebridade. Se Caetano, Chico e Bethânia já votam no Lula, como ele próprio observou, pedir-lhes novo voto é quase como cobrar ingresso de quem já está sentado na primeira fila — o problema é encontrar quem ainda esteja do lado de fora.

E lá vieram, na semana passada, as estrelas da Globo fazer coro pelo L, como se o eleitor estivesse apenas aguardando a opinião do camarim para decidir seu voto. Só esqueceram de combinar com a direita, que já transformou essas senhoras em figurinha carimbada do campo adversário. Pela própria régua do Quaquá, portanto, a estratégia parece curiosa: em vez de pescar no aquário do adversário, continuam distribuindo isca para os peixes que já estão dentro do barco.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

ALGUÉM QUE JÁ NÃO FUI

No início dos anos 80, o jovem Lameira não fazia cerimônia: assumia o preconceito social e dizia que jamais se sentaria à mesa para discutir política com um metalúrgico analfabeto. Cada um no seu lugar, cada qual com sua régua — e, gostando ou não, havia valores e convicções que pareciam valer alguma coisa.

Hoje, olhando para o presente, dá até vontade de perguntar onde foram parar aquelas antigas certezas. O que ontem era princípio virou conveniência, o rigor intelectual virou torcida e o metalúrgico que não servia nem para conversa política quase virou estampa de pijama e pantufa. É a política de hoje: muda-se a companhia, muda-se o discurso e, se bobear, muda-se até a pantufa — mas a velha contradição continua andando por aí, de chinelo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

CIÚME ELEITORAL

Quando você pensa que já viu de tudo, aparece Janones em mais um espetáculo histriônico — e Paula Lavigne, senhora Caetano Veloso, corre para recomendá-lo ao respeitável público. Mas fica a pergunta, em tom de pura especulação: será que Lindbergh sentiu aquele ciúme político? Afinal, por que referendar Janones e não o lindinho, que também está nas redes?

Na política iguaçuana, até recomendação de YouTube pode virar sinal de preferência. E, se o algoritmo já está escolhendo os queridinhos, talvez Lindbergh esteja descobrindo que, na fila da tietagem, tem gente furando a fila.

LEMBRAM DO DIA DO CORNO?

Em 2006, Nova Iguaçu viveu uma daquelas histórias que parecem inventadas: um sequestro de ônibus provocado por ciúme parou a Dutra e, como se o episódio já não fosse suficientemente surreal, o então vereador Marcos Rocha resolveu pegar carona na bizarrice e apresentou um projeto criando o Dia do Corno. A tragédia virou palanque, a bizarrice virou notícia e a notícia, naturalmente, virou promoção pessoal.

Quase duas décadas depois, mudou o endereço, mas não necessariamente o método. Janones parece ter transformado essa velha receita em profissão: quanto mais espalhafatosa a invenção, mais câmera, meme e holofote — e, quem sabe, voto. Em Nova Iguaçu, o corno quase ganhou data oficial; em Brasília, o absurdo ganhou algoritmo. E sempre aparece uma plateia disposta a aplaudir: uns por convicção, outros pela gozação. No fim, o político oferece o circo, mas é o público que decide se compra ingresso — ou se continua financiando o palhaço.

A Fé, o Crime e a Urna

Em 1958, o assassinato de Aída Curi chocou o Rio e o país. O episódio ficou marcado não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela maneira como a sociedade e a própria cobertura do caso deslocaram o foco para a conduta e a reputação da vítima — enquanto, fora dos tribunais, houve até quem recebesse um dos acusados com aplausos numa boate de Copacabana. Hoje, o paralelo não está no crime, mas na seletividade com que parte do debate público reage às vítimas.

Alguns artistas, jornalistas e influencers condenam determinados crimes com enorme repercussão, mas adotam silêncio ou cautela diante de outros, como os cometidos pelo Hamas ou a morte de Charlie Kirk, quando o assunto toca suas preferências políticas. E há quem proclame que “domingo sem missa é domingo sem graça”, mas, no palanque eleitoral, defenda o “Sem Anistia” e compartilhe espaços com posições que contradizem aquilo que prega. Não é preciso julgar a fé de ninguém: basta comparar o discurso do altar, a prática política e os crimes que cada um escolhe condenar — ou convenientemente esquecer.

domingo, 13 de setembro de 2026

A EXCOMUNHÃO DOS INÚTEIS

O desespero é de quem produz de verdade, não dos que industrializam conversa fiada para picaretear na web ou na mídia militante. Empresários estão de mãos postas, alguns de joelhos, torcendo para que o próximo governo tenha coragem de mandar de volta ao inferno os emplastros que sufocam quem trabalha, investe e paga a conta — porque 2027 pode ser o ano em que a fornalha econômica deixe de ser ameaça e vire incêndio.

Enquanto isso, uma parte do país segue no churrasco e no futebol, acreditando que alguém sempre pagará a conta. Artistas decadentes, militantes de museu e a turma do “Lula, meu amor” podem continuar de costas para a realidade; quem produz já entendeu o recado: em 2026, a calculadora vai para a urna — e 2027 cobrará o resultado.

sábado, 12 de setembro de 2026

SUPLA: JOVEM MUITO ANTES DE PEDRO ALVARES CABRAL

Simpatia não tem nada a ver com beleza — Sherlock Holmes já resolveria: elementar, meu caro Watson! Supla, filho de pais canhoteiros, há tanto tempo é jovem que disputa com Serginho Groisman o campeonato mundial da juventude geriátrica, categoria sem prazo de validade.

Tem gente que jura pela mãe mortinha que Supla já existia antes da fotografia e que aparece, meio escondido, na gravura de Cabral chegando ao Brasil — dizem até que era ele quem orientava os índios sobre o visual. Abobrinhas históricas à parte, no Rock in Rio o velho menino deu mais um show de simpatia: pode faltar juventude no calendário, mas nele sobra disposição para ser eternamente Supla.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DANIELA MARQUES, A BOLSA JÁ ESCOLHEU FLÁVIO

Daniela Marques, cotada para a Economia de um eventual governo Flávio Bolsonaro, não inventou os números: citou Ibovespa, dólar e juros. Mas sua leitura é um prato cheio: Flávio sobe, dólar cai; Flávio avança, juros derretem; Flávio cresce, a Bolsa dispara — o mercado já parece ter escolhido candidato.

E Daniela, pelo jeito, já ganhou o palanque antes do ministério: se Flávio sobe, a economia comemora; se dispara, o pregão festeja. Falta apenas o Ibovespa distribuir santinhos e o mercado financeiro trocar a análise de risco por uma frase de campanha: “Vote em Flávio, que o gráfico agradece.”

A SENSAÇÃO TAMBÉM VOTA

Na santa terrinha de Nova Iguaçu, os candidatos a deputado estadual ligados a Eduardo Paes, Dr. Luizinho e ao ex-prefeito Rogério Lisboa garimpando votos na Estrada Abílio Augusto Távora, deveriam dar um pulinho até o gabinete do prefeito Dudu Reina: aquela lixeira a céu aberto entre o Conjunto da Marinha, Dom Bosco, pode estar fazendo mais campanha contra a Prefeitura do que muito adversário. Afinal, eleitor pode até esquecer promessa, mas dificilmente esquece a sujeira que encontra no caminho.

Talvez a solução seja importar a nova escola da jornalista da Globo News, Miriam Leitão: não é lixo, é “sensação de sujeira”; não é abandono, é “sensação de abandono”. O problema é que, na eleição, o eleitor não vota na sensação — vota no que vê. E se a coleta não passar cedo, a lixeira pode acabar virando cabo eleitoral: só falta pedir voto para quem souber fazer o dever de casa.

ROCK IN RIO E A LAVOURA DE BOBAGEM

Tem artista que sobe ao palco do Rock in Rio para plantar palavra de ordem e colher aplauso ideológico, como se o mundo fosse um comício a céu aberto. Esquece que o mundo é verde, que quem produz não suporta escassez — e que suas ideias estão tão secas que até Janones e Lindbergh parecem agricultores de bom senso diante dessa lavoura de bobagens.

O pior é transformar guitarra em enxada partidária e microfone em palanque, sabotando o próprio espetáculo com uma militância de jardim de infância. Mas eleição também tem colheita: depois de tanta semente vermelha, desprezo por quem produz e falta de ideias, talvez descubram que Janones e Lindbergh não são os únicos que sabem fazer barulho — e que o eleitor sabe muito bem onde passar a enxada.

GLOBO ATIRA NO FLÁVIO PARA ACERTAR NO LULA

Na Globo, a munição tem dois calibres: a GloboNews, com cerca de 0,05% da população — algo em torno de 100 mil espectadores, pega a espingarda e dá seus chumbinhos em Flávio Bolsonaro. Já o Jornal Nacional, com 23 pontos, algo perto de 20 milhões de telespectadores, entra em cena com um canhão que mira o STF — e, na linha de tiro, acaba apontando também para o Palácio do Planalto.

É uma diferença de pontaria que chega a ser cômica: 100 mil ouvindo a espingarda e 20 milhões assistindo ao canhonaço. Dois pesos, duas medidas? Talvez; mas quando o canhão bate no STF e a reverberação chega ao governo Lula, o barulho incomoda diretamente o Planalto — para o desassossego dos petistas e seus assemelhados.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

VOTO UNGIDO

Os abençoadíssimos Marcelo Crivella, candidato ao Senado, e Rosângela Gomes, candidata a deputada federal, largam com uma vantagem que dinheiro nenhum compra: um comitê eleitoral com púlpito, templo e rebanho cativo. Afinal, que partido precisa convencer eleitor quando pode transformar fé em cabo eleitoral e orientação religiosa em estratégia de urna?

O Republicanos se vende como centro-direita, mas abriga Hugo Motta enquanto Eduardo Bolsonaro o carimba como esquerda — uma proeza ideológica que faria até a bússola pedir aposentadoria. Com 42 deputados e quatro senadores, a fidelidade partidária parece menos uma convicção política e mais um seguro eleitoral: ninguém troca de legenda quando sabe que, na hora H, o bispo sobe ao púlpito, o rebanho se organiza e o voto chega devidamente ungido.

EDSON TIGRÃO, A ANACONDA IMPLACÁVEL

Certa vez, pelos microfones poderosos da Rádio Tropical — era assim, com essa modéstia toda, que eu chamava a emissora onde apresentava o Onda Tropical — eu tinha como parceiro um jovem senhor de oito décadas, mais cinco aninhos de contrapeso: Edson Tigrão. Baixinho, simpático e dono de uma voz que já trabalhava no rádio quando o rádio ainda estava aprendendo a andar, o Tigrão era uma espécie de patrimônio histórico com microfone.

Era domingo, programa no ar, quando uma ouvinte entrou nos estúdios aos berros, acusando o Tigrão de canalha, omisso e pai desnaturado, por tê-la abandonado ainda criança. Disse que o reconhecera pela voz, a mesma que, segundo ela, embalara seu berço lá pela metade do século passado. Afirmou que o sujeito seduzira sua mãe valendo-se de sua famosa “anaconda implacável” e, depois, fugira da responsabilidade. O Tigrão, emocionado, já abraçava a suposta filha, pedia perdão a Deus, a São Jorge e aos cambaus, enquanto o diretor, desconfiado, exigia um documento que comprovasse aquela paternidade cinematográfica.

Foi quando veio o detalhe capaz de derrubar até antena de rádio: o diretor descobriu que a venerável filha abandonada era dois anos mais velha que o próprio Tigrão! A tragédia virou comédia em questão de segundos, e o homem que já estava se preparando para assumir décadas de culpa paterna quase precisou de colo. A suposta filha, que chegara para desmascarar um pai ausente, acabou descobrindo que, naquela história, ela tinha sido abandonada pelo calendário — e o Tigrão, absolvido pela certidão de nascimento, pôde voltar ao microfone com a dignidade intacta e a anaconda devidamente inocentada.

Janones e Lindbergh: Tudo a Ver

Janones acordou inspirado: pegou os fatos do STF, embrulhou numa bandeira petista e saiu distribuindo “vagabundo” para o ministro André Mendonça.

Tudo para agradar à arquibancada vermelha, aquela que aplaude antes de entender e depois procura alguém para culpar pelo resultado.
Só esqueceram de avisar ao deputado que mandato não é salvo-conduto para transformar destempero em profissão.

O homem queria lacração, conseguiu notícia-crime; queria aplausos, ganhou advogado pedindo investigação; queria posar de valente, acabou posando de réu em potencial.
É uma espécie de marketing político às avessas: quanto mais Janones fala, mais a campanha parece trabalhar contra ele — e de graça, porque eleitor não cobra cachê para aplicar corretivo.
Lindbergh Farias, aliás, deveria assistir à aula com atenção: tolice demais também pode virar certificado de não renovação parlamentar.

Porque, se os dois continuarem confundindo mandato com microfone aberto de boteco, a próxima legislatura poderá apresentar uma novidade administrativa: a ausência deles.
Janones talvez descubra que “vagabundo” é uma palavra muito cara quando dirigida a ministro do Supremo; Lindbergh pode descobrir que certas bravatas custam ainda mais caro na urna.
E assim os dois poderão finalmente exercer uma função para a qual não se exige diploma, mandato nem imunidade: comentar política da calçada, depois do expediente.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Velhinhos Vermelhos, Caule Velho

Árvore que entorta enquanto muda ainda aceita tutor: amarra aqui, corrige ali e ele segue procurando a luz. Na política, não é muito diferente: enquanto há formação, há esperança; depois que o tronco endurece, haja tutor para corrigir. E tem gente que já chegou à idade do tronco duro querendo dar aula de retidão, e pior, não se enxerga.

O engraçado é ver nas redes o militante veterano, travestido de professor, falando em democracia enquanto calunia opositores, seguindo a pauta e as ordens dos seus dirigentes. É discurso novo em caule velho: quem sempre patrulhou o pensamento alheio agora virou professor de liberdade. Só faltou combinar a aula com a própria raiz.

Na agricultura, a raiz entrega a história da planta; na política, também. Pode mudar a conversa, a legenda e até a bandeira, mas o DNA não aceita maquiagem. Árvore adulta não se endireita no grito — e militante veterano não vira democrata só porque aprendeu a escrever “tolerância” na internet.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

UM TOQUE ETERNO

Foi em Belford Roxo, lá pelos anos 80, que aconteceu. Eu estava com Zé Bocão e Irineu, numa loja que até hoje não sei se era de peças ou de material de construção, quando vi o Salmo 91 colado no balcão. Comecei a ler enquanto esperava ser atendido. Só que a leitura foi ganhando outro peso e, quando cheguei àquelas palavras — “Não terás medo do terror de noite, nem da seta que voa de dia...” — tive a curiosa sensação de que uma voz acompanhava a leitura dentro de mim. Não sei explicar. E talvez nem precise.

O que sei é que aquilo me bastou. Desde aquele dia, o Salmo 91 ficou comigo, assim como uma antiga prece árabe que também guardo no coração. São caminhos diferentes, mas a certeza que me deixam é a mesma: a gente pode chamar o Criador por nomes diferentes, pode até passar algum tempo sem se lembrar d’Ele, mas há uma coisa que me conforta profundamente — Deus nunca se esquece da gente.

Discernimento de Aluguel

Lameira, Barbosinha e companhia já foram daqueles amigos que a gente procurava quando queria ouvir uma opinião racional. Moral, lei, bom senso, essas coisas antigas. Hoje, porém, parece que alguns descobriram um princípio revolucionário: aquilo que é abominável quando feito pelo inimigo pode ganhar uma explicação filosófica quando praticado pelo amigo. É o milagre da ideologia: transforma até absurdo em tese de doutorado.

Barbosinha, segundo seu próprio relato, teria dito que ele e outros palestrantes espíritas interditaram Divaldo Franco porque ele gostava de Bolsonaro. Aí é que o negócio fica cabrunco. O sujeito passa a vida falando de evolução espiritual e, de repente, aparece uma espécie de “alfândega ideológica”: pode entrar no centro espírita, mas primeiro declare seu voto. Kardec, se souber disso, vai pedir transferência de plano espiritual.

E voltamos ao velho táxi de Churchill. A diferença é que hoje nem sempre precisa aparecer dinheiro: às vezes basta um partido, um líder, uma amizade ou uma paixão política. O sujeito entra dizendo “sou pela moralidade” e desce dizendo “depende”. No caminho, perdeu a coerência, atropelou a lógica e ainda chegou ao destino convencido de que fez uma bela viagem espiritual.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

EDUARDO PAES E O CABRUNCO DO CURRAL ELEITORAL

Caiu uma chuva em Nova Iguaçu e Eduardo Paes partiu para a batalha com o elenco completo: Dudu Reina, Rogério Lisboa, Manoel Barreto, Márcio Fonseca e Claudinho da Kombi.

Era prefeito, ex-prefeito, vereadores, candidato e Kombi — só faltou a banda militar para acompanhar a marcha heroica contra o temporal.

Duas horas de carreata depois, a campanha descobriu que uma chuva  também pode render uma epopeia eleitoral.

Mas a comédia tem método: Paes concentra suas fichas na Baixada, esse imenso celeiro de votos, cercado por aliados e máquinas municipais.

Enquanto isso, o Interior parece tratado como território já entregue a Garotinho — como se voto tivesse escritura e eleitor viesse com proprietário registrado.

A aposta é simples: ganhar o curral maior e deixar o resto do Estado para depois.

No grand finale, Paes ficou “comovido”, Rogério chamou chuva de carinho e o elenco saiu molhado, sorridente e pronto para a próxima cena.

Hollywood já pode preparar “Os Vingadores da Baixada”, com Paes no papel principal e Dudu, Rogério, Manoel, Márcio e Claudinho no elenco de apoio.

Enquanto isso, o Interior pode esperar: na eleição, quem aposta todas as fichas na Baixada talvez descubra tarde demais que o Estado não termina em Nova Iguaçu.

“Promessa Não Paga Passagem: O Paraíba Quer Navegar!”

Parem de encher linguiça e venham ver o Rio Paraíba do Sul, porque a molezinha de só prometer em época de eleição está com os dias contados. Para a turma da política local e para o próprio Garotinho, que adora um palanque e quer voltar ao Catete do Estado, a mesa está posta e a ideia do catamarã de São Fidélis até Atafona é o teste perfeito. Agora não tem desculpa de "falta de projeto", porque a oportunidade de ouro para saírem do gogó e mostrarem serviço de verdade está literalmente boiando na frente de vocês.

​Copiar o modelo que dá certo em Barra Bonita e colocar barcinho de fibra navegando o nosso rio não é física quântica, é vergonha na cara para fazer o turismo girar. Chega de discurso mofado e santinho com promessa vazia; o povo campista e da região quer ver é a economia girando, o comércio vendendo e o turista gastando dinheiro de verdade no nosso quintal. Se vocês vivem dizendo que amam o Norte Fluminense, tirem a bunda da cadeira, apertem a mão do empresariado e façam essa rota fluvial sair do papel antes que o rio seque.

​Fica a provocação direta para quem quer o voto da gente: vão abraçar essa causa com vontade ou vão deixar mais essa ideia incrível morrer na praia de Atafona? O povo cansou de papo furado e quer ver quem tem coragem de pilotar essa transformação de verdade, sem historinha para boi dormir. A rota tá traçada, os estudos já mostraram o caminho e a bola tá com vocês — agora honrem a gravata que usam ou deem licença para quem quer navegar pra frente!

domingo, 6 de setembro de 2026

JACARÉ E CANELA: A DUPLA QUE FOI CAÇAR VOTO NO BREJO

Em Nova Iguaçu, eleição chegando é batata: o Jacaré aparece de novo, igual malandro em fila de churrasco, só esperando a vez de meter a mão. Dessa vez quer ser deputado federal e, para não ficar sozinho no brejo, trouxe Márcio Canela para disputar a Alerj. É uma chapa tão zoológica que só falta aparecer o macaco segurando a urna.

Canela, depois da pancadaria política com Garotinho, viu o Senado virar fumaça e resolveu mudar de terreno. Foi logo procurar o Jacaré, especialista em sobreviver em qualquer lamaçal eleitoral. Um tem Canela, o outro tem couro grosso: se essa dupla não der voto, pelo menos dá assunto para a roda de chope.

E a fauna política de Nova Iguaçu também não fica atrás: tem o Pequeno Polegar, Doutor Luisinho, e o Juninho do Pneu, que fala tão pouco que parece estar sempre no modo silencioso. Nesse zoológico, Jacaré só precisa abrir a boca e tentar abocanhar os votos que estiverem dando sopa. O problema é descobrir se tem eleitor sobrando ou se o bicho vai acabar mordendo o próprio rabo!

sábado, 5 de setembro de 2026

Quanto Pior, Mais Apaixonado

Tem esquerdista que leva uma paulada da realidade e responde: “Lula, eu te amo!”. A inflação sobe, o salário encolhe, a conta chega e ele ainda abre um sorriso apaixonado — isso já não é ideologia, é namoro tóxico com cartão de fidelidade. Quanto pior fica, mais ele se declara: “É isso aí, companheiro!”.

O vizinho prosperou? Suspeito. Comprou carro? Capitalista. Abriu empresa? Explorador. Ficou rico? Chama a perícia! E, quando esse espírito chega à escola, aparecem os “professores e educadores” querendo dividir a visão torta deles com a criançada: pegam o próprio fracasso, dão uma maquiada de consciência social e entregam como se fosse material didático.

No fundo, é o masoquista altruísta: não quer sair do buraco, quer montar um condomínio lá dentro e cobrar aluguel de quem ainda está na superfície. E tudo com a bênção do grande amor nacional, Lula. É tanta vocação para o inferno que até o diabo, depois de ouvir a proposta pedagógica, puxaria uma cadeira e diria: “Amigo, aqui já está complicado demais — procura outro departamento!

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A FESTA DO PUXA SACO

Eduardo Paes, magro que nem jogador de baralho, sacou um esquema mais mole que pedir cafezinho: em vez de correr atrás do povão, vai atrás dos manda-chuva da cidade.
Chega no município, junta prefeito, ex-prefeito, vereador e os chegados, bota o celular pra gravar e começa aquela conversa fiada: “Esse cara é fera, é o melhor, é isso, é aquilo!”.
É uma babação danada, um puxa-saco sem fim, que daqui a pouco o caboclo tá beijando a mão do homem e pedindo a bênção.
Aqui em Nova Iguaçu, Rogério Lisboa e Dudu Reina parecem que apertaram o botão do “baba-ovo”, e a rapaziada da Câmara entrou na onda sem pensar duas vezes.
É vídeo pra cá, rasgação de seda pra lá, elogio pra todo lado… parece até que o homem chegou de capa e espada pra salvar a cidade das garras do dragão.
O dominado está tão empolgado que, se o Paes pedir, o sujeito não só vota nele como ainda arruma mais dez votos, leva um café e entrega o almoço de domingo.
E a coisa vai assim pelo Estado afora: o prefeito chama o vereador, o vereador chama a liderança, a liderança chama o cunhado, o vizinho e quem mais estiver dando sopa.
No fim, vira aquela velha resenha: todo mundo puxando saco, fazendo média e querendo aparecer bem na fita com o candidato famoso.
O homem chega no município e é aquela festa: prefeito, ex-prefeito, vereador, liderança… todo mundo querendo sair bem na fita com o candidato. Em Nova Iguaçu, então, teve gente que quase pediu autógrafo! 
Acredite: prefeito pode fazer campanha, vereador pode fazer vídeo, cacique pode fazer média… só não pode combinar com o eleitor o voto dele. Porque na urna, cada um sabe onde aperta!

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

CANELA: DO INFERNO À BANDEIRINHA

Quem passa pela Carvalhais rumo a Belford Roxo pode pensar que está entrando no sambódromo eleitoral: é bandeira do Canela, bandeira do Rueda e mais de 200 moças, dizem, recebendo R$ 100 por dia para desfraldar a esperança — ou simplesmente o pano mesmo. É tanta bandeirinha que, se bobear, o vento já está fazendo campanha também.

O mais curioso é lembrar que, poucas semanas atrás, Canela estaria vivendo um passeio muito menos carnavalesco: denúncia, prisão e uma briga daquelas com o maledeto Garotinho, que resolveu puxar o tapete justamente quando o homem ensaiava voos mais altos. O sonho do Senado evaporou, a candidatura recuou para a Assembleia e, por pouco, a carreira política não virou apenas lembrança de inquérito.

Mas política tem dessas coisas: ontem o sujeito estava quase conhecendo o capeta pelo primeiro nome; hoje está de volta à avenida, sorrindo para as bandeirinhas como se nada tivesse acontecido. Afinal, depois de quase trocar o palanque pela cela, qualquer calçada com eleitor parece um resort cinco estrelas. Canela não caiu do cavalo: caiu quase no xilindró — e ainda conseguiu levantar procurando a urna.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O Bispo e os Apóstolos do Senado

Com quatro nomes embolados na ponta, as pesquisas podem até vender a ideia de equilíbrio na corrida ao Senado no RJ, mas há um personagem nessa fotografia que chega com uma vantagem que pesquisa nenhuma mede direito: o abençoadíssimo bispo Crivella e toda a musculatura eleitoral da Igreja Universal. É como colocar quatro candidatos numa corrida e esquecer de avisar que um deles trouxe ônibus, torcida organizada e até o coral.

Benedita vai precisar atravessar a avenida da rejeição ao PT; os outros, agarrar-se aos respectivos padrinhos presidenciais como quem segura em boia no meio da enchente. E Pedro Paulo? Se depender apenas de Eduardo Paes para lustrar sua candidatura, é bom levar uma flanela — porque, até agora, o brilho parece mais do candidato do que da candidatura, isso se um Garotinho não largar o seu pé...

No fim, a pesquisa pode até apresentar quatro empatados na fotografia. Mas eleição não é fotografia: é filme. E, nesse filme, o santo homem Marcelo Crivella já entra com elenco, figurino, produção e plateia, afinal ele é o sobrinho mais amado do também multiabençoadíssimo bispo Edir Macedo.

Aos demais resta descobrir se têm estrutura própria ou se vão passar a campanha inteira procurando quem empreste um microfone, porque tudo está custando os olhos da cara e, milagre isso é lá na Universal.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A Rasteira Garantida do Companheiro

É caboclo, você que tira onda de professor revolucionário, que troca fatos por crença só pra dar aquele sentimento de empoderamento  nas redes sociais. O problema é que o tempo passa e logo surge a dependência de um cuidador pra trocar o fraldão. Aí vem a descoberta de que passar pano pra tudo não alivia em nada a aposentadoria.

​A sua cegueira é cômica, só quem vê são os seus, o senador Kajuru, por exemplo, quase velhinho virando pato no prato do Lula. Levou rasteira com promessa quebrada, ficou de fora do anúncio do trem Brasília-Luziânia e assiste rivais levarem a verba, está chorando traição na tribuna mesmo sendo vice-líder. Seu descarte é porque não se elege pra mais nada, diz o tracking político.

​Continuar essa cartilha só prova que a idade chega, mas a noção passa longe. Quando o partido usa o militante de bucha e o manda pro escanteio, não adianta chorar pro cuidador: o amor venceu, mas a rasteira do companheiro é garantia da casa! 

domingo, 30 de agosto de 2026

GAROTINHO NA GARUPA: O PESADELO DE PAES.

Quando era prefeito, Eduardo Paes prometia atazanar a vida dos motoboys; agora, candidato ao governo, descobriu que a categoria merece até isenção de IPVA. É a política fazendo aquilo que sabe fazer melhor: trocar de capacete conforme a direção do vento — e, de preferência, antes que apareça o fantasma de Garotinho.

Ontem tinha GPS, telemetria, pontuação, fiscalização e ameaça de suspensão; hoje tem proposta, carinho e conversa mansa com a rapaziada. O motoboy que antes era tratado quase como suspeito sobre duas rodas agora virou eleitor premium — porque, em ano eleitoral, até motoqueiro ganha tratamento VIP.

E Paes sabe que, em eleição para governador, há um fantasma que não convém brincar de chamar: Garotinho. Talvez por isso tenha aprendido que atazanar eleitor é uma coisa; pedir o voto dele é outra. No Rio, a política também trabalha por aplicativo: muda o destino, recalcula a rota e acelera quando percebe o fantasma no retrovisor.