Árvore que entorta enquanto muda ainda aceita tutor: amarra aqui, corrige ali e ele segue procurando a luz. Na política, não é muito diferente: enquanto há formação, há esperança; depois que o tronco endurece, haja tutor para corrigir. E tem gente que já chegou à idade do tronco duro querendo dar aula de retidão, e pior, não se enxerga.
O engraçado é ver nas redes o militante veterano, travestido de professor, falando em democracia enquanto calunia opositores, seguindo a pauta e as ordens dos seus dirigentes. É discurso novo em caule velho: quem sempre patrulhou o pensamento alheio agora virou professor de liberdade. Só faltou combinar a aula com a própria raiz.
Na agricultura, a raiz entrega a história da planta; na política, também. Pode mudar a conversa, a legenda e até a bandeira, mas o DNA não aceita maquiagem. Árvore adulta não se endireita no grito — e militante veterano não vira democrata só porque aprendeu a escrever “tolerância” na internet.

