Nas redes, sobretudo no Facebook, não falta professor, educador e cientista político de si mesmo, sempre muito simpático, muito sério e muito disposto a explicar a realidade para quem não pediu. Diante dos fatos, porém, começa o malabarismo: contemporiza o absurdo, relativiza o evidente e, quando falta argumento, tenta resolver a discussão ofendendo a inteligência da turma de direita.
O curioso é que esse desfile de superioridade intelectual pode produzir justamente o efeito contrário: até o eleitor mediano, que não vive política 24 horas por dia, começa a desconfiar quando a explicação precisa ser maior que o próprio fato. E aí está a ironia: tanto esforço para defender Lula, tanta energia para desqualificar quem discorda, pode terminar fazendo exatamente aquilo que eles menos desejam — empurrar para Flávio Bolsonaro até gente que, provavelmente, jamais imaginaria chegar tão perto dele.