Desde a era Bolsonaro, a migração de simpatizantes de siglas partidárias parece seguir uma curiosa mão única: da esquerda para a direita, dificilmente no sentido contrário — salvo, é claro, quando o pragmatismo e as conveniências do jogo político começam a falar mais alto entre jornalistas de opinião e políticos profissionais. Daí surgem as cenas cada vez mais constrangedoras da campanha eleitoral: o que estarão pensando, nestes dias, os eleitores do ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindbergh Farias, ao assistir ao espetáculo de bizarrices protagonizado por ele e seu mais novo parceiro de desventuras, André Janones? É política ou uma dupla de comediantes procurando palanque para o próximo número?
Promovendo-se alegremente na bolha petista, noves fora seus iguais, os dois parecem disputar quem consegue transformar mais rapidamente uma campanha eleitoral em circo de constrangimentos. Difícil imaginar alguém se deixando convencer por essas duas malas sem alça: vão continuar se ridicularizando até transformar voto em vaia e palanque em picadeiro? Por mais doido que o caboclo seja, uma hora a ficha cai — e, quando cai, costuma fazer um barulho danado.