Quem passa pela Carvalhais rumo a Belford Roxo pode pensar que está entrando no sambódromo eleitoral: é bandeira do Canela, bandeira do Rueda e mais de 200 moças, dizem, recebendo R$ 100 por dia para desfraldar a esperança — ou simplesmente o pano mesmo. É tanta bandeirinha que, se bobear, o vento já está fazendo campanha também.
O mais curioso é lembrar que, poucas semanas atrás, Canela estaria vivendo um passeio muito menos carnavalesco: denúncia, prisão e uma briga daquelas com o maledeto Garotinho, que resolveu puxar o tapete justamente quando o homem ensaiava voos mais altos. O sonho do Senado evaporou, a candidatura recuou para a Assembleia e, por pouco, a carreira política não virou apenas lembrança de inquérito.
Mas política tem dessas coisas: ontem o sujeito estava quase conhecendo o capeta pelo primeiro nome; hoje está de volta à avenida, sorrindo para as bandeirinhas como se nada tivesse acontecido. Afinal, depois de quase trocar o palanque pela cela, qualquer calçada com eleitor parece um resort cinco estrelas. Canela não caiu do cavalo: caiu quase no xilindró — e ainda conseguiu levantar procurando a urna.

