segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A Fé, o Crime e a Urna

Em 1958, o assassinato de Aída Curi chocou o Rio e o país. O episódio ficou marcado não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela maneira como a sociedade e a própria cobertura do caso deslocaram o foco para a conduta e a reputação da vítima — enquanto, fora dos tribunais, houve até quem recebesse um dos acusados com aplausos numa boate de Copacabana. Hoje, o paralelo não está no crime, mas na seletividade com que parte do debate público reage às vítimas.

Alguns artistas, jornalistas e influencers condenam determinados crimes com enorme repercussão, mas adotam silêncio ou cautela diante de outros, como os cometidos pelo Hamas ou a morte de Charlie Kirk, quando o assunto toca suas preferências políticas. E há quem proclame que “domingo sem missa é domingo sem graça”, mas, no palanque eleitoral, defenda o “Sem Anistia” e compartilhe espaços com posições que contradizem aquilo que prega. Não é preciso julgar a fé de ninguém: basta comparar o discurso do altar, a prática política e os crimes que cada um escolhe condenar — ou convenientemente esquecer.

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