Em 2006, Nova Iguaçu viveu uma daquelas histórias que parecem inventadas: um sequestro de ônibus provocado por ciúme parou a Dutra e, como se o episódio já não fosse suficientemente surreal, o então vereador Marcos Rocha resolveu pegar carona na bizarrice e apresentou um projeto criando o Dia do Corno. A tragédia virou palanque, a bizarrice virou notícia e a notícia, naturalmente, virou promoção pessoal.
Quase duas décadas depois, mudou o endereço, mas não necessariamente o método. Janones parece ter transformado essa velha receita em profissão: quanto mais espalhafatosa a invenção, mais câmera, meme e holofote — e, quem sabe, voto. Em Nova Iguaçu, o corno quase ganhou data oficial; em Brasília, o absurdo ganhou algoritmo. E sempre aparece uma plateia disposta a aplaudir: uns por convicção, outros pela gozação. No fim, o político oferece o circo, mas é o público que decide se compra ingresso — ou se continua financiando o palhaço.
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