Quando era prefeito, Eduardo Paes prometia atazanar a vida dos motoboys; agora, candidato ao governo, descobriu que a categoria merece até isenção de IPVA. É a política fazendo aquilo que sabe fazer melhor: trocar de capacete conforme a direção do vento — e, de preferência, antes que apareça o fantasma de Garotinho.
Ontem tinha GPS, telemetria, pontuação, fiscalização e ameaça de suspensão; hoje tem proposta, carinho e conversa mansa com a rapaziada. O motoboy que antes era tratado quase como suspeito sobre duas rodas agora virou eleitor premium — porque, em ano eleitoral, até motoqueiro ganha tratamento VIP.
E Paes sabe que, em eleição para governador, há um fantasma que não convém brincar de chamar: Garotinho. Talvez por isso tenha aprendido que atazanar eleitor é uma coisa; pedir o voto dele é outra. No Rio, a política também trabalha por aplicativo: muda o destino, recalcula a rota e acelera quando percebe o fantasma no retrovisor.
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