domingo, 30 de agosto de 2026

AMIGO NÃO TEM DEFEITO, INIMIGO TEM ATÉ O QUE NÃO TEM

"Dois pesos e duas medidas” talvez seja a definição mais econômica para a fala da jornalista Malu Gaspar. No auge da intolerância com Flávio Bolsonaro, decretou que pouco importa se o empréstimo do Banco Master ao filme Dark House ocorreu entre empresas privadas. Se o dinheiro veio do Master, pronto: virou público por decreto editorial.

A lógica é curiosa: como o banco teria lesado o governo e aposentados do INSS, qualquer centavo que tenha passado por seus cofres já chega ao destino com uma etiqueta de “dinheiro público”. É uma contabilidade revolucionária: não precisa rastrear a origem, basta descobrir quem é o vilão da vez e carimbar a verba como patrimônio da viúva.

O problema é quando a régua precisa atravessar a porta da Globo. Aí entram em cena outros negócios, como os envolvendo Luciano Huck e o Valor, e a matemática parece ganhar férias. No jornalismo de dois pesos, o dinheiro muda de natureza conforme a carteira — e, principalmente, conforme o dono da carteira.

Até porque na contabilidade seletiva, público é o dinheiro do adversário; o do amigo continua sendo apenas dinheiro. Afinal, amigo meu não tem defeito; inimigo, se não tiver, eu ponho.

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