Na vida, todo mundo já precisou de alguém — e, em algum momento, alguém também precisou da gente. O problema começa quando o sujeito chega à maturidade e conclui que deixou de ser passageiro para virar primeira classe da humanidade. Foi mais ou menos nessa altitude que o deputado Doutor Luizinho respondeu às críticas de Jorge Miranda: segundo ele, as pancadas não faziam muito sentido porque estaria num patamar bem acima. Patamar, aliás, é uma coisa perigosa: quanto mais alto, maior o tombo e mais gente para assistir.
O saudoso Arthur da Távola dizia que ter razão podia ser um perigo, porque até o sujeito estar certo, mas escolher a hora errada para provar isso pode transformar argumento em tiro no próprio pé. Já Garotinho, discípulo aplicado de Brizola, quando aparece cercado de acusações, parece carregar no bolso um par de sandálias da humildade e outro de coelho de desenho animado: escapa das armadilhas, dá uma pirueta política e, se deixar, termina a entrevista pedindo música no Fantástico. É o velho truque de não se apresentar como superior — mesmo quando acredita piamente nisso.
Agora vem a temporada de caça aos votos, e aí o tal patamar poderá ser medido sem discurso, sem espuma e sem régua de ego: será contado em votos. Doutor Luizinho conseguiu reunir uma verdadeira tropa de candidatos a deputado estadual; se essa força aparecer espalhada pelo Estado, teremos uma liderança de fato. Mas, se a montanha de candidatos produzir apenas um morro de votos concentrado em Nova Iguaçu, a opinião pública poderá fazer a conta — e talvez descobrir que o patamar era menos montanha e mais meio-fio. Afinal, na política, quem decide a altura do sujeito não é o espelho: é a urna.
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