A coitada da paciente renal achou que estava arrasando ao pedir uma simples receita pro médico da hemodiálise.
Ela só queria o Cloridrato de Sevelâmer e o Cloridrato de Cinacalcete pra tentar a sorte na tal Rio Farmes.
Na cabeça dela, cheia de boa vontade, cuidar da saúde antes do troço piorar era a coisa mais lógica do mundo.
Pura inocência: ela esqueceu que a lógica e a burocracia do Rio nem se cumprimentam na rua.
Sem nem piscar, o doutor tratou de mandar aquele choque de realidade com direito a balde de água gelada.
O recado foi direto: a briosa instituição estadual não libera esses remédios pra quem tá só precisando, não.
A regra do jogo é cristalina: o paciente tem que tá praticamente com um pé na cova e o outro numa casca de banana.
Aparentemente, continuar respirando sem drama é considerado um luxo desnecessário pro orçamento do Estado.
É de uma genialidade sem tamanho: pra ganhar o remédio que salva a vida, você primeiro precisa quase perder a vida.
A saúde pública fluminense não trabalha com prevenção, trabalha com emoção forte e contagem regressiva.
O cidadão que se vire pra chegar à beira do abismo só pra ter o direito de conseguir o carimbo da receita.
Uma eficiência de dar inveja: a medicação só sai do estoque a tempo de servir como brinde no velório.
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