sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A LÓGICA DA RIO FARMES

A coitada da paciente renal achou que estava arrasando ao pedir uma simples receita pro médico da hemodiálise.

Ela só queria o Cloridrato de Sevelâmer e o Cloridrato de Cinacalcete pra tentar a sorte na tal Rio Farmes.

Na cabeça dela, cheia de boa vontade, cuidar da saúde antes do troço piorar era a coisa mais lógica do mundo.

Pura inocência: ela esqueceu que a lógica e a burocracia do Rio nem se cumprimentam na rua.

​Sem nem piscar, o doutor tratou de mandar aquele choque de realidade com direito a balde de água gelada.

O recado foi direto: a briosa instituição estadual não libera esses remédios pra quem tá só precisando, não.

A regra do jogo é cristalina: o paciente tem que tá praticamente com um pé na cova e o outro numa casca de banana.

Aparentemente, continuar respirando sem drama é considerado um luxo desnecessário pro orçamento do Estado.

​É de uma genialidade sem tamanho: pra ganhar o remédio que salva a vida, você primeiro precisa quase perder a vida.

A saúde pública fluminense não trabalha com prevenção, trabalha com emoção forte e contagem regressiva.

O cidadão que se vire pra chegar à beira do abismo só pra ter o direito de conseguir o carimbo da receita.

Uma eficiência de dar inveja: a medicação só sai do estoque a tempo de servir como brinde no velório.

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