quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Quando a arrogância vira virtude e o limite, necessidade

Impor limites não é fugir de pergunta, é saber quando uma entrevista deixa de ser entrevista e vira inquisição com iluminação de estúdio. Os candidatos à Presidência entram diante de Renata Vasconcellos e César Tralli como quem chega para prestar depoimento, aceitando passivamente o emparedamento e, muitas vezes, esquecendo que também podem perguntar. Na rodada de 2026, Ronaldo Caiado foi entrevistado pelos dois em 25 de agosto.

O problema não é perguntar sobre corrupção, segurança, economia ou qualquer outro assunto; é o candidato aceitar que o entrevistador dite sozinho o terreno, a moldura e até a conclusão. Caiado, com aquela sua conhecida arrogância natural — que, desta vez, quase virou virtude — não se deixou conduzir facilmente pelos locutores de pautas prontas: respondeu, rebateu e sustentou suas posições, goste-se ou não delas. Afinal, candidato que pretende sentar na cadeira de presidente não pode chegar ao estúdio já entregando o encosto.

Limite, meu caro, não é grosseria: é postura. Até uma recepcionista sabe sorrir enquanto despacha o inconveniente, e um policial sabe cortar a discussão antes que vire bate-boca; candidato também deveria saber. E isso vale até para velhos amigos: o tempo pode preservar a amizade, mas não dá salvo-conduto para que alguém perca os bons modos. Caiado mostrou que, numa sabatina, certa dose de arrogância pode ser menos defeito do que submissão — porque quem não sabe impor limites aos estranhos, e muito menos aos amigos sem cerimônia, acaba ensinando os outros a tratá-lo como bem entenderem.

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