segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR"O GOVERNO DO RIO?

 Nos anos 80, tive a honra de frequentar um "curso superior" que, embora tenha durado apenas algumas horas, valeu mais do que muito mestrado por aí. O professor era Jadir Ferreira Baptista, fundador do IBATE, um dos institutos de pesquisa mais respeitados do país. Foi ali que aprendi que eleição não é fotografia; é filme. O eleitor muda de humor, muda de assunto e, quando resolve mudar de candidato, nem o estatístico mais caprichoso consegue convencê-lo do contrário.

Hoje, felizmente ou infelizmente, o currículo ficou bem mais acessível. Basta assistir a três vídeos nas redes sociais e o cidadão já recebe, sem precisar colar grau, os títulos de infectologista, economista, jurista, estrategista militar, chef de cozinha e profeta do Apocalipse. Se sobrar tempo, ainda grava um vídeo ensinando como salvar o planeta, fazer pudim sem leite condensado e prever quem vencerá a próxima eleição.

Não ousaria chegar ao requinte do inesquecível Léo Montenegro, de O Avesso da Vida, que promovia um cidadão à categoria de especialista apenas porque ele morava ao lado de um médico. Mas, amparado pelo meu "diploma" concedido pelo professor Jadir, arrisco um palpite que vale exatamente o preço desta crônica: para mim, os institutos de pesquisa podem continuar fazendo contas, cruzando tabelas e desenhando gráficos coloridos. O eleitor, esse velho gozador, adora desmoralizar certezas estatísticas na hora de apertar o botão da urna.

Por isso, assumo inteira responsabilidade pela heresia: minha impressão é que Garotinho será eleito governador do Rio de Janeiro. Não porque tenha descoberto uma fórmula secreta, mas porque a campanha terá um único protagonista — a segurança pública. Quem convencer o eleitor de que enfrentará o crime com mais firmeza largará na frente. Garotinho percebeu isso e já experimenta o figurino de um "Bukele fluminense". Os adversários, por sua vez, parecem mais preocupados em discutir marqueteiro, pesquisa e alianças. Como ensinava meu "curso superior" de algumas horas, eleição não premia quem agrada aos institutos; premia quem acerta a principal angústia do eleitor.

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