sábado, 22 de agosto de 2026

Burocrates e Artistas: Os Pela-Sacos que Opinam Sobre o que Nunca Vivenciaram.

Tem sujeito que ganha salário de rei sem nunca ter visto uma enxada de perto, não enfrenta seca, chuva, praga, cliente reclamando nem muda morrendo no transporte. Vive no ar-condicionado, protegido por uma montanha de carimbos e penduricalhos, e ainda encontra tempo para explicar como o produtor rural deveria trabalhar. É o milagre brasileiro: quem não corre risco de errar é justamente quem mais gosta de dar palpite sobre o caminho dos outros.

Do outro lado, temos a fauna artística e intelectual, aquela turma que pega um violão, escreve três versos sobre a lua, toma uma cerveja importada e, de repente, acorda especialista em economia, agricultura, geopolítica e salvação da humanidade. Muitos vivem de cachê, incentivo, verba pública ou aplauso de plateia cativa, mas olham para o homem do campo como se ele fosse um personagem medieval. A soja, para essa gente, provavelmente nasce de madrugada, já ensacada e com código de barras.

E assim vamos nós: Brasília engordando a folha de pagamento, enquanto São Paulo produz, trabalha e paga a conta — uma espécie de vaquinha nacional em que a vaca mora no campo e os outros ficam com o leite. O mais engraçado é ver o cidadão que jamais teve dor de cabeça com folha de pagamento, funcionário faltando ou mercadoria encalhada explicando como o Brasil deve funcionar. Se opinião produzisse riqueza, esses gênios já teriam transformado o país numa potência; pena que, até agora, só conseguiram produzir discurso, cerveja importada e muito pé no saco.

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