quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Jornal Nacional: quando a inquisição troca de candidato

Pelo que se viu na noite de ontem, Renata Vasconcellos e César Tralli parecem ter percebido que as redes sociais também sabem tocar campainha — e fazem um barulho danado quando querem. Depois do clima inquisitório das entrevistas anteriores, com Renan Santos por misericórdia ou propriamente outros interesses, a conversa pareceu mais sala de visitas que tribunal: menos bisturi, mais tapete vermelho.

A diferença em relação a Romeu Zema e Ronaldo Caiado foi difícil de ignorar: para uns, lupa, detector de contradições e interrogatório; para outro, quase uma conversa protocolar, como se algumas minas terrestres já viessem devidamente sinalizadas. A impressão deixada é que, para determinado setor político e midiático, o verdadeiro adversário é quem enfrenta Lula — enquanto Renan pode ser visto como uma promissora escada para projetos futuros.

O problema é que o telespectador já não precisa esperar o editorial do dia seguinte para formar opinião: as redes sociais funcionam como aquele sujeito inconveniente no fundo da sala que não tem microfone, mas vê tudo. Jornalismo sério deveria ter uma régua única: pergunta dura para todos, cobrança igual e nenhum candidato previamente escalado para o confessionário. Afinal, entrevista presidencial não pode virar concurso de “quem leva o puxão de orelhas?”.

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