Nesses tempos de especialistas em generalidades, basta abrir as redes sociais para encontrar doutores de tudo — inclusive daquilo que mal conhecem na prática. Há sempre alguém, em pose de autoridade, ensinando a manter acesa a chama do amor, como se paixão viesse com manual de instruções e certificado de conclusão. É a velha história: quem não consegue acender a própria lareira, dá palestra sobre incêndio.
Olavo de Carvalho, com sua conhecida capacidade de colocar o dedo onde dói, lembrava que “o verdadeiro amor é tão grande e tão intenso que perto dele o sexo é apenas uma coceirinha”. E citava Santo Tomás, para quem amar é desejar a eternidade do ser amado. Convenhamos: isso é bem mais profundo do que a receita de ocasião dos professores de felicidade instantânea que infestam a internet.
Talvez esteja aí a diferença entre quem conhece o assunto e quem apenas fala dele com a desenvoltura de quem leu a bula. Amor verdadeiro não se ensina em vídeo de quinze segundos, nem se mede por técnicas, poses ou frases de efeito. E para certos especialistas de sofá, fica o conselho: antes de ensinar os outros a amar, talvez fosse prudente verificar se a própria casa ainda tem alguma chama acesa.
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