Olavo dizia que somos nossa vontade, nosso centro de decisão — justamente aquilo que nos permite escolher entre a razão e a cegueira. Mas há quem, depois de atravessar boa parte da vida, tenha escolhido fazer dos partidos e políticos de esquerda uma espécie de religião particular, justificando Lula, PT e seus aliados com a devoção de quem prefere a crença aos fatos.
O mais deprimente é encontrar gente já entrada em idade, com cabelos brancos suficientes para ter aprendido alguma coisa sobre a vida, ainda funcionando como cabo eleitoral de político. Diante dos erros, dos escândalos e dos desastres, não enxergam o desastre: procuram uma desculpa, uma narrativa ou um inimigo conveniente, desde que Lula e a esquerda saiam da fotografia com a auréola intacta.
É a velha fábula do escorpião e do coelho, agora com bandeira partidária: o escorpião sabe que sua ferroada matará os dois, mas pica assim mesmo porque “é da sua natureza”. A diferença é que políticos e partidos não são escorpiões — são escolhas humanas; e quem, depois de uma vida inteira, continua escolhendo cegamente os mesmos responsáveis não pode fingir surpresa quando a conta chega para os filhos e netos.
Envelhecer deveria trazer alguma sabedoria, ou pelo menos o constrangimento de não entregar aos que vêm depois um país mais pobre, mais dividido e atolado em problemas que ajudamos a perpetuar. Mas há quem prefira morrer agarrado ao partido, ao líder e à narrativa, deixando aos descendentes a herança do caos — e ainda se achando moralmente superior por ter apertado o botão certo na urna.
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