Lembram daquelas noites sombrias da pandemia, quando ligar a televisão era praticamente assinar um termo de compromisso com o pânico? A distinta audiência deitava para dormir já sentindo uma leve falta de ar, não pelo vírus, mas pelo puro terrorismo psicológico servido em horário nobre. Se alguém ousasse mencionar qualquer alternativa que saísse da cartilha oficial dos "donos da doença", o martelo da arrogância baixava na hora: "sem comprovação científica e ponto final", rugiam os iluminados.
Enquanto uns morriam de susto trancados em casa, outros quase enfartavam de raiva vendo o pequeno teatro diário das bancadas de jornal. Eram caras, bocas e um tom professoral insuportável para defender o trancamento geral, pouco se lixando para quem viu o sustento da vida ir para o ralo. A mensagem subliminar dos virtuosos da tela era clara: o comércio fecha, o choro é livre e, se você não gostou, vá reclamar diretamente com o capeta.
Só que o tempo passa e a conta, ah, essa adora chegar sem avisar. O espetáculo atual no Congresso Americano, botando o todo-poderoso Anthony Fauci contra a parede, está aí para provar que a narrativa perfeita anda fazendo água por todos os lados. De repente, aquela ciência infalível que justificava qualquer tirania de terno e gravata já não parece tão sagrada, deixando os juízes da moral alheia com um leve tremor nas pernas.
Como bem lembrou o jornalista Guilherme Fiuza, essa turma que posou de salvadora da pátria e encheu os bolsos com o patrocínio do medo ainda não entendeu o tamanho do buraco. Quando essa história for finalmente passada a limpo e a hipocrisia for despida em praça pública, a vergonha vai ser tanta que muitos vão desejar ter evaporado. Porque o diabo pode até demorar, mas nunca esquece de cobrar cada centavo dos seus fiéis devotos.
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