sexta-feira, 25 de setembro de 2026

AUTOAJUDA AO PÉ DA LETRA

Augusto Cury, especialista em fazer o leitor acreditar que pode reorganizar a própria vida em dez passos, resolveu aplicar a fórmula à eleição: pai perdeu, filho perde; Lula pega Flávio no segundo turno e “destrói”. Só faltou publicar o livro “A Eleição em 10 Capítulos — e o Resultado no Primeiro”.

E aí entra a política: enquanto diz não querer nem Lula nem Flávio e apresenta sua candidatura como alternativa aos dois, Cury já distribui o roteiro do eventual segundo turno. Se Olavo de Carvalho estivesse vivo, talvez dissesse que a autoajuda chegou ao seu estágio eleitoral mais sofisticado: o candidato não pede voto — explica antecipadamente quem deve perder.

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!

Como diria Sherlock Holmes: “Elementar, meu caro Watson.” Se alguém está à beira-mar e, de repente, vê o oceano recuar quilômetros, é bom desconfiar: tsunami à vista. Já quem está léguas e léguas da costa continua tomando seu cafezinho, sem imaginar o que está acontecendo. 

Na economia, é mais ou menos a mesma coisa: quem trabalha com vendas já percebeu que o faturamento despencou neste período que antecede o pleito de 2026. Na outra ponta, porém, tem gente que continua trabalhando, produzindo e recebendo como se o mar estivesse no lugar — até porque ninguém avisou que a água estava recuando.

E aí está a parte divertida, se é que podemos chamar assim: todos estão amarrados à mesma economia, mas o susto só chega para muita gente quando a escassez bate à porta e a tragédia econômica começa a pipocar. Setembro veio com o mercado financeiro pisando no freio e muita gente desesperada porque a cota de vendas virou uma espécie de promessa eleitoral: todo mundo fala nela, mas cumprir que é bom... 

Enquanto isso, os discursos continuam bonitos, as urnas se aproximam e o eleitor vai descobrindo que economia não lê discurso, não vota em promessa e muito menos combina com maré. Para o bem ou para o mal, isso vai passar. Só não se sabe ainda se, depois da eleição, o mar vai voltar ao lugar ou se vão dizer que a culpa foi da maré.

PORTA-VOZES DO ACHISMO ELEITORAL

O mundo dá cada volta que até Odorico Paraguassu pediria um cafezinho: Dona Daniela Lima, jornalista de conhecida simpatia pela esquerda, trouxe uma hipótese capaz de fazer o Palácio olhar torto para a urna: Lula poderia desistir da eleição para preservar a biografia. Hipótese, claro — não anúncio de retirada.

Enquanto os jornalões enxergam “oscilação positiva” para Lula e decretam o teto de Flávio Bolsonaro, Dona Dani joga a hipótese no salão e manda o cabrunco para o ventilador. Se a conversa pegar, Lindbergh e Janones, esquerdistas panfletistas e leninistas juramentados, terão de baixar o gogó — porque até hipótese, em ano eleitoral, pode fazer um palanque tremer.

DIREITA, VOLVER!

Nunes Marques saiu arranhado ao se declarar impedido de participar do julgamento envolvendo Alexandre de Moraes. E arranhão de STF não é igual a risco de unha em porta: dependendo do tamanho, pode acompanhar o ministro por muitos capítulos — a menos que apareça um fato novo para mudar o assunto.

E é aí que entra a hipótese, com o cabrunco eleitoral já sentado à mesa: uma eventual decisão de libertar Bolsonaro antes das eleições de 2026 poderia transformar aquele arranhão em nota de rodapé. Seria a velha política de memória seletiva: o que ontem parecia pecado, amanhã pode virar até favor — dependendo, é claro, de quem estiver contando a história.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

Se as pesquisas estiverem mesmo desenhando um cenário eleitoral adverso para Lula, dá para imaginar que o discurso na ONU tenha mirado menos a recuperação de votos e mais o terreno que pode existir depois da urna. Os adversários falam em estrago diplomático, mas talvez estejam esquecendo de uma coisa: Lula não chegou até aqui sendo bobo. Se o confronto foi calculado, só ele sabe qual carta está escondida na manga.

Para quem está mais alinhado a Trump, pode parecer um cálculo bem pensado: bate em Washington agora e deixa alguma ponte de pé para depois. E, pela idade de Lula, seu futuro, mais do que nunca, só a Deus pertence. Se a derrota vier, a sobrevida terá de ser vivida em alto nível. Asilo político? Por enquanto, mera especulação. Mas fica a pulga atrás da orelha: a ONU foi apenas o palanque ou a primeira placa de uma estrada que Lula já sabe para onde leva?

ATÉ DANIELA LIMA JÁ FALA EM DERROTA DE LULA?

A fala chama atenção justamente porque não veio de uma postagem anônima ou de um militante das redes sociais, mas de uma jornalista profissional, em comentário sobre o cenário eleitoral. Daniela Lima colocou no debate uma hipótese que, se confirmada ou não, ultrapassa a simples preferência de Lula ou de seus adversários.

Mais do que saber quem tem razão, interessa observar o que está sendo dito nos bastidores do poder e por que uma possibilidade tão delicada chegou ao espaço público. Afinal, quando uma jornalista fala em uma eventual retirada de Lula para evitar uma derrota diante de Flávio Bolsonaro, a informação merece ser examinada — não apenas torcida. 

"Mantido esse cenário de profundo aperto, inclusive com uma virada de Flávio Bolsonaro em pesquisa numérica dentro da margem de erro, muita gente diz dentro do parlamento, Câmara e Senado, que o Lula não arriscaria fechar sua biografia com uma derrota para Flávio Bolsonaro e se retiraria da disputa. E que o presidente sabe disso."



EU TENHO TODO O TEMPO DO MUNDO — O BRASIL QUE ESPERE

Caiado chama de “roleta-russa” apostar em Flávio contra Lula, mas parece considerar perfeitamente seguro apostar tudo na própria candidatura — mesmo quando o cenário eleitoral insiste em lhe dar menos tapete vermelho que esperança. A fé é tamanha que só falta pedir à urna um milagre com firma reconhecida.

No fundo, é o velho “se não for eu, que se dane o resultado”: Flávio que perca, Lula que ganhe, Bolsonaro que se vire — contanto que Caiado continue na corrida presidencial. Afinal, quando a vaidade entra na urna, o interesse nacional pode até esperar: primeiro o candidato, depois o Brasil.

A URNA, A CHUVA E O SOFÁ TAMBÉM PODEM DECIDIR A ELEIÇÃO

Pode ser que sim, pode ser que a abstenção de 4 de outubro seja expressiva — e, nesse caso, o eleitorado mais velho de Lula, apontado pelo Datafolha, entra na equação com uma variável incômoda: chuva, saúde, idade e aquela prudência de quem prefere não se arriscar.
E aí mora o lado menos animador da história: pesquisa mede quem pretende votar, mas eleição depende de quem efetivamente aparece. Se o domingo vier com mau tempo e o sofá parecer mais seguro que a seção eleitoral, o problema poderá ser maior do que qualquer pesquisa imaginou — porque, no fim, até a abstenção pode entrar na disputa sem precisar pedir voto.
Na verdade, a matemática eleitoral poderá descobrir que, às vezes, o maior adversário do voto é justamente a vontade de não votar.

QUANDO A TRAGÉDIA MORAVA NA MEMÓRIA

Nos anos 50, na Praça de Santo Antônio, em Guarus, Campos dos Goitacazes, uma bola de borracha já era uma pequena riqueza; de couro, nem pensar — a molecada corria atrás da bola de meia, descalça, feliz com tão pouco. Até que a notícia chegou pela estrada que margeava a beira-rio: o caminhão havia atropelado e matado um dos meninos, o Bicada. A brincadeira perdeu a graça naquele dia, e o nome dele ficou guardado para sempre na memória de quem era criança. Também ficou a lembrança da queda do helicóptero que matou o governador Roberto Silveira.

Hoje, com a morte do cantor Rick em acidente aéreo e de tantas crianças por razões outras, a gente se pergunta para onde foi aquela capacidade de parar, sentir e guardar. Talvez o mundo tenha ficado mais veloz, mas a memória ficou mais curta: antigamente, uma tragédia entrava pela porta, sentava na sala e permanecia conosco; hoje, chega pela tela do celular, provoca um espanto ligeiro e logo é empurrada pelo próximo acontecimento. E é nessa diferença que bate a saudade — não apenas do tempo que passou, mas de um tempo em que as coisas, até as mais simples, pareciam ter alma.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

SABEMOS, MAS NÃO FALAMOS

Os grandes jornais parecem aquele botequim em que o freguês que paga a conta começa a quebrar: o garçom sorri, o dono desconversa e ninguém quer perguntar quem vai bancar a próxima rodada. No editorial, a convicção continua firme; na calculadora, porém, já começa aquele barulhinho de caixa registradora com defeito.

E Flávio Bolsonaro crescendo nas pesquisas virou o cabrunco que entrou na redação e sentou justamente na mesa que ninguém queria reservar. Falam em primeiro turno como quem já escreveu o resultado, mas evitam pronunciar o nome do sujeito que pode transformar a eleição em outra conversa: Flávio Bolsonaro pode não estar na manchete, mas pode acabar sendo o nome que decide quando a urna mandar a conta.

E O MARANHÃO FEZ O BOLSONARO CHORAR

As 17 boquinhas artísticas que se imaginam arautos de um Brasil de audiência parecem acreditar que um “Bora, Lula” em rede nacional ainda seja capaz de manter o Nordeste preso ao velho cabresto eleitoral — como se celebridade fosse procuração e televisão, urna eletrônica. O problema é que o povo, aparentemente, anda desenvolvendo o inconveniente hábito de pensar por conta própria.

Já a passagem de Flávio Bolsonaro pelo Maranhão teve uma imagem que o marketing eleitoral certamente vai guardar com carinho: diante da multidão, o candidato chorou e levou as duas mãos à cabeça, como quem acabara de descobrir o tamanho da própria manifestação popular. Se a cena for parar no horário eleitoral, os 17 artistas talvez descubram que, às vezes, um candidato emocionado diante do povo rende mais televisão do que 17 caras e bocas forçadamente emocionadas diante das câmeras.

"ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU"

De um lado, em Recife e outras capitais nordestinas, a romaria de carros e motos seguindo Flávio Bolsonaro; do outro, 17 rostinhos célebres reunidos num comercial de “Bora Lula”, como se fama viesse acompanhada de procuração popular.

O contraste parece até piada pronta: uma paisagem cheia de gente em movimento contra um quadro de paisagem morta, onde os artistas imaginam que um “Bora Lula” seja suficiente para ressuscitar, no grito, a popularidade que as urnas ainda terão de medir.

FLÁVIO NA URNA, JAIR NO RETROVISOR

A fala do jornalista Merval Pereira, na GloboNews, Lula parece estar fazendo aquela conta de botequim em que se esquece justamente da parcela mais importante: estaria olhando para Flávio Bolsonaro enquanto, segundo Merval, o verdadeiro fantasma da conta atende pelo nome de Jair. É como marcar um duelo com o substituto e descobrir, na hora do combate, que o titular ainda estava no vestiário.

A comparação com Serra em 2010 completa o deboche: segundo Merval, ele enxergou Dilma como uma candidata sem maiores condições e não percebeu que estava, na prática, enfrentando Lula. Na política, errar o adversário pode custar a eleição.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

BORA, LULA: O PASSADO NOS CONDENA

 A campanha reúne 17 artistas repetindo “Bora, Lula”, como se o Brasil estivesse diante de uma emergência nacional de falta de aplausos. Enquanto isso, quem está com o burrinho amarrado à sombra, protegido pelo confortável serviço público e pela velha turma partidária, pode se dar ao luxo de fazer política entre um cafezinho e outro.

Do outro lado da porteira está o sujeito que acorda cedo, paga imposto e ainda precisa descobrir qual imposto apareceu durante a noite. Para esse, a conversa de Daniella Marques sobre revogar mais de mil normas e rever tributos criados ou elevados por Haddad soa menos como campanha artística e mais como alguém finalmente prometendo desatar o nó da burocracia. 

E os artistas, coitados, continuam acreditando que um “Bora, Lula” dito em coro tem o mesmo peso de quem está com a mão no bolso pagando a conta. É a velha revolução de camarim: microfone na mão, burrinho dos outros puxando a carroça e, se possível, aplausos no final — porque trabalho pesado, afinal, também deve ter seu lado cênico.

E SE A CANOA VIRAR TALVEZ NEM CHEGO LÁ

Em Nova Iguaçu, os candidatos que embarcaram na canoa de Eduardo Paes já começam a olhar para a água com aquele sorriso amarelo de quem comprou passagem de primeira classe e descobriu que o casco é de madeira. Afinal, em 2018, o então desconhecido Wilson Witzel atravessou a eleição e deixou Paes olhando a maré de longe, impulsionado pela onda bolsonarista daquele momento.

Agora, com a disputa novamente fazendo água, a turma iguaçuana talvez esteja descobrindo a velha regra da política: candidato pode até escolher a canoa, mas quem decide a direção da maré é o eleitor. E, se a embarcação virar, vai faltar remo, colete e principalmente explicação para quem ficou a ver navios.

domingo, 20 de setembro de 2026

E COM QUE ROUPA EU VOU AO SAMBA QUE VOCÊ ME CONVIDOU?

Nesses dias que antecedem a eleição, o desespero de certos devotos de Lula parece ter entrado em modo parque de diversões: artistas, influencers e autoproclamados intelectuais estão que nem preá em casinha de roda-gigante, girando em círculos e procurando desesperadamente onde será a próxima estação da mamata cultural.

É que a possibilidade de mudança no Palácio parece ter produzido uma descoberta científica nessa fauna de seres especiais: até revolucionário profissional precisa de endereço, cachê e alguma coisa para pagar o cafezinho. Agora é cada um por si, o preá por todos e a velha pergunta martelando na cabeça: “E quando a urna fechar, quem é que vai continuar alimentando a gente?”

TOLERÂNCIA CRISTÃ, PACIÊNCIA DE SANTO

Há conservador que mantém nas redes aquele militante que parece ter feito pós-graduação em contrariar tudo o que ele acredita — talvez para exercitar, de maneira cristã, a tolerância ao próximo, mesmo quando o distinto cidadão parece ter se matriculado no subsolo da escala de valores humanos.

É quase uma penitência digital: o sujeito abre o celular, encontra mais uma provocação e, em vez de bloquear, respira fundo e pensa: “É meu próximo, tenho que tolerar.” Santa paciência! Só falta pendurar um crucifixo ao lado do botão “seguir” e instituir a indulgência plenária para quem consegue chegar ao fim do feed sem perder a fé.

O SINCERICÍDIO E A TAMPA DO CAIXÃO

Artistas e assemelhados com seus rostinhos angelicais, outros em caras e bocas de conteúdo, desfilam bravatas com a valentia de adestrados geriátricos. Só que, por trás da pose 

Ao imitar o coitadismo de Flávio e dizer que sua eleição libertaria o “amado papai”, enquanto a sua reeleição serviria justamente para mantê-lo preso, Lula acabou dizendo mais do que devia. Nesse momento, não precisou de cientista político, marqueteiro ou vidente: bastou prestar atenção para perceber que ele próprio levou a história ao lixo, bateu a tampa e ainda jogou a chave fora.

BAILE DA ILHA FISCAL, O RETORNO

Se a profecia de Garotinho estiver certa, o PT já poderia mandar engomar o terno da despedida: Gilmar teria percebido que os ventos mudaram, enquanto Moraes segue de cara fechada para Flávio — porque, depois de construir uma reputação de durão, ninguém vai estragar a personagem só porque o roteiro eleitoral resolveu mudar.

É a velha história do sujeito que percebe que a festa está acabando, mas continua na porta fazendo pose de leão de chácara: por dentro já sabe que o salão esvaziou, por fora mantém a carranca para não dar o braço a torcer. E, nessa versão da história, o PT ainda procura quem apagou a luz, enquanto o DJ já estaria escolhendo a música da próxima festa.

sábado, 19 de setembro de 2026

UMA VIDA QUE NINGUÉM MERECE

Ser bolsonarista, dizer que é de direita, respeitar pai e mãe, amar a Deus, a pátria e a família, casar, ter filhos, criar e educar os filhos, ser contra o assassinato de crianças, trabalhar — sobretudo trabalhar — e tentar ser uma pessoa do bem... até que não parece uma vida tão difícil assim. Não precisa de cartilha, de doutrinador, de palavra de ordem nem de reunião: é só viver a própria vida, assumir responsabilidades e seguir em frente.

Agora, experimente o outro lado: envelhecer brigando nas redes sociais, chamando de fascista todo mundo que discorda, repetindo o que o líder manda e, principalmente, agarrar-se com unhas e dentes à esperança de uma nomeação para um cargo público, mesmo que, para isso, seja preciso negar algumas das virtudes mais intrínsecas do ser humano. Afinal, quando o cargo vira objetivo de vida, até princípios que pareciam inegociáveis podem acabar entrando na fila da nomeação.

FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

Ainda sobre Thiago Lacerda: vendo aquele rosto desfigurado pelo furor uterino de quem parece ter acabado de parir a besta do Apocalipse, não pude deixar de lembrar de certas expressões de Lindbergh e Janones — aquela mistura de indignação, certeza absoluta e a convicção de que a própria régua moral deveria servir para medir o mundo inteiro. É o tipo de coisa que me faz lembrar do que escrevi dias atrás sobre o tal “discernimento de aluguel”: gente que a gente procura quando quer ouvir, além da voz humana, um pouco de razão.

E essa história me levou ao Barbosinha, que contou certa vez que ele e outros palestrantes de seu centro espírita resolveram expurgar Divaldo Pereira Franco porque o homem declarou votar em Bolsonaro. Quando questionado se aquilo não contrariava a doutrina de Kardec, veio a explicação definitiva: “Porque Bolsonaro não é humano.” De repente, a indignação de Thiago, Lindbergh e Janones ganha uma velha companhia: a certeza de que, quando o outro pensa diferente, até o bom senso pode ser colocado para fora pela porta dos fundos.

Talvez seja justamente aí que esteja o nosso problema: certas pessoas se julgam tão raras, tão iluminadas e tão indispensáveis que acabam imaginando que o país lhes pertence por direito adquirido. Querem o Estado para patrocinar suas convicções, o contribuinte para bancar a conta e, de preferência, o trabalhador para continuar trabalhando em silêncio — afinal, discernimento também tem seus custos, principalmente quando é de aluguel.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O ARTISTA, O GAFANHOTO E O FAÇA O L

Agora é o ator Thiago Lacerda indignado, mostrando ao brasileiro sua revolta contra quem considera o grande gafanhoto do país. Já houve época em que ator, cantor e celebridade falavam e o brasileiro obedecia com a mesma devoção de quem escuta o locutor anunciar o resultado da loteria.

Mas o tempo passou, o Brasil mudou e o cidadão descobriu que celebridade pode ser ótima para novela, música e palco, mas não necessariamente para administrar a própria consciência alheia. E quando chega a eleição, a verba estatal faz o milagre da ressurreição: luz, câmera, ação, discurso e o velho “faça o L” — porque convencer o eleitor pode até ser difícil, mas por um cachê a turma sempre ensaia mais uma vez.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

E SE É SUCESSO, EU TOCO!

No rádio, a voz vai ajudando a gente a encontrar o rumo da profissão. Eu saí e voltei trocentas vezes, mais por conveniência financeira mesmo. Afinal, como diz o caboclo, onde tem dinheiro a antena pega até no meio do mato!

Hoje, no meio da minha capineira do agro, me pego falando sozinho pros sapos coaxarem e pros insetos zumbirem, enquanto resgato os velhos bordões de um saudoso amigo e colega da Rádio Tupi: “Odair Marzano, o show dos sucessos musicais!”. E aí vem Roberto Carlos: “Quero que vá tudo pro inferno”, sucesso incontestável lá de 1965. E se é sucesso, eu toco! 

Já o Nelson Silva, do Club do Forró da Rádio Tropical, jurou de mãos postas que nunca mais voltava ao rádio e que, se voltasse, dormiria com a foto do operador de áudio, o Gilberto Alves na cabeceira. Pois voltou, justamente pra Tropical! Nelson não cumpriu a promessa, mas o Gilberto continua com a cabeça intacta, bonito e feliz — e sem precisar passar a noite olhando pra cara dele.

A ISCA JÁ ESTÁ NO BARCO

Os rostinhos mais singelos da esquerda petista que chega a rede social escrachando todo mundo que não comunga com a sua cartilha, não percebe que desse jeito estão fazendo campanha para o Flávio bolsonaro.

Quem tem simpatia pelo Lula vai votar no Lula, quem tá indeciso precisa ser conquistado com raciocínio, discernimento dos fatos, sobretudo, não implodindo e explodindo a vida e as pessoas com a linguagem de um Lindbergh da vida que nem criança leva a sério.

Em suma, põe uma mão na consciência, é um despropósito jogar isca para peixe que já está dentro do barco.


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A BOLA NAS COSTAS QUE A ESQUERDA NO FACEBOOK NÃO VÊ

Nas redes, sobretudo no Facebook, não falta professor, educador e cientista político de si mesmo, sempre muito simpático, muito sério e muito disposto a explicar a realidade para quem não pediu. Diante dos fatos, porém, começa o malabarismo: contemporiza o absurdo, relativiza o evidente e, quando falta argumento, tenta resolver a discussão ofendendo a inteligência da turma de direita.

O curioso é que esse desfile de superioridade intelectual pode produzir justamente o efeito contrário: até o eleitor mediano, que não vive política 24 horas por dia, começa a desconfiar quando a explicação precisa ser maior que o próprio fato. E aí está a ironia: tanto esforço para defender Lula, tanta energia para desqualificar quem discorda, pode terminar fazendo exatamente aquilo que eles menos desejam — empurrar para Flávio Bolsonaro até gente que, provavelmente, jamais imaginaria chegar tão perto dele.

QUAQUÁ E A MATEMÁTICA DO VOTO

Pode até não gostar do Quaquá, mas há de se reconhecer que, de vez em quando, o homem escapa da planilha dos marqueteiros e lembra que eleição não é campeonato de celebridade. Se Caetano, Chico e Bethânia já votam no Lula, como ele próprio observou, pedir-lhes novo voto é quase como cobrar ingresso de quem já está sentado na primeira fila — o problema é encontrar quem ainda esteja do lado de fora.

E lá vieram, na semana passada, as estrelas da Globo fazer coro pelo L, como se o eleitor estivesse apenas aguardando a opinião do camarim para decidir seu voto. Só esqueceram de combinar com a direita, que já transformou essas senhoras em figurinha carimbada do campo adversário. Pela própria régua do Quaquá, portanto, a estratégia parece curiosa: em vez de pescar no aquário do adversário, continuam distribuindo isca para os peixes que já estão dentro do barco.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

ALGUÉM QUE JÁ NÃO FUI

No início dos anos 80, o jovem Lameira não fazia cerimônia: assumia o preconceito social e dizia que jamais se sentaria à mesa para discutir política com um metalúrgico analfabeto. Cada um no seu lugar, cada qual com sua régua — e, gostando ou não, havia valores e convicções que pareciam valer alguma coisa.

Hoje, olhando para o presente, dá até vontade de perguntar onde foram parar aquelas antigas certezas. O que ontem era princípio virou conveniência, o rigor intelectual virou torcida e o metalúrgico que não servia nem para conversa política quase virou estampa de pijama e pantufa. É a política de hoje: muda-se a companhia, muda-se o discurso e, se bobear, muda-se até a pantufa — mas a velha contradição continua andando por aí, de chinelo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

CIÚME ELEITORAL

Quando você pensa que já viu de tudo, aparece Janones em mais um espetáculo histriônico — e Paula Lavigne, senhora Caetano Veloso, corre para recomendá-lo ao respeitável público. Mas fica a pergunta, em tom de pura especulação: será que Lindbergh sentiu aquele ciúme político? Afinal, por que referendar Janones e não o lindinho, que também está nas redes?

Na política iguaçuana, até recomendação de YouTube pode virar sinal de preferência. E, se o algoritmo já está escolhendo os queridinhos, talvez Lindbergh esteja descobrindo que, na fila da tietagem, tem gente furando a fila.

LEMBRAM DO DIA DO CORNO?

Em 2006, Nova Iguaçu viveu uma daquelas histórias que parecem inventadas: um sequestro de ônibus provocado por ciúme parou a Dutra e, como se o episódio já não fosse suficientemente surreal, o então vereador Marcos Rocha resolveu pegar carona na bizarrice e apresentou um projeto criando o Dia do Corno. A tragédia virou palanque, a bizarrice virou notícia e a notícia, naturalmente, virou promoção pessoal.

Quase duas décadas depois, mudou o endereço, mas não necessariamente o método. Janones parece ter transformado essa velha receita em profissão: quanto mais espalhafatosa a invenção, mais câmera, meme e holofote — e, quem sabe, voto. Em Nova Iguaçu, o corno quase ganhou data oficial; em Brasília, o absurdo ganhou algoritmo. E sempre aparece uma plateia disposta a aplaudir: uns por convicção, outros pela gozação. No fim, o político oferece o circo, mas é o público que decide se compra ingresso — ou se continua financiando o palhaço.

A Fé, o Crime e a Urna

Em 1958, o assassinato de Aída Curi chocou o Rio e o país. O episódio ficou marcado não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela maneira como a sociedade e a própria cobertura do caso deslocaram o foco para a conduta e a reputação da vítima — enquanto, fora dos tribunais, houve até quem recebesse um dos acusados com aplausos numa boate de Copacabana. Hoje, o paralelo não está no crime, mas na seletividade com que parte do debate público reage às vítimas.

Alguns artistas, jornalistas e influencers condenam determinados crimes com enorme repercussão, mas adotam silêncio ou cautela diante de outros, como os cometidos pelo Hamas ou a morte de Charlie Kirk, quando o assunto toca suas preferências políticas. E há quem proclame que “domingo sem missa é domingo sem graça”, mas, no palanque eleitoral, defenda o “Sem Anistia” e compartilhe espaços com posições que contradizem aquilo que prega. Não é preciso julgar a fé de ninguém: basta comparar o discurso do altar, a prática política e os crimes que cada um escolhe condenar — ou convenientemente esquecer.

domingo, 13 de setembro de 2026

A EXCOMUNHÃO DOS INÚTEIS

O desespero é de quem produz de verdade, não dos que industrializam conversa fiada para picaretear na web ou na mídia militante. Empresários estão de mãos postas, alguns de joelhos, torcendo para que o próximo governo tenha coragem de mandar de volta ao inferno os emplastros que sufocam quem trabalha, investe e paga a conta — porque 2027 pode ser o ano em que a fornalha econômica deixe de ser ameaça e vire incêndio.

Enquanto isso, uma parte do país segue no churrasco e no futebol, acreditando que alguém sempre pagará a conta. Artistas decadentes, militantes de museu e a turma do “Lula, meu amor” podem continuar de costas para a realidade; quem produz já entendeu o recado: em 2026, a calculadora vai para a urna — e 2027 cobrará o resultado.

sábado, 12 de setembro de 2026

SUPLA: JOVEM MUITO ANTES DE PEDRO ALVARES CABRAL

Simpatia não tem nada a ver com beleza — Sherlock Holmes já resolveria: elementar, meu caro Watson! Supla, filho de pais canhoteiros, há tanto tempo é jovem que disputa com Serginho Groisman o campeonato mundial da juventude geriátrica, categoria sem prazo de validade.

Tem gente que jura pela mãe mortinha que Supla já existia antes da fotografia e que aparece, meio escondido, na gravura de Cabral chegando ao Brasil — dizem até que era ele quem orientava os índios sobre o visual. Abobrinhas históricas à parte, no Rock in Rio o velho menino deu mais um show de simpatia: pode faltar juventude no calendário, mas nele sobra disposição para ser eternamente Supla.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DANIELA MARQUES, A BOLSA JÁ ESCOLHEU FLÁVIO

Daniela Marques, cotada para a Economia de um eventual governo Flávio Bolsonaro, não inventou os números: citou Ibovespa, dólar e juros. Mas sua leitura é um prato cheio: Flávio sobe, dólar cai; Flávio avança, juros derretem; Flávio cresce, a Bolsa dispara — o mercado já parece ter escolhido candidato.

E Daniela, pelo jeito, já ganhou o palanque antes do ministério: se Flávio sobe, a economia comemora; se dispara, o pregão festeja. Falta apenas o Ibovespa distribuir santinhos e o mercado financeiro trocar a análise de risco por uma frase de campanha: “Vote em Flávio, que o gráfico agradece.”

A SENSAÇÃO TAMBÉM VOTA

Na santa terrinha de Nova Iguaçu, os candidatos a deputado estadual ligados a Eduardo Paes, Dr. Luizinho e ao ex-prefeito Rogério Lisboa garimpando votos na Estrada Abílio Augusto Távora, deveriam dar um pulinho até o gabinete do prefeito Dudu Reina: aquela lixeira a céu aberto entre o Conjunto da Marinha, Dom Bosco, pode estar fazendo mais campanha contra a Prefeitura do que muito adversário. Afinal, eleitor pode até esquecer promessa, mas dificilmente esquece a sujeira que encontra no caminho.

Talvez a solução seja importar a nova escola da jornalista da Globo News, Miriam Leitão: não é lixo, é “sensação de sujeira”; não é abandono, é “sensação de abandono”. O problema é que, na eleição, o eleitor não vota na sensação — vota no que vê. E se a coleta não passar cedo, a lixeira pode acabar virando cabo eleitoral: só falta pedir voto para quem souber fazer o dever de casa.

ROCK IN RIO E A LAVOURA DE BOBAGEM

Tem artista que sobe ao palco do Rock in Rio para plantar palavra de ordem e colher aplauso ideológico, como se o mundo fosse um comício a céu aberto. Esquece que o mundo é verde, que quem produz não suporta escassez — e que suas ideias estão tão secas que até Janones e Lindbergh parecem agricultores de bom senso diante dessa lavoura de bobagens.

O pior é transformar guitarra em enxada partidária e microfone em palanque, sabotando o próprio espetáculo com uma militância de jardim de infância. Mas eleição também tem colheita: depois de tanta semente vermelha, desprezo por quem produz e falta de ideias, talvez descubram que Janones e Lindbergh não são os únicos que sabem fazer barulho — e que o eleitor sabe muito bem onde passar a enxada.

GLOBO ATIRA NO FLÁVIO PARA ACERTAR NO LULA

Na Globo, a munição tem dois calibres: a GloboNews, com cerca de 0,05% da população — algo em torno de 100 mil espectadores, pega a espingarda e dá seus chumbinhos em Flávio Bolsonaro. Já o Jornal Nacional, com 23 pontos, algo perto de 20 milhões de telespectadores, entra em cena com um canhão que mira o STF — e, na linha de tiro, acaba apontando também para o Palácio do Planalto.

É uma diferença de pontaria que chega a ser cômica: 100 mil ouvindo a espingarda e 20 milhões assistindo ao canhonaço. Dois pesos, duas medidas? Talvez; mas quando o canhão bate no STF e a reverberação chega ao governo Lula, o barulho incomoda diretamente o Planalto — para o desassossego dos petistas e seus assemelhados.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

VOTO UNGIDO

Os abençoadíssimos Marcelo Crivella, candidato ao Senado, e Rosângela Gomes, candidata a deputada federal, largam com uma vantagem que dinheiro nenhum compra: um comitê eleitoral com púlpito, templo e rebanho cativo. Afinal, que partido precisa convencer eleitor quando pode transformar fé em cabo eleitoral e orientação religiosa em estratégia de urna?

O Republicanos se vende como centro-direita, mas abriga Hugo Motta enquanto Eduardo Bolsonaro o carimba como esquerda — uma proeza ideológica que faria até a bússola pedir aposentadoria. Com 42 deputados e quatro senadores, a fidelidade partidária parece menos uma convicção política e mais um seguro eleitoral: ninguém troca de legenda quando sabe que, na hora H, o bispo sobe ao púlpito, o rebanho se organiza e o voto chega devidamente ungido.

EDSON TIGRÃO, A ANACONDA IMPLACÁVEL

Certa vez, pelos microfones poderosos da Rádio Tropical — era assim, com essa modéstia toda, que eu chamava a emissora onde apresentava o Onda Tropical — eu tinha como parceiro um jovem senhor de oito décadas, mais cinco aninhos de contrapeso: Edson Tigrão. Baixinho, simpático e dono de uma voz que já trabalhava no rádio quando o rádio ainda estava aprendendo a andar, o Tigrão era uma espécie de patrimônio histórico com microfone.

Era domingo, programa no ar, quando uma ouvinte entrou nos estúdios aos berros, acusando o Tigrão de canalha, omisso e pai desnaturado, por tê-la abandonado ainda criança. Disse que o reconhecera pela voz, a mesma que, segundo ela, embalara seu berço lá pela metade do século passado. Afirmou que o sujeito seduzira sua mãe valendo-se de sua famosa “anaconda implacável” e, depois, fugira da responsabilidade. O Tigrão, emocionado, já abraçava a suposta filha, pedia perdão a Deus, a São Jorge e aos cambaus, enquanto o diretor, desconfiado, exigia um documento que comprovasse aquela paternidade cinematográfica.

Foi quando veio o detalhe capaz de derrubar até antena de rádio: o diretor descobriu que a venerável filha abandonada era dois anos mais velha que o próprio Tigrão! A tragédia virou comédia em questão de segundos, e o homem que já estava se preparando para assumir décadas de culpa paterna quase precisou de colo. A suposta filha, que chegara para desmascarar um pai ausente, acabou descobrindo que, naquela história, ela tinha sido abandonada pelo calendário — e o Tigrão, absolvido pela certidão de nascimento, pôde voltar ao microfone com a dignidade intacta e a anaconda devidamente inocentada.

Janones e Lindbergh: Tudo a Ver

Janones acordou inspirado: pegou os fatos do STF, embrulhou numa bandeira petista e saiu distribuindo “vagabundo” para o ministro André Mendonça.

Tudo para agradar à arquibancada vermelha, aquela que aplaude antes de entender e depois procura alguém para culpar pelo resultado.
Só esqueceram de avisar ao deputado que mandato não é salvo-conduto para transformar destempero em profissão.

O homem queria lacração, conseguiu notícia-crime; queria aplausos, ganhou advogado pedindo investigação; queria posar de valente, acabou posando de réu em potencial.
É uma espécie de marketing político às avessas: quanto mais Janones fala, mais a campanha parece trabalhar contra ele — e de graça, porque eleitor não cobra cachê para aplicar corretivo.
Lindbergh Farias, aliás, deveria assistir à aula com atenção: tolice demais também pode virar certificado de não renovação parlamentar.

Porque, se os dois continuarem confundindo mandato com microfone aberto de boteco, a próxima legislatura poderá apresentar uma novidade administrativa: a ausência deles.
Janones talvez descubra que “vagabundo” é uma palavra muito cara quando dirigida a ministro do Supremo; Lindbergh pode descobrir que certas bravatas custam ainda mais caro na urna.
E assim os dois poderão finalmente exercer uma função para a qual não se exige diploma, mandato nem imunidade: comentar política da calçada, depois do expediente.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Velhinhos Vermelhos, Caule Velho

Árvore que entorta enquanto muda ainda aceita tutor: amarra aqui, corrige ali e ele segue procurando a luz. Na política, não é muito diferente: enquanto há formação, há esperança; depois que o tronco endurece, haja tutor para corrigir. E tem gente que já chegou à idade do tronco duro querendo dar aula de retidão, e pior, não se enxerga.

O engraçado é ver nas redes o militante veterano, travestido de professor, falando em democracia enquanto calunia opositores, seguindo a pauta e as ordens dos seus dirigentes. É discurso novo em caule velho: quem sempre patrulhou o pensamento alheio agora virou professor de liberdade. Só faltou combinar a aula com a própria raiz.

Na agricultura, a raiz entrega a história da planta; na política, também. Pode mudar a conversa, a legenda e até a bandeira, mas o DNA não aceita maquiagem. Árvore adulta não se endireita no grito — e militante veterano não vira democrata só porque aprendeu a escrever “tolerância” na internet.