quinta-feira, 18 de julho de 2013

QUEM FALA FINO

Por Merval Pereira (Transcrito do Blog do Noblat) 

Chico Buarque, ao apoiar a candidatura de Dilma Rousseff em 2010, disse uma frase sobre o governo brasileiro que ficou famosa: “Ele não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia”.

O que parecia uma qualidade de nossa política externa mostrou-se, no entanto, um defeito, pelo menos em relação a nossos vizinhos bolivarianos.

De fato, não falamos grosso com a Bolívia, nem com o Paraguai, nem com a Venezuela, mas deveríamos fazê-lo em algumas situações.

Se antes tínhamos um “complexo de vira-lata” nas relações internacionais, segundo diagnóstico do ex-presidente Lula, hoje temos um “complexo de gorila”.

Temos receio de sermos vistos como imperialistas na América do Sul e nos submetemos a vários vexames desnecessários e inaceitáveis.

Agora mesmo ficamos sabendo que aviões da FAB usados por autoridades brasileiras, inclusive o ministro da Defesa, Celso Amorim, foram revistados abusivamente por agentes antidrogas do governo da Bolívia.

O acinte aconteceu não uma única vez, mas três, e somente então o governo brasileiro fez um protesto formal, que só se tornou público dois anos depois, quando o fato foi revelado pela imprensa.

A Bolívia já expropriou uma refinaria da Petrobras, e ficou por isso mesmo. Agora, recusa-se a permitir que o senador oposicionista Roger Pinto Molina, asilado há mais de um ano na embaixada em La Paz, embarque para o asilo político em Brasília.

E nós, no nosso “complexo de gorila”, vamos falando fino com nossos vizinhos.

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