Carlos Gilberto Triel
A verdade nua e crua é que ideologia nenhuma enche prato de comida ou paga boleto. A convicção mais sensata hoje é que o governo corre um risco real de degringolar se a oposição souber jogar onde dói. Não importa quem seja o candidato do outro lado: se ele vier a público com o compromisso de anular multas e acabar com a perseguição fiscal sobre quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, o jogo vira. O eleitor quer saber de solução, não de discurso.
O alvo principal aqui é o trabalhador informal que rala para garantir o seu, mas acaba na mira do Leão por causa de movimentações bancárias de R$ 5 mil. É um absurdo que o Estado queira morder uma fatia tão grande de quem está justamente tentando se virar sem ajuda de ninguém. Quando esse trabalhador sente que o governo virou um sócio que só aparece para levar o lucro, a revolta é imediata. É uma questão de sobrevivência, e não de preferência política.
Nesse cenário, não existe "amor à camisa" ou militância que aguente. Mesmo aquele eleitor que sempre votou no governo atual ou que se identifica com a esquerda vai abrir mão do idealismo no segundo em que a conta não fechar. A oposição só precisa de uma promessa sólida de alívio no lombo desse trabalhador, dizer com todas as letras que nada do que foi, será, e daí para desidratar a base governista é pule de dez. Entre o discurso social e a proteção do próprio dinheiro, o cidadão comum não vai pensar duas vezes: vai escolher quem promete parar de sangrar o seu bolso.
Resumo: a política brasileira é movida pela máxima mais antiga que existe: o bolso é o local onde as pessoas sentem mais dor. Se o governo continuar apertando o cerco contra a classe média informal, ele mesmo estará cavando a própria cova eleitoral. O pragmatismo do eleitor é implacável e, quando a fome de arrecadação do Estado começa a sufocar o trabalhador assalariado, a lealdade política é a primeira coisa que vai para o lixo.
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