Carlos Gilberto Triel
Na última semana, o cenário político ganhou um tempero extra com as declarações do ex-governador Anthony Garotinho em um podcast. Ele colocou em xeque a disposição do presidente Lula para encarar a reeleição neste ano de 2026. O comentário ecoa em um momento de pura exposição, onde cada gesto do mandatário é lido como um sinal de suas intenções futuras. A dúvida lançada por Garotinho não parece ser apenas um palpite isolado, mas o reflexo de um tabuleiro que se mexe.
O curioso é que, no último domingo de Carnaval, vimos um contraste interessante durante o desfile de uma escola de samba de Niterói. Lula foi homenageado com toda a pompa e circunstância de um roteiro hollywoodiano, cercado por um luxo que massageia qualquer ego. No entanto, mesmo diante de tamanha exaltação à sua figura, o presidente demonstrou um comportamento contido. Havia ali um recato inesperado, como se ele estivesse antevendo as tempestades que se formam logo no horizonte.
Motivos para essa cautela não faltam, já que o cerco parece apertar tanto no plano internacional quanto no ambiente doméstico brasileiro. Corre nos bastidores a teoria de uma "ratoeira" estratégica preparada por Donald Trump para minar as forças da esquerda na América Latina. Somado a isso, o governo precisa lidar com o desgaste das crises internas que fervem em Brasília. As CPIs do INSS e do Banco Master surgem como pedras no sapato, drenando a energia e o capital político da gestão atual.
Nas redes sociais, o burburinho tomou uma forma ainda mais drástica e estratégica sobre o futuro do petista na presidência. Muitos internautas sugerem que Lula já teria sentido o cheiro da derrota e estaria buscando uma saída menos dolorosa para sua biografia. A tese é de que ele estaria se colocando, deliberadamente, em um processo que leve à inelegibilidade. Seria uma manobra para evitar um confronto direto nas urnas, onde o risco de um revés parece cada vez mais real.
O grande receio, segundo essa linha de raciocínio, seria sofrer uma derrota desonrosa para o senador Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral. Sair de cena por impedimento jurídico soaria, para seus aliados, mais como uma injustiça do que como uma rejeição popular nas urnas. Entre previsões de Garotinho e teorias digitais, o fato é que o Carnaval passou, mas a quarta-feira de cinzas política promete ser longa. Resta saber se o recato de Lula é medo, estratégia ou apenas o peso do cansaço.
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