terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

“Difamar Não É Militância: É Conta a Pagar”

 Carlos Gilberto Triel

Há algo de curioso — e ao mesmo tempo triste — em observar certos militantes já entrados em idade, cabelos brancos e diplomas emoldurados na parede, desfilando fúria no Facebook como adolescentes tardios. Auto proclamam-se professores, arautos da virtude e da civilização, mas trocam o giz pela ofensa rasteira. Não debatem ideias: alvejam pessoas. Não confrontam argumentos: atacam famílias. E fazem isso com uma convicção quase religiosa de que estão blindados pelo tempo — e pelo poder.

O ex-presidente Jair Bolsonaro vira alvo preferencial, mas não só ele: estendem o chicote verbal à esposa, aos filhos, aos eleitores, a qualquer um que ouse discordar. É a pedagogia da humilhação pública, ministrada em posts inflamados e comentários venenosos. Chamam isso de consciência política; parece mais ausência dela. Confundem militância com licença para difamar. E acreditam, sinceramente, que tudo ficará por isso mesmo.

Talvez ajude a explicar essa ousadia a fé inabalável de que o governo atual é eterno, imexível, imune às marés da história. Na imaginação desses cruzados digitais, Lula permanecerá para sempre no Planalto e o Supremo Tribunal Federal surgirá como anjo da guarda de cada impropério publicado. Se houver denúncia, processo ou constrangimento, acreditam que haverá sempre uma mão poderosa a afagar-lhes a cabeça. É uma confiança quase mística na eternidade do poder. E a história, como sabemos, não costuma respeitar misticismos políticos.

O que causa espécie não é apenas a agressividade, mas a ilusão de prazo de validade estendido. Julgam que poderão passar os anos restantes distribuindo calúnias como quem distribui panfletos. Esquecem que a internet arquiva, que o tempo revela, que o cenário político muda. Hoje a claque aplaude; amanhã pode silenciar. E quando a maré virar, descobrirão que prints não envelhecem e palavras não evaporam.

Há também um traço de vitimismo curioso: levantam a bandeira de um mundo ideal enquanto praticam a intolerância mais banal. Falam em democracia com os dedos crispados no teclado. Defendem a liberdade enquanto desejam o silenciamento do outro. E, ironicamente, muitos desses veteranos da retórica parecem não suportar divergência nem dentro da própria sala de estar. A revolução que pregam começa sempre no quintal alheio.

Talvez fosse prudente — por uma questão de tempo útil de vida e de biografia — colocar as barbas, os bigodes e as convicções de molho. Porque regimes passam, governos mudam, tribunais julgam, e a responsabilidade individual não prescreve com curtidas. A história brasileira é pródiga em reviravoltas. E quando o país for passado a limpo, não haverá legenda ideológica capaz de apagar ofensas, nem padrinho político que substitua a própria consciência.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

GOLPE DE MESTRE

Carlos Gilberto Triel

Garboso saiu de casa no sapatinho, olhando pro lado desconfiado, e apertando no bolso a nota de 100:

- Seguro morreu de velho, vagabundo descobre que tô forrado, me leva essa grana antes de chegar no bar.

Entrou na boteco já tirando onda:

- Aí Madruga, velho de guerra, desce um latão de Heineken na moral.

Seu Madruga foi cirúrgico:

- Heineken só a vista, se vai pendurar é Bavária. 

Garboso indignado, meteu a mão no bolso e pôs a nota de cem no balcão. 

-Tô montado, malandragem, Bavária é o cacete, pôe é minha loira gelada aí.

A notícia correu o bairro inteiro, Charutinho, o baixinho da entrega do gás exagerou pra geral:

- Aí rapaziada, o Garboso trepou em nota de cem, tá no Madruga enchendo a cara, jurou que tem mais duas daquelas em casa.

Bartolo, um petista a quem Garboso devia R$ 15 correu em  direção ao bar:

- Pelas barbas sagradas do Lula, é hoje que pego de volta minha grana!

O mesmo se deu com a Peteca Batalhão, ex- namorada a quem a Garboso prometeu pagar 20 reais que pegou emprestado na pandemia:

- Sangue do profeta Malachata tem poder, esse corno vai me pagar agora.

Seu Antero da Igreja dos Últimos Macedos, esfregou as mãos, olhinhos cobiçosos:

- Tenho que correr na frente, senão o pastor Waldomiro convence àquele otario e eu fico na saudade.

Dedo Nervoso, o chefe da milícia chamou o  Mata Rindo num canto:

- Sorrisinho, meu filho, vai lá na maciota e fala pro Garbosinho enviar trinta paus como taxa de proteção, senão boto ele na mala do carro

Nessa altura, no bar, Garboso já calibrado, deitava falação:

- Creio que devíamos fazer um abaixo assinado para que Trump impeça o desfile do Lula na Sapucaí.

Cabo Torresmo, o melhor amigo, viajou no palpite político:

- Pela experiência de ex-taifeiro, já que em 1965 estive à 500 milhas da costa dos Estados Unidos,  desconfio que o próprio Trump quem sugeriu essa furada do Lula, por razões óbvias.

Zeca Parafuso olhou entorno e viu que todos os credores do Garboso chegaram juntos:

- Sei não, Garba, parece que você vai ter que pagar os boletos vencidos...

Garboso indignado:

- Mas onde que nós estamos? Que mundo é esse que um homem não pode nem andar com uma nota de cem reais que os credores resolvem cobrar todos juntos?

Nesse instante, um Chevette cantando pneus para em frente ao Bar do Madruga e desce 2 loirinhos armados:

-Perdeu, Mané! Perdeu! Passe a grana!

Garboso pegou a nota de R$ 100, rapidinho, e meteu no bolso do Mata Rindo que tinha acabado de chegar:

- Sorrisinho, tire daí minha taxa de proteção e o resto pague todo pessoal aí que tô devendo.

Em menos de uma hora, a nota de cem cumpriu seu destino social: circulou mais que promessa de campanha — e salvou, por milagre, a pele do investidor.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O BAILE DE CARNAVAL DA ILHA FISCAL

Carlos Gilberto Triel

Na última semana, o cenário político ganhou um tempero extra com as declarações do ex-governador Anthony Garotinho em um podcast. Ele colocou em xeque a disposição do presidente Lula para encarar a reeleição neste ano de 2026. O comentário ecoa em um momento de pura exposição, onde cada gesto do mandatário é lido como um sinal de suas intenções futuras. A dúvida lançada por Garotinho não parece ser apenas um palpite isolado, mas o reflexo de um tabuleiro que se mexe.

​O curioso é que, no último domingo de Carnaval, vimos um contraste interessante durante o desfile de uma escola de samba de Niterói. Lula foi homenageado com toda a pompa e circunstância de um roteiro hollywoodiano, cercado por um luxo que massageia qualquer ego. No entanto, mesmo diante de tamanha exaltação à sua figura, o presidente demonstrou um comportamento contido. Havia ali um recato inesperado, como se ele estivesse antevendo as tempestades que se formam logo no horizonte.

​Motivos para essa cautela não faltam, já que o cerco parece apertar tanto no plano internacional quanto no ambiente doméstico brasileiro. Corre nos bastidores a teoria de uma "ratoeira" estratégica preparada por Donald Trump para minar as forças da esquerda na América Latina. Somado a isso, o governo precisa lidar com o desgaste das crises internas que fervem em Brasília. As CPIs do INSS e do Banco Master surgem como pedras no sapato, drenando a energia e o capital político da gestão atual.

​Nas redes sociais, o burburinho tomou uma forma ainda mais drástica e estratégica sobre o futuro do petista na presidência. Muitos internautas sugerem que Lula já teria sentido o cheiro da derrota e estaria buscando uma saída menos dolorosa para sua biografia. A tese é de que ele estaria se colocando, deliberadamente, em um processo que leve à inelegibilidade. Seria uma manobra para evitar um confronto direto nas urnas, onde o risco de um revés parece cada vez mais real.

​O grande receio, segundo essa linha de raciocínio, seria sofrer uma derrota desonrosa para o senador Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral. Sair de cena por impedimento jurídico soaria, para seus aliados, mais como uma injustiça do que como uma rejeição popular nas urnas. Entre previsões de Garotinho e teorias digitais, o fato é que o Carnaval passou, mas a quarta-feira de cinzas política promete ser longa. Resta saber se o recato de Lula é medo, estratégia ou apenas o peso do cansaço.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Os Espíritos de Porco

Nas redes sociais — esse coliseu de dedo nervoso e memória curta — espalhou-se a notícia de que uma conhecida atriz da TV aberta confessou sentir “nojo” de bolsonaristas. A frase, que poderia render debate, virou buzina de torcida. Discordar já não basta; é preciso higienizar o outro com desinfetante moral. A plateia digital, sempre pronta para o espetáculo, entrou em êxtase performático. E a empatia, coitada, ficou na fila do cancelamento aguardando senha que nunca chega.

A réplica veio em linguagem de zoológico: cobras, marimbondos e demais espécimes convocados para substituir argumentos. É curioso como a fauna cresce quando o raciocínio mingua. Não se conversa — se sibila. Não se pondera — se ferroa. A timeline vira picadeiro e cada um exibe sua indignação como quem exibe bíceps. No fim, sobra barulho e falta pensamento, mas aplauso nunca falta quando o script é previsível.

Dá a sensação de que a venerável senhora não ocupa o horário nobre por talento ou audiência, mas por militância patrocinada, dessas que vêm com manual e hashtag. A régua do mérito agora mede alinhamento ideológico em centímetros exatos. O cachê parece incluir a cláusula “opinião obrigatória”. E assim se fabrica relevância com espuma de cappuccino: volumosa, fotogênica e inconsistente. Confunde-se eco com profundidade — e profundidade dá muito trabalho.

Enquanto isso, corre a história de que seis palestrantes de um centro espírita em Nova Iguaçu torceram o nariz para Divaldo Pereira Franco por ter ousado defender Jair Bolsonaro. Em nome da luz, apagam-se lâmpadas; em nome da caridade, distribuem-se rótulos. A divergência vira heresia, e a tolerância, item fora de estoque. O altar ganha microfone, o microfone vira palanque. E o Evangelho, se não couber na pauta, que espere a próxima encarnação.

No fim das contas, o mais espantoso não é a opinião de A ou B, mas a facilidade com que se transforma o outro em caricatura. Pessoas que juram defender o bem comum mostram alergia crônica ao contraditório. O achismo, vestido de toga, proclama sentenças com a segurança de quem nunca duvidou de si. Seguimos todos muito convictos, muito inflamados e pouquíssimo interessados em compreender. Porque, convenhamos, compreender exige humildade — e humildade não rende curtida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O Bolso, Preferência Nacional

Carlos Gilberto Triel

A verdade nua e crua é que ideologia nenhuma enche prato de comida ou paga boleto. A convicção mais sensata hoje é que o governo corre um risco real de degringolar se a oposição souber jogar onde dói. Não importa quem seja o candidato do outro lado: se ele vier a público com o compromisso de anular multas e acabar com a perseguição fiscal sobre quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, o jogo vira. O eleitor quer saber de solução, não de discurso.

O alvo principal aqui é o trabalhador informal que rala para garantir o seu, mas acaba na mira do Leão por causa de movimentações bancárias de R$ 5 mil. É um absurdo que o Estado queira morder uma fatia tão grande de quem está justamente tentando se virar sem ajuda de ninguém. Quando esse trabalhador sente que o governo virou um sócio que só aparece para levar o lucro, a revolta é imediata. É uma questão de sobrevivência, e não de preferência política.

Nesse cenário, não existe "amor à camisa" ou militância que aguente. Mesmo aquele eleitor que sempre votou no governo atual ou que se identifica com a esquerda vai abrir mão do idealismo no segundo em que a conta não fechar. A oposição só precisa de uma promessa sólida de alívio no lombo desse trabalhador, dizer com todas as letras que nada do que foi, será, e daí para desidratar a base governista é pule de dez. Entre o discurso social e a proteção do próprio dinheiro, o cidadão comum não vai pensar duas vezes: vai escolher quem promete parar de sangrar o seu bolso.

Resumo: a política brasileira é movida pela máxima mais antiga que existe: o bolso é o local onde as pessoas sentem mais dor. Se o governo continuar apertando o cerco contra a classe média informal, ele mesmo estará cavando a própria cova eleitoral. O pragmatismo do eleitor é implacável e, quando a fome de arrecadação do Estado começa a sufocar o trabalhador assalariado, a lealdade política é a primeira coisa que vai para o lixo.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

​O Preço da Ofensa: Por que seu "post" de hoje pode ser sua falência amanhã

Carlos Gilberto Triel

Essa recente condenação de uma jornalista por ofensas cruéis à filha de Bolsonaro é o legítimo efeito "pedra no lago": uma onda que vai alcançar cada internauta que hoje se acha intocável ao esculhambar opositores. Quem se presta a esse papel de atacar a honra alheia para defender político — seja por paixão ou por algum subsídio oculto — está, na verdade, fazendo um investimento às sombras que pode custar muito caro amanhã.

​O sujeito, seja ele homem ou mulher, que nunca pisou em uma delegacia, deveria pensar duas vezes antes de digitar ataques torpes nas redes sociais, especialmente contra o ex-presidente. A internet não é terra sem lei e o que você escreve hoje fica registrado como uma prova irrefutável, funcionando como um verdadeiro tiro no próprio pé quando a conta jurídica finalmente chegar para cobrar o preço da insolência.

​Não se enganem: quando essa poeira baixar, o que veremos será uma produção em série de processos por calúnia e difamação, com pedidos de ressarcimento que vão desestabilizar qualquer "influencer" de ocasião. Aqueles que hoje se sentem protegidos por bolhas ideológicas serão chamados a provar cada vírgula dita sob suspeita de estarem sendo usados para transformar o adversário em um inimigo público nacional sem bases reais.

​Em breve, assistiremos a pessoas comuns, cidadãos que sempre se orgulharam de serem "direitos", sendo convocados para depor e sentindo na pele o peso de penalidades severas. Esse é apenas o primeiro ensaio dos dias amargos que virão para quem confundiu liberdade de expressão com o direito de ofender e destruir reputações alheias sem apresentar nenhuma prova concreta.

​Portanto, o aviso está dado: o prazer momentâneo de lacrar ou ofender um opositor político nas redes não vale a ruína financeira e moral de um processo judicial longo e desgastante. Proteja seu CPF e sua tranquilidade, pois os políticos que você defende dificilmente estarão ao seu lado na hora de pagar as indenizações ou assinar o depoimento na frente do delegado.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Olhar de Lince da Ju e a Resiliência de Rainha da Gretchen

 Carlos Gilberto Triel

Não é por acaso que a influenciadora Juliana Moreira Leite rompeu a barreira dos 2 milhões de seguidores. A moça é dotada de um talento singular para enxergar muito além das aparências, possuindo uma espécie de "raio-X" da alma alheia. Com uma perspicácia rara, ela navega com extrema facilidade tanto pela fauna política quanto pelos diversos atores do cotidiano. É essa habilidade de ler o que está nas entrelinhas que a torna uma voz tão necessária e diferenciada hoje.

​Nesta semana, a pauta da vez foi a icônica cantora Gretchen, que virou alvo de comentários maldosos na internet. Enquanto os eternos detratores de plantão se ocupavam em destilar sarcasmo sobre a estética da artista, Juliana seguiu o fluxo oposto. Com a coragem de quem não se deixa levar pela manada, a jornalista decidiu focar naquilo que os críticos ignoram propositalmente. Ela trouxe luz ao que realmente importa em uma trajetória pública de tanto impacto.

​Juliana reagiu de forma brilhante, enaltecendo a bravura da veterana artista em se reinventar após décadas de estrada. Afinal, manter-se relevante por tantos anos é uma tarefa para poucos, exigindo uma resiliência quase inabalável. A análise da influenciadora destacou que a Gretchen não é apenas um rosto, mas um símbolo de resistência artística. É preciso ter muita fibra para encarar o palco e a opinião pública com tanta altivez e energia.

​O ponto alto da reflexão foi o destaque para a "beleza da saúde", um conceito que parece ser grego para os críticos. Ver uma mulher madura esbanjando vitalidade e bem-estar é algo potente e, por que não dizer, transformador para os seguidores. Juliana pontuou que essa saúde vibrante é algo inimaginável para quem vive apenas na superfície das redes sociais. É um tipo de brilho que vem de dentro e que nenhuma intervenção estética superficial consegue substituir.

​No fim das contas, essa vitalidade toda chega a dar inveja aos "especialistas do nada com coisa nenhuma" que habitam a web. Juliana Moreira Leite provou, mais uma vez, que a empatia e a inteligência são os melhores filtros para se ler o mundo moderno. Enquanto alguns buscam o defeito, ela encontra a força, consolidando-se como uma observadora astuta da nossa sociedade. Viva a visão da Juliana e a eterna juventude de espírito da Gretchen!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Nicolas e o Recalque dos Sem Juízo

Carlos Gilberto Triel

A lucidez é uma faísca rara que incomoda quem vive nas sombras das velhas raposas políticas. Enquanto um jovem brilhante como o Nicolas desperta multidões com clareza e coragem, uma fração da sociedade prefere se agarrar a ideologias vencidas. É o primeiro sinal de que a imaturidade não é exclusividade dos novos, mas um refúgio para quem se recusa a evoluir com o tempo. 

​Observe os velhos 👴 que ruminam um mundo que não existe mais, estagnados entre o quarto e a cozinha. Eles perambulam pela casa, consumindo o que veem pela frente, enquanto destilam um recalque amargo nas redes sociais. É um espetáculo triste de "mímimi" e vitimismo, onde a maldade surge apenas porque não suportam ver o sucesso de quem ousa desafiar o status quo. 

​Tratam a política com a régua emocional de um time de futebol, cegos para a lógica e para os fatos. Essa "fauna artística" e os aposentados da lucidez insistem em repetir fórmulas que já fracassaram em suas próprias vidas. Para eles, criticar a renovação é uma tentativa desesperada de validar décadas de escolhas erradas e de um tempo que se esvaiu sem propósito. 

​Lá fora, a realidade é bruta e não aceita teorias: a comida não brota por mágica nas prateleiras dos mercados. É a massa de agricultores, sob sol e chuva, quem garante que o prato desses críticos permaneça cheio todos os dias. Ignorar o suor de quem produz para sustentar ideologias de gabinete é a prova final de uma desconexão completa com a engrenagem da vida. 

​A gratidão é a frequência quântica que separa o homem realizado do eterno fracassado que vive em ondas de amargura. Olhe para esses senhores que apenas reclamam e pergunte-se: é nesse estado de espírito que você deseja terminar seus dias? Sem o "adubo" da gratidão e o reconhecimento do esforço alheio, a vida não passa de uma sequência medíocre de dias sem cor.

domingo, 25 de janeiro de 2026

O Teatro da Virtude: Entre o Passe Espírita, a Militância e o Ego

Carlos Gilberto Triel

Sabe aquele cansaço que bate quando você abre as redes sociais e dá de cara com mais uma frase de efeito sobre "evolução espiritual" ou "justiça social"? Pois é. Virou moda: quanto mais limitada é a moral da pessoa, mais ela capricha no verniz da bondade. É o que eu chamo de "pseudo-espiritismo de conveniência" misturado com uma militância que prega o amor, mas transpira ódio.

​O roteiro é sempre o mesmo. Pregam o perdão, a caridade e a fraternidade como se fossem anjos encarnados. Mas a contradição grita quando vemos militantes que se dizem cristãos ou espíritas, mas agem exatamente ao contrário do que pregam os mestres. Usam o nome de Jesus ou a doutrina de Kardec para validar ideologias, mas, na hora do embate, a "luz" dá lugar a um desejo de destruir o adversário que beira o patológico.

​Basta alguém discordar de uma vírgula ou cruzar o caminho dos seus interesses para a máscara de luz derreter. A perversidade aflora e o desejo de ver o "inimigo" sofrer vira prioridade. É a tal limitação intelectual: a pessoa não consegue enxergar a própria sombra, então projeta no outro todo o mal do mundo para se sentir autorizada a ser cruel em nome de uma suposta "causa nobre".

​No fundo, é um egoísmo gigante disfarçado de missão coletiva. Usam a fé e a política para garantir aplausos e, muitas vezes, interesses financeiros, enquanto disfarçam sua mediocridade moral. A verdade é que pregar humanidade é fácil; difícil é ser humano quando não há câmeras por perto. Podem nascer e renascer setenta vezes sete; enquanto a espiritualidade for usada como escudo para o ódio e o bolso, continuarão sendo apenas atores de um teatro muito mal encenado.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Viagem no Tempo, O Observador em Algum Lugar do Passado

Carlos Gilberto Triel

Sabe aquele filme "Em Algum Lugar do Passado"? Ele é muito mais que um romance meloso; é uma aula sobre o poder da nossa mente. O protagonista, Richard Collier (Christopher Reeve), não usa nenhuma máquina mirabolante para viajar no tempo. Ele usa apenas a auto-hipnose e a força da vontade. Isso bate de frente com o que a física quântica discute hoje: a ideia de que o "observador" (nós) pode realmente influenciar a realidade e que o tempo talvez não seja essa linha reta que a gente imagina.

​O grande segredo ali é que o pensamento e o sentimento estão totalmente interligados. Richard só consegue "dar o salto" para 1912 porque ele não está apenas pensando na data; ele está sentindo um amor profundo por alguém que ele mal conhece. É esse sentimento que serve de combustível. Sem a emoção, o pensamento seria só uma ideia vazia. É a prova de que, quando a gente coloca o coração na frente, a nossa percepção do mundo ao redor começa a mudar de verdade.

​A gente sente isso na pele com a nostalgia. Sabe aquele aperto no peito ou aquela saudade de algo que parece que nem vivemos? Isso é a prova de que o tempo é fluido dentro da gente. A nostalgia é como uma âncora que ignora o calendário e traz o passado para o "agora" com uma força física. No filme, essa conexão é tão real que o corpo dele entende que o lugar dele é lá atrás, mostrando que o sentimento é o que realmente nos conecta através das eras.

​Mas o filme também faz um alerta: a nossa realidade é muito frágil. Quando Richard encontra aquela moeda moderna no bolso, a dúvida brota e o "feitiço" quebra na hora. Isso mostra que o nosso mundo é construído pelas nossas convicções. No momento em que ele para de acreditar piamente que está em 1912, a mente dele o puxa de volta. É o choque entre o que o coração quer e o que a lógica do dia a dia impõe.

​No fim das contas, a história de Richard e Elise (Jane Seymour)nos faz pensar que talvez a gente não precise de tecnologia para mudar nossa vida, mas de uma mudança interna de frequência. Se a nostalgia nos invade, é porque o pensamento e o sentimento já criaram um caminho. A gente só precisa aprender a focar a mente para não deixar as "moedas do presente" tirarem a gente do lugar onde nossa alma realmente quer estar.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

COCA-COLA, MEU GAFANHOTO FAVORITO

 Carlos Gilberto Triel

Vivemos tempos curiosos — e perigosos. Nunca se produziu tanta informação e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil distinguir fato de narrativa. O terror contemporâneo não vem apenas da violência explícita ou das crises econômicas, mas da fabricação diária do medo, impulsionada por influenciadores que se alimentam da polêmica e não do compromisso com a verdade.

Nesse cenário, produtos, ideias ou pessoas são eleitos vilões universais. A Coca-Cola, por exemplo, torna-se o “gafanhoto do mundo”: tudo o que há de errado na saúde coletiva passa a ser atribuído a ela, ignorando contexto histórico, evidências científicas e, sobretudo, o papel do excesso e do estilo de vida. A complexidade dos fatos é substituída por frases de impacto, prontas para viralizar.

O mesmo ocorre quando se resgata o passado de forma seletiva. Sim, a Coca-Cola nasceu como um tônico farmacêutico no século XIX — como tantos outros produtos da época. Isso não a transforma automaticamente em remédio nem em veneno moderno. Mas, na lógica do terror digital, a nuance não tem valor; o que importa é o choque, a indignação e o engajamento gerado pelo medo.

Influenciadores sem preparo técnico ou ético frequentemente confundem associação com causalidade, estudo preliminar com verdade absoluta e opinião com ciência. O resultado é um público alarmado, desconfiado de tudo e incapaz de fazer escolhas racionais. O medo passa a ser um produto altamente lucrativo — e a verdade, um detalhe incômodo.

O problema real raramente está em um refrigerante, um alimento ou um hábito isolado, mas na repetição, no abuso e na falta de equilíbrio. Ainda assim, apontar isso não rende curtidas nem seguidores. É mais fácil vender pânico do que responsabilidade, mais rentável gritar “veneno” do que ensinar moderação.

Talvez o verdadeiro terror dos nossos tempos não seja o que consumimos, mas o que aceitamos como verdade sem questionar. Enquanto a narrativa do medo continuar valendo mais do que os fatos, sempre haverá um novo “gafanhoto do mundo” para distrair a atenção — e poucos dispostos a enfrentar a realidade com honestidade intelectual.

domingo, 11 de janeiro de 2026

A todos os meus amigos

Rubens Kunca

Tal como a partitura em branco é para um compositor, um ano novo é, para cada um de nós, o convite para um novo mundo. Vamos compor momentos felizes, orquestrar nossas relações, colocar mais pausas para o descanso e reflexão, acelerar ou diminuir o andamento, experimentar outros ritmos, colocar uma fermata no amor, mudar de tom se o tom não estiver adequado, repetir as partes mais interessantes e harmonizar nossos sentimentos. 

Cada um pode fazer de 2026 a melhor música. FELIZ 2026!


Rubens Kunca é escritor, e atualmente reside na Espanha.