domingo, 29 de março de 2026

Garotinho "Bukele" versus Paes "Velhinho": O Duelo das Raposas

 Carlos Gilberto Triel

O tabuleiro político fluminense em 2026 tá mais enrolado que fone de ouvido no bolso, com Eduardo Paes posando de favorito com o selo do Planalto no peito. O nosso "Dudu das Antigas" acha que estar colado com o Lula é passaporte para o céu, mas esquece que no Rio o favoritismo costuma caducar antes do leite. Enquanto isso, o inoxidável Anthony Garotinho, que tem mais fôlego que maratonista queniano, aposta tudo no contra-ataque certeiro. Ele sabe que, por aqui, um contraste bem desenhado vale mais que mil pesquisas de intenção de voto compradas.

​Garotinho, o mestre da "lábia de feira", tá tentando um drible de mestre ao piscar o olho para a turma do Bolsonaro, tentando herdar aquele espólio de votos órfãos. Ele anda por aí se vendendo como uma espécie de Nayib Bukele das terras fluminenses: o cabra destemido, conhecedor profundo dos subterrâneos do crime, jurando de pé junto que tem a fórmula mágica para acabar com o crime organizado num estalar de dedos. Não é amor de Carnaval, é puro cálculo de sobrevivência política: quem tem urticária de Lula vai acabar abraçando o Garotinho só de pirraça, na esperança de um "mão de ferro" à la El Salvador.

​Já o Paes carrega um combo ingrato: ganha as chaves do cofre federal, mas leva junto todas as pedradas que a oposição atira na vidraça da Praça dos Três Poderes. Se o governo lá em cima der um espirro, o prefeito daqui é quem corre para tomar a Benegrip política sob o sol escaldante da orla. Com essa polarização mais azeda que limão galego, o eleitor não quer saber de papo furado e transforma a eleição estadual num terceiro turno da briga de Brasília. O Dudu vira o alvo da vez, carregando o bônus e o ônus de ser o "queridinho" da capital.

​É justamente nesse "salve-se quem puder" que aquela virada de última hora, típica de quem conhece os becos do estado, pode dar as caras e bagunçar o coreto dos analistas. Se o Garotinho conseguir se vender como o único herói capaz de barrar a "invasão lulista", ele vai crescer feito massa de pão com fermento vencido. A história do nosso Rio mostra que o eleitorado adora um movimento brusco aos 45 do segundo tempo, especialmente se tiver aquele apelo emocional de novela das oito e cheiro de povo. É o famoso "quem não chora, não mama".

​No fim da feira, mesmo que a foto de hoje mostre o Paes sorrindo na frente, o filme da eleição fluminense ainda tem muito suspense e pouca pipoca garantida. Se a briga nacionalizar de vez e o Garotinho souber usar a malandragem que Deus lhe deu, o jogo vai ficar mais apertado que terno de padrinho de casamento. No Rio de Janeiro, meu camarada, a eleição é como final de campeonato no Maracanã: só acaba quando o juiz apita e a torcida invade o campo. Até lá, é melhor garantir o estoque de calmante e observar a dança das cadeiras.


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