quarta-feira, 11 de março de 2026

“O DIA QUE SUBI À RÁDIO NACIONAL"

Carlos Gilberto Triel

Na distante adolescência dos anos 60 e 70, ser artista parecia o atalho mais curto para chegar às mocinhas papo firme que o Roberto Carlos cantava nas vitrolas da época. O romantismo vinha embalado em compacto simples, e a gente acreditava que um microfone na mão resolvia metade da vida. Confesso que levei essa ideia muito a sério. Talvez sério demais para um garoto de onze anos. Mas quem disse que sonhos juvenis conhecem moderação?

Foi assim com esse 11 anos de vida que um dia me vi subindo, degrau por degrau, até o vigésimo segundo andar do lendário Edifício A Noite, na Praça Mauá, só para conhecer a Rádio Nacional. Para mim, aquilo era quase uma peregrinação artística. O destino tinha nome e sobrenome: o rádio-ator Milton Rangel, o inesquecível Jerônimo, o Herói do Sertão. Aquele encontro, ainda que breve, tinha o peso de um batismo. Eu saí dali convencido de que estava no caminho certo.

Dos onze aos dezoito anos, a vida tratou de ajeitar as coisas, inclusive a tal “voz importada”, que finalmente resolveu aparecer. A locução radiofônica me deu traquejo, ritmo e um certo charme comunicativo. Serviu para muitos caminhos profissionais depois. Mas sejamos honestos: naquele tempo o objetivo estratégico era outro. Todo aquele esforço tinha endereço certo — e usava saia rodada ou mini-saia.

Quando a voz já estava devidamente modulada, inspirada nos timbres elegantes de locutores como Roberto Faisal e Odair Marzano, faltava apenas um detalhe importante: a aparência de galã de cinema. Eu mirava alto, muito alto. Pensava nos heróis de tela larga como Charlton Heston, Burt Lancaster e Robert Redford; e, por aqui, nos galãs nacionais Reginaldo Faria, Carlo Mossy e John Herbert. Ali percebi que o meu andar no prédio da fama talvez ficasse alguns andares abaixo.

Ainda assim, olhando hoje pelo retrovisor generoso da memória, não há do que reclamar. Entre tropeços, ilusões e algumas boas gargalhadas, a vida foi incrivelmente tolerante comigo. Deus, em sua paciência magnânima, resolveu me manter por aqui atravessando séculos.

E cá estou: um sobrevivente daqueles tempos românticos, talvez não exatamente um galã, mas vivo, bem-humorado e profundamente grato pela aventura. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

O CANDIDATO CARA DE PAU

Carlos Gilberto Triel

Horácio Pantera, candidato a deputado federal chegou no Bairro do Mosquito Manco e deitou falação:

- Caso seja eleito com os votos de vocês prometo construir um parque aquático as margens do Rio Guandu e transformar toda essa decadente região num verdadeiro Balneário. 

Glorinha Pureza, ex bailarina de programas de auditório dos anos 70 mandou um papo reto:

- Deixa de caô, Mané. Faz um Pix aí de quinhetinhos que lhe garanto 100 votos.

Horácio Pantera quis saber detalhes:

- Ô formosa dama, e de quem seria esses meus futuros eleitores?

Glorinha, respondeu na lata:

- Qualé, malandro, pega visão! Dos meus namorados aposentados! Todos têm filhos e netos pra dá com pau. Essa velharada come aqui na minha mão e, nas outras partes do meu pão com salame.

Professor Pardal, o 71 da comunidade não perdeu a oportunidade:

- Se o doutor candidato chegar junto com milzinho para nossa Associação, garanto no minimo 200 votos.

Horácio Pantera sentiu que veio ao lugar certo, pelas suas contas a possibilidade de ser eleito era mamão com açúcar:

- Dinheiro não é problema, exijo fidelidade e transparência. Mas, afinal, essa Associação é a de Moradores? 

Professor Pardal pigarreou e mandou essa:

- Somos muito mais numerosos, sou da Associação dos Petistas Desiludidos e estamos a procura de alguém que nos faça esquecer do Lindão, o deputado que nos decepcionou.

Irmão Samuca Dorme Sujo, presbítero juramentado, sentiu que dava pra embarcar na canoa e falou baixinho ao ouvido do candidato:

- Se a excelência botar um PixZinho também aí de uns mil reais faço meus irmãos da Igreja do Jeová das Últimas Semanas votar em peso na sua pessoa

Horácio Pantera não cabia em si, já se via de terno e gravata, no plenário da Câmara à pedir um aparte ao Hugo Motta:

- Caros senhores e distinta senhora, negócio fechado, contudo, no momento atual, não disponho de fluxo de caixa, aliais, vou precisar até que vocês, meus futuros cabos eleitorais me emprestem um qualquer para o Uber, mas prometo, que um dia após a contagem dos votos  comparecer aqui e efetivar o pagamento.

Acabou de falar e a porrada comeu solta,

foi levado ao UPA devidamente  arrebentado.

Ainda na Emergência delirava para o médico e enfermeiros que seria ele o autor do próximo pedido de impeachment do presidente.


sexta-feira, 6 de março de 2026

O ANÃO GIGANTE

Carlos Gilberto Triel

O pastor Gordo Fino da Silva entrou gritando no gabinete do Missionário Abdias Malachata :

- Missionário! Tem um corno querendo me estuprar.

Missionário Abdias Malachata levou o maior  susto, e quase caiu da cadeira:

- Meu Santo Bispo Diocesano! Gordo, vai assustar sua mãe, e que negócio é esse de você invadir meu gabinete?

Pastor Gordo Fino, cuspindo e falando ao mesmo tempo:

- Foi mal, reverendíssimo, me desculpe, mas minha honra corre perigo, tem um meliante querendo me estuprar, quebra essa!

Missionário, precavido, pôs até mão pra trás, protegendo a retarguarda:

-Valha Misefio! Onde tá esse cara?

Pastor Gordo Fino, um exagerado:

- Deve tá aí na sala de espera, deve ter uns 3 metros de altura e tá armado com um fuzil AR15, 10 metralhadoras, umas 100 granadas e 1 canivete.

Missionário Abdias Malachata tentando manter a calma, falou pro obreiro:

- Paquetá, vê se o cara tá aí fora...

O obreiro Joca Paquetá, tirou logo o seu da reta:

 - É ruim, manda o porteiro Labunzamel, ele tá malhando. Academia é pra essas coisas.

Porteiro Labunzamel passou a bola rapidinho: 

- Sou muito novo pra morrer, manda Seu Astrogildo que tá com prazo de validade vencido e até falando com Jeová 

Missionário Malachata espiando pela fresta da porta do seu gabinete:

- Estou vendo os chatos de sempre, diferente só um anãozinho com um pacotinho de jujuba na mão, e coçando o saco.

Gordo, gritando num só desespero: 

- É ele! É ele! O desgraçado encolheu só pra disfarçar. Missionário, manda vir os seguranças do templo de Sansão. Não! Manda vir o batalhão inteiro, esse cara é sinistro.

Malachata perdendo a paciência:

- Deixa de frescura, Gordo. O sujeito é apenas um anãozinho, onde se viu ter medo dum homem daquele tamanho.

Gordo Fino, olhos esbugalhados:

- Porque você não viu os documentos da fera.

Malachata sem entender nada:

- Mas do quê você está falando, Gordo?

Gordo Fino contando os detalhes:

- Quando passei por ele, o marginal abriu a braguilha e me ameaçou: “olha o que você vai encarar seu Gordo do Inferno”.

Joca Paquetá, ponderou:

- E o que tem isso demais?

Gordo Fino, casa vez mais exacerado:

- O QUÊ TEM ISSO DEMAIS?!! Você não viu o tamanho da Anaconda do sujeito, tinha uns 3 metros de cumprimento por meio metro de diâmetro.

- O porteiro Labunzamel, se encolheu frustrado

- Caramba! E eu com tão pouco

Missionário Malachata, pragmático: 

- Elementar, meu caro Gordo, o que ele pode fazer com você, se você não quiser?

Gordo Fino explicando:

- Foi o que pensei no primeiro momento, depois os olhos do tarado foi ficando vermelho, e um sorrisinho safado cheio de bobices e saliências...

Missionário Abdias Malachata, objetivo:- 

E daí?

Pastor Gordo Fino, freneticamente tenso:

- Daí que o monstro partiu em minha direção e, se não fosse esse meu corpinho de velocista não conseguiria chegar aqui, um horror!

Seu Astrogildo, tranquilo que nem um monge budista:

- Besteira, Gordo, vai lá fora e faz um carinho no anão.

Gordo Fino, muito assustado:

- Daqui não saio enquanto o Exército e o FBI não matarem esse facínora degenerado.

O missionária Malachata se irritou:

- Gordo, não tenho tempo para boiolagem, se vira, saia logo daqui porque estou aguardando o Bispo Diocesano.

Gordo Fino, decidido:

- Daqui não saio. Se me expulsar retiro saio da Igreja e me transfiro pra congregação dos pastores excursionistas

Missionário Malachata, um passado de atabaques:

- Tem horas que minha vontade é largar tudo isso e voltar pro terreiro.

Gordo Fino se jogando noa pés do Misionario:

- Malachata, tenho um nome pra zelar. Sou o Gordo Fino, um estupro nessa altura da vida, meu prestígio vai pro beleléu.

Joca Paquetá que havia saído voltou com o anãozinho no colo:

- Gordo, foi tudo truque de ilusionismo, o nome dele é Mandrake Junior, é um mágico do Circo de Soleil. O cara é seu fã, e quis fazer uma brincadeirinha com você...

Gordo Fino desabafou:

- Vai brincar com a PQP!!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Entre Microfones e Enxadas: Quando a Representação Vira Silêncio

Carlos Gilberto Triel

Há dias em que olho para trás e me vejo jovem, microfone na mão, voz impostada e carteirinha no bolso, achando que era o próprio dono da verdade. Era um orgulho meio besta, confesso, mas sincero. A imprensa, para mim, era templo e trincheira. Aprendi cedo que notícia corre, mas gente espera. E quem espera, quase sempre, espera sozinho.

Foram anos na porta de delegacias e hospitais, narrando as mesmas dores com nomes diferentes. Mudavam os endereços, trocavam-se os personagens, mas o enredo era idêntico. A chamada “comédia humana” nunca saiu de cartaz. O curioso é que a imprensa sempre esteve ali, registrando tudo. Já os sindicatos, muitas vezes, estavam ocupados demais para ouvir.

Na pandemia, a comunicação virou oráculo oficial. Enquanto famílias tremiam trancadas em casa, só se ouvia uma verdade permitida. Influenciadores lacravam, especialistas divergiam em sussurros, e a esperança vinha carimbada com selo institucional. Quem questionava era herege. E no meio da angústia coletiva, faltou o principal: alguém que traduzisse o medo do cidadão comum.

Hoje, guardadas as proporções, a reforma tributária avança como tempestade anunciada. Contadores se multiplicam nas redes, oferecendo a “vacina fiscal” contra o vírus da multa. O produtor, o comerciante, o pequeno empresário — todos com o coração na boca. Informação há de sobra; orientação segura, nem tanto. E mais uma vez, quem deveria estar ao lado da base parece falar para si mesmo.

E os sindicatos rurais? Ah, esses precisam decidir se serão retrato na parede ou voz ativa no campo. O associado não quer coquetel, quer amparo. Não quer discurso protocolar, quer posicionamento firme. Ou se mostram indispensáveis agora, ou correm o risco de virar nota de rodapé na próxima legislatura. Porque, no fim das contas, representação que não representa vira apenas lembrança.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

“Difamar Não É Militância: É Conta a Pagar”

 Carlos Gilberto Triel

Há algo de curioso — e ao mesmo tempo triste — em observar certos militantes já entrados em idade, cabelos brancos e diplomas emoldurados na parede, desfilando fúria no Facebook como adolescentes tardios. Auto proclamam-se professores, arautos da virtude e da civilização, mas trocam o giz pela ofensa rasteira. Não debatem ideias: alvejam pessoas. Não confrontam argumentos: atacam famílias. E fazem isso com uma convicção quase religiosa de que estão blindados pelo tempo — e pelo poder.

O ex-presidente Jair Bolsonaro vira alvo preferencial, mas não só ele: estendem o chicote verbal à esposa, aos filhos, aos eleitores, a qualquer um que ouse discordar. É a pedagogia da humilhação pública, ministrada em posts inflamados e comentários venenosos. Chamam isso de consciência política; parece mais ausência dela. Confundem militância com licença para difamar. E acreditam, sinceramente, que tudo ficará por isso mesmo.

Talvez ajude a explicar essa ousadia a fé inabalável de que o governo atual é eterno, imexível, imune às marés da história. Na imaginação desses cruzados digitais, Lula permanecerá para sempre no Planalto e o Supremo Tribunal Federal surgirá como anjo da guarda de cada impropério publicado. Se houver denúncia, processo ou constrangimento, acreditam que haverá sempre uma mão poderosa a afagar-lhes a cabeça. É uma confiança quase mística na eternidade do poder. E a história, como sabemos, não costuma respeitar misticismos políticos.

O que causa espécie não é apenas a agressividade, mas a ilusão de prazo de validade estendido. Julgam que poderão passar os anos restantes distribuindo calúnias como quem distribui panfletos. Esquecem que a internet arquiva, que o tempo revela, que o cenário político muda. Hoje a claque aplaude; amanhã pode silenciar. E quando a maré virar, descobrirão que prints não envelhecem e palavras não evaporam.

Há também um traço de vitimismo curioso: levantam a bandeira de um mundo ideal enquanto praticam a intolerância mais banal. Falam em democracia com os dedos crispados no teclado. Defendem a liberdade enquanto desejam o silenciamento do outro. E, ironicamente, muitos desses veteranos da retórica parecem não suportar divergência nem dentro da própria sala de estar. A revolução que pregam começa sempre no quintal alheio.

Talvez fosse prudente — por uma questão de tempo útil de vida e de biografia — colocar as barbas, os bigodes e as convicções de molho. Porque regimes passam, governos mudam, tribunais julgam, e a responsabilidade individual não prescreve com curtidas. A história brasileira é pródiga em reviravoltas. E quando o país for passado a limpo, não haverá legenda ideológica capaz de apagar ofensas, nem padrinho político que substitua a própria consciência.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

GOLPE DE MESTRE

Carlos Gilberto Triel

Garboso saiu de casa no sapatinho, olhando pro lado desconfiado, e apertando no bolso a nota de 100:

- Seguro morreu de velho, vagabundo descobre que tô forrado, me leva essa grana antes de chegar no bar.

Entrou na boteco já tirando onda:

- Aí Madruga, velho de guerra, desce um latão de Heineken na moral.

Seu Madruga foi cirúrgico:

- Heineken só a vista, se vai pendurar é Bavária. 

Garboso indignado, meteu a mão no bolso e pôs a nota de cem no balcão. 

-Tô montado, malandragem, Bavária é o cacete, pôe é minha loira gelada aí.

A notícia correu o bairro inteiro, Charutinho, o baixinho da entrega do gás exagerou pra geral:

- Aí rapaziada, o Garboso trepou em nota de cem, tá no Madruga enchendo a cara, jurou que tem mais duas daquelas em casa.

Bartolo, um petista a quem Garboso devia R$ 15 correu em  direção ao bar:

- Pelas barbas sagradas do Lula, é hoje que pego de volta minha grana!

O mesmo se deu com a Peteca Batalhão, ex- namorada a quem a Garboso prometeu pagar 20 reais que pegou emprestado na pandemia:

- Sangue do profeta Malachata tem poder, esse corno vai me pagar agora.

Seu Antero da Igreja dos Últimos Macedos, esfregou as mãos, olhinhos cobiçosos:

- Tenho que correr na frente, senão o pastor Waldomiro convence àquele otario e eu fico na saudade.

Dedo Nervoso, o chefe da milícia chamou o  Mata Rindo num canto:

- Sorrisinho, meu filho, vai lá na maciota e fala pro Garbosinho enviar trinta paus como taxa de proteção, senão boto ele na mala do carro

Nessa altura, no bar, Garboso já calibrado, deitava falação:

- Creio que devíamos fazer um abaixo assinado para que Trump impeça o desfile do Lula na Sapucaí.

Cabo Torresmo, o melhor amigo, viajou no palpite político:

- Pela experiência de ex-taifeiro, já que em 1965 estive à 500 milhas da costa dos Estados Unidos,  desconfio que o próprio Trump quem sugeriu essa furada do Lula, por razões óbvias.

Zeca Parafuso olhou entorno e viu que todos os credores do Garboso chegaram juntos:

- Sei não, Garba, parece que você vai ter que pagar os boletos vencidos...

Garboso indignado:

- Mas onde que nós estamos? Que mundo é esse que um homem não pode nem andar com uma nota de cem reais que os credores resolvem cobrar todos juntos?

Nesse instante, um Chevette cantando pneus para em frente ao Bar do Madruga e desce 2 loirinhos armados:

-Perdeu, Mané! Perdeu! Passe a grana!

Garboso pegou a nota de R$ 100, rapidinho, e meteu no bolso do Mata Rindo que tinha acabado de chegar:

- Sorrisinho, tire daí minha taxa de proteção e o resto pague todo pessoal aí que tô devendo.

Em menos de uma hora, a nota de cem cumpriu seu destino social: circulou mais que promessa de campanha — e salvou, por milagre, a pele do investidor.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O BAILE DE CARNAVAL DA ILHA FISCAL

Carlos Gilberto Triel

Na última semana, o cenário político ganhou um tempero extra com as declarações do ex-governador Anthony Garotinho em um podcast. Ele colocou em xeque a disposição do presidente Lula para encarar a reeleição neste ano de 2026. O comentário ecoa em um momento de pura exposição, onde cada gesto do mandatário é lido como um sinal de suas intenções futuras. A dúvida lançada por Garotinho não parece ser apenas um palpite isolado, mas o reflexo de um tabuleiro que se mexe.

​O curioso é que, no último domingo de Carnaval, vimos um contraste interessante durante o desfile de uma escola de samba de Niterói. Lula foi homenageado com toda a pompa e circunstância de um roteiro hollywoodiano, cercado por um luxo que massageia qualquer ego. No entanto, mesmo diante de tamanha exaltação à sua figura, o presidente demonstrou um comportamento contido. Havia ali um recato inesperado, como se ele estivesse antevendo as tempestades que se formam logo no horizonte.

​Motivos para essa cautela não faltam, já que o cerco parece apertar tanto no plano internacional quanto no ambiente doméstico brasileiro. Corre nos bastidores a teoria de uma "ratoeira" estratégica preparada por Donald Trump para minar as forças da esquerda na América Latina. Somado a isso, o governo precisa lidar com o desgaste das crises internas que fervem em Brasília. As CPIs do INSS e do Banco Master surgem como pedras no sapato, drenando a energia e o capital político da gestão atual.

​Nas redes sociais, o burburinho tomou uma forma ainda mais drástica e estratégica sobre o futuro do petista na presidência. Muitos internautas sugerem que Lula já teria sentido o cheiro da derrota e estaria buscando uma saída menos dolorosa para sua biografia. A tese é de que ele estaria se colocando, deliberadamente, em um processo que leve à inelegibilidade. Seria uma manobra para evitar um confronto direto nas urnas, onde o risco de um revés parece cada vez mais real.

​O grande receio, segundo essa linha de raciocínio, seria sofrer uma derrota desonrosa para o senador Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral. Sair de cena por impedimento jurídico soaria, para seus aliados, mais como uma injustiça do que como uma rejeição popular nas urnas. Entre previsões de Garotinho e teorias digitais, o fato é que o Carnaval passou, mas a quarta-feira de cinzas política promete ser longa. Resta saber se o recato de Lula é medo, estratégia ou apenas o peso do cansaço.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Os Espíritos de Porco

Nas redes sociais — esse coliseu de dedo nervoso e memória curta — espalhou-se a notícia de que uma conhecida atriz da TV aberta confessou sentir “nojo” de bolsonaristas. A frase, que poderia render debate, virou buzina de torcida. Discordar já não basta; é preciso higienizar o outro com desinfetante moral. A plateia digital, sempre pronta para o espetáculo, entrou em êxtase performático. E a empatia, coitada, ficou na fila do cancelamento aguardando senha que nunca chega.

A réplica veio em linguagem de zoológico: cobras, marimbondos e demais espécimes convocados para substituir argumentos. É curioso como a fauna cresce quando o raciocínio mingua. Não se conversa — se sibila. Não se pondera — se ferroa. A timeline vira picadeiro e cada um exibe sua indignação como quem exibe bíceps. No fim, sobra barulho e falta pensamento, mas aplauso nunca falta quando o script é previsível.

Dá a sensação de que a venerável senhora não ocupa o horário nobre por talento ou audiência, mas por militância patrocinada, dessas que vêm com manual e hashtag. A régua do mérito agora mede alinhamento ideológico em centímetros exatos. O cachê parece incluir a cláusula “opinião obrigatória”. E assim se fabrica relevância com espuma de cappuccino: volumosa, fotogênica e inconsistente. Confunde-se eco com profundidade — e profundidade dá muito trabalho.

Enquanto isso, corre a história de que seis palestrantes de um centro espírita em Nova Iguaçu torceram o nariz para Divaldo Pereira Franco por ter ousado defender Jair Bolsonaro. Em nome da luz, apagam-se lâmpadas; em nome da caridade, distribuem-se rótulos. A divergência vira heresia, e a tolerância, item fora de estoque. O altar ganha microfone, o microfone vira palanque. E o Evangelho, se não couber na pauta, que espere a próxima encarnação.

No fim das contas, o mais espantoso não é a opinião de A ou B, mas a facilidade com que se transforma o outro em caricatura. Pessoas que juram defender o bem comum mostram alergia crônica ao contraditório. O achismo, vestido de toga, proclama sentenças com a segurança de quem nunca duvidou de si. Seguimos todos muito convictos, muito inflamados e pouquíssimo interessados em compreender. Porque, convenhamos, compreender exige humildade — e humildade não rende curtida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O Bolso, Preferência Nacional

Carlos Gilberto Triel

A verdade nua e crua é que ideologia nenhuma enche prato de comida ou paga boleto. A convicção mais sensata hoje é que o governo corre um risco real de degringolar se a oposição souber jogar onde dói. Não importa quem seja o candidato do outro lado: se ele vier a público com o compromisso de anular multas e acabar com a perseguição fiscal sobre quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, o jogo vira. O eleitor quer saber de solução, não de discurso.

O alvo principal aqui é o trabalhador informal que rala para garantir o seu, mas acaba na mira do Leão por causa de movimentações bancárias de R$ 5 mil. É um absurdo que o Estado queira morder uma fatia tão grande de quem está justamente tentando se virar sem ajuda de ninguém. Quando esse trabalhador sente que o governo virou um sócio que só aparece para levar o lucro, a revolta é imediata. É uma questão de sobrevivência, e não de preferência política.

Nesse cenário, não existe "amor à camisa" ou militância que aguente. Mesmo aquele eleitor que sempre votou no governo atual ou que se identifica com a esquerda vai abrir mão do idealismo no segundo em que a conta não fechar. A oposição só precisa de uma promessa sólida de alívio no lombo desse trabalhador, dizer com todas as letras que nada do que foi, será, e daí para desidratar a base governista é pule de dez. Entre o discurso social e a proteção do próprio dinheiro, o cidadão comum não vai pensar duas vezes: vai escolher quem promete parar de sangrar o seu bolso.

Resumo: a política brasileira é movida pela máxima mais antiga que existe: o bolso é o local onde as pessoas sentem mais dor. Se o governo continuar apertando o cerco contra a classe média informal, ele mesmo estará cavando a própria cova eleitoral. O pragmatismo do eleitor é implacável e, quando a fome de arrecadação do Estado começa a sufocar o trabalhador assalariado, a lealdade política é a primeira coisa que vai para o lixo.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

​O Preço da Ofensa: Por que seu "post" de hoje pode ser sua falência amanhã

Carlos Gilberto Triel

Essa recente condenação de uma jornalista por ofensas cruéis à filha de Bolsonaro é o legítimo efeito "pedra no lago": uma onda que vai alcançar cada internauta que hoje se acha intocável ao esculhambar opositores. Quem se presta a esse papel de atacar a honra alheia para defender político — seja por paixão ou por algum subsídio oculto — está, na verdade, fazendo um investimento às sombras que pode custar muito caro amanhã.

​O sujeito, seja ele homem ou mulher, que nunca pisou em uma delegacia, deveria pensar duas vezes antes de digitar ataques torpes nas redes sociais, especialmente contra o ex-presidente. A internet não é terra sem lei e o que você escreve hoje fica registrado como uma prova irrefutável, funcionando como um verdadeiro tiro no próprio pé quando a conta jurídica finalmente chegar para cobrar o preço da insolência.

​Não se enganem: quando essa poeira baixar, o que veremos será uma produção em série de processos por calúnia e difamação, com pedidos de ressarcimento que vão desestabilizar qualquer "influencer" de ocasião. Aqueles que hoje se sentem protegidos por bolhas ideológicas serão chamados a provar cada vírgula dita sob suspeita de estarem sendo usados para transformar o adversário em um inimigo público nacional sem bases reais.

​Em breve, assistiremos a pessoas comuns, cidadãos que sempre se orgulharam de serem "direitos", sendo convocados para depor e sentindo na pele o peso de penalidades severas. Esse é apenas o primeiro ensaio dos dias amargos que virão para quem confundiu liberdade de expressão com o direito de ofender e destruir reputações alheias sem apresentar nenhuma prova concreta.

​Portanto, o aviso está dado: o prazer momentâneo de lacrar ou ofender um opositor político nas redes não vale a ruína financeira e moral de um processo judicial longo e desgastante. Proteja seu CPF e sua tranquilidade, pois os políticos que você defende dificilmente estarão ao seu lado na hora de pagar as indenizações ou assinar o depoimento na frente do delegado.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Olhar de Lince da Ju e a Resiliência de Rainha da Gretchen

 Carlos Gilberto Triel

Não é por acaso que a influenciadora Juliana Moreira Leite rompeu a barreira dos 2 milhões de seguidores. A moça é dotada de um talento singular para enxergar muito além das aparências, possuindo uma espécie de "raio-X" da alma alheia. Com uma perspicácia rara, ela navega com extrema facilidade tanto pela fauna política quanto pelos diversos atores do cotidiano. É essa habilidade de ler o que está nas entrelinhas que a torna uma voz tão necessária e diferenciada hoje.

​Nesta semana, a pauta da vez foi a icônica cantora Gretchen, que virou alvo de comentários maldosos na internet. Enquanto os eternos detratores de plantão se ocupavam em destilar sarcasmo sobre a estética da artista, Juliana seguiu o fluxo oposto. Com a coragem de quem não se deixa levar pela manada, a jornalista decidiu focar naquilo que os críticos ignoram propositalmente. Ela trouxe luz ao que realmente importa em uma trajetória pública de tanto impacto.

​Juliana reagiu de forma brilhante, enaltecendo a bravura da veterana artista em se reinventar após décadas de estrada. Afinal, manter-se relevante por tantos anos é uma tarefa para poucos, exigindo uma resiliência quase inabalável. A análise da influenciadora destacou que a Gretchen não é apenas um rosto, mas um símbolo de resistência artística. É preciso ter muita fibra para encarar o palco e a opinião pública com tanta altivez e energia.

​O ponto alto da reflexão foi o destaque para a "beleza da saúde", um conceito que parece ser grego para os críticos. Ver uma mulher madura esbanjando vitalidade e bem-estar é algo potente e, por que não dizer, transformador para os seguidores. Juliana pontuou que essa saúde vibrante é algo inimaginável para quem vive apenas na superfície das redes sociais. É um tipo de brilho que vem de dentro e que nenhuma intervenção estética superficial consegue substituir.

​No fim das contas, essa vitalidade toda chega a dar inveja aos "especialistas do nada com coisa nenhuma" que habitam a web. Juliana Moreira Leite provou, mais uma vez, que a empatia e a inteligência são os melhores filtros para se ler o mundo moderno. Enquanto alguns buscam o defeito, ela encontra a força, consolidando-se como uma observadora astuta da nossa sociedade. Viva a visão da Juliana e a eterna juventude de espírito da Gretchen!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Nicolas e o Recalque dos Sem Juízo

Carlos Gilberto Triel

A lucidez é uma faísca rara que incomoda quem vive nas sombras das velhas raposas políticas. Enquanto um jovem brilhante como o Nicolas desperta multidões com clareza e coragem, uma fração da sociedade prefere se agarrar a ideologias vencidas. É o primeiro sinal de que a imaturidade não é exclusividade dos novos, mas um refúgio para quem se recusa a evoluir com o tempo. 

​Observe os velhos 👴 que ruminam um mundo que não existe mais, estagnados entre o quarto e a cozinha. Eles perambulam pela casa, consumindo o que veem pela frente, enquanto destilam um recalque amargo nas redes sociais. É um espetáculo triste de "mímimi" e vitimismo, onde a maldade surge apenas porque não suportam ver o sucesso de quem ousa desafiar o status quo. 

​Tratam a política com a régua emocional de um time de futebol, cegos para a lógica e para os fatos. Essa "fauna artística" e os aposentados da lucidez insistem em repetir fórmulas que já fracassaram em suas próprias vidas. Para eles, criticar a renovação é uma tentativa desesperada de validar décadas de escolhas erradas e de um tempo que se esvaiu sem propósito. 

​Lá fora, a realidade é bruta e não aceita teorias: a comida não brota por mágica nas prateleiras dos mercados. É a massa de agricultores, sob sol e chuva, quem garante que o prato desses críticos permaneça cheio todos os dias. Ignorar o suor de quem produz para sustentar ideologias de gabinete é a prova final de uma desconexão completa com a engrenagem da vida. 

​A gratidão é a frequência quântica que separa o homem realizado do eterno fracassado que vive em ondas de amargura. Olhe para esses senhores que apenas reclamam e pergunte-se: é nesse estado de espírito que você deseja terminar seus dias? Sem o "adubo" da gratidão e o reconhecimento do esforço alheio, a vida não passa de uma sequência medíocre de dias sem cor.

domingo, 25 de janeiro de 2026

O Teatro da Virtude: Entre o Passe Espírita, a Militância e o Ego

Carlos Gilberto Triel

Sabe aquele cansaço que bate quando você abre as redes sociais e dá de cara com mais uma frase de efeito sobre "evolução espiritual" ou "justiça social"? Pois é. Virou moda: quanto mais limitada é a moral da pessoa, mais ela capricha no verniz da bondade. É o que eu chamo de "pseudo-espiritismo de conveniência" misturado com uma militância que prega o amor, mas transpira ódio.

​O roteiro é sempre o mesmo. Pregam o perdão, a caridade e a fraternidade como se fossem anjos encarnados. Mas a contradição grita quando vemos militantes que se dizem cristãos ou espíritas, mas agem exatamente ao contrário do que pregam os mestres. Usam o nome de Jesus ou a doutrina de Kardec para validar ideologias, mas, na hora do embate, a "luz" dá lugar a um desejo de destruir o adversário que beira o patológico.

​Basta alguém discordar de uma vírgula ou cruzar o caminho dos seus interesses para a máscara de luz derreter. A perversidade aflora e o desejo de ver o "inimigo" sofrer vira prioridade. É a tal limitação intelectual: a pessoa não consegue enxergar a própria sombra, então projeta no outro todo o mal do mundo para se sentir autorizada a ser cruel em nome de uma suposta "causa nobre".

​No fundo, é um egoísmo gigante disfarçado de missão coletiva. Usam a fé e a política para garantir aplausos e, muitas vezes, interesses financeiros, enquanto disfarçam sua mediocridade moral. A verdade é que pregar humanidade é fácil; difícil é ser humano quando não há câmeras por perto. Podem nascer e renascer setenta vezes sete; enquanto a espiritualidade for usada como escudo para o ódio e o bolso, continuarão sendo apenas atores de um teatro muito mal encenado.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Viagem no Tempo, O Observador em Algum Lugar do Passado

Carlos Gilberto Triel

Sabe aquele filme "Em Algum Lugar do Passado"? Ele é muito mais que um romance meloso; é uma aula sobre o poder da nossa mente. O protagonista, Richard Collier (Christopher Reeve), não usa nenhuma máquina mirabolante para viajar no tempo. Ele usa apenas a auto-hipnose e a força da vontade. Isso bate de frente com o que a física quântica discute hoje: a ideia de que o "observador" (nós) pode realmente influenciar a realidade e que o tempo talvez não seja essa linha reta que a gente imagina.

​O grande segredo ali é que o pensamento e o sentimento estão totalmente interligados. Richard só consegue "dar o salto" para 1912 porque ele não está apenas pensando na data; ele está sentindo um amor profundo por alguém que ele mal conhece. É esse sentimento que serve de combustível. Sem a emoção, o pensamento seria só uma ideia vazia. É a prova de que, quando a gente coloca o coração na frente, a nossa percepção do mundo ao redor começa a mudar de verdade.

​A gente sente isso na pele com a nostalgia. Sabe aquele aperto no peito ou aquela saudade de algo que parece que nem vivemos? Isso é a prova de que o tempo é fluido dentro da gente. A nostalgia é como uma âncora que ignora o calendário e traz o passado para o "agora" com uma força física. No filme, essa conexão é tão real que o corpo dele entende que o lugar dele é lá atrás, mostrando que o sentimento é o que realmente nos conecta através das eras.

​Mas o filme também faz um alerta: a nossa realidade é muito frágil. Quando Richard encontra aquela moeda moderna no bolso, a dúvida brota e o "feitiço" quebra na hora. Isso mostra que o nosso mundo é construído pelas nossas convicções. No momento em que ele para de acreditar piamente que está em 1912, a mente dele o puxa de volta. É o choque entre o que o coração quer e o que a lógica do dia a dia impõe.

​No fim das contas, a história de Richard e Elise (Jane Seymour)nos faz pensar que talvez a gente não precise de tecnologia para mudar nossa vida, mas de uma mudança interna de frequência. Se a nostalgia nos invade, é porque o pensamento e o sentimento já criaram um caminho. A gente só precisa aprender a focar a mente para não deixar as "moedas do presente" tirarem a gente do lugar onde nossa alma realmente quer estar.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

COCA-COLA, MEU GAFANHOTO FAVORITO

 Carlos Gilberto Triel

Vivemos tempos curiosos — e perigosos. Nunca se produziu tanta informação e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil distinguir fato de narrativa. O terror contemporâneo não vem apenas da violência explícita ou das crises econômicas, mas da fabricação diária do medo, impulsionada por influenciadores que se alimentam da polêmica e não do compromisso com a verdade.

Nesse cenário, produtos, ideias ou pessoas são eleitos vilões universais. A Coca-Cola, por exemplo, torna-se o “gafanhoto do mundo”: tudo o que há de errado na saúde coletiva passa a ser atribuído a ela, ignorando contexto histórico, evidências científicas e, sobretudo, o papel do excesso e do estilo de vida. A complexidade dos fatos é substituída por frases de impacto, prontas para viralizar.

O mesmo ocorre quando se resgata o passado de forma seletiva. Sim, a Coca-Cola nasceu como um tônico farmacêutico no século XIX — como tantos outros produtos da época. Isso não a transforma automaticamente em remédio nem em veneno moderno. Mas, na lógica do terror digital, a nuance não tem valor; o que importa é o choque, a indignação e o engajamento gerado pelo medo.

Influenciadores sem preparo técnico ou ético frequentemente confundem associação com causalidade, estudo preliminar com verdade absoluta e opinião com ciência. O resultado é um público alarmado, desconfiado de tudo e incapaz de fazer escolhas racionais. O medo passa a ser um produto altamente lucrativo — e a verdade, um detalhe incômodo.

O problema real raramente está em um refrigerante, um alimento ou um hábito isolado, mas na repetição, no abuso e na falta de equilíbrio. Ainda assim, apontar isso não rende curtidas nem seguidores. É mais fácil vender pânico do que responsabilidade, mais rentável gritar “veneno” do que ensinar moderação.

Talvez o verdadeiro terror dos nossos tempos não seja o que consumimos, mas o que aceitamos como verdade sem questionar. Enquanto a narrativa do medo continuar valendo mais do que os fatos, sempre haverá um novo “gafanhoto do mundo” para distrair a atenção — e poucos dispostos a enfrentar a realidade com honestidade intelectual.

domingo, 11 de janeiro de 2026

A todos os meus amigos

Rubens Kunca

Tal como a partitura em branco é para um compositor, um ano novo é, para cada um de nós, o convite para um novo mundo. Vamos compor momentos felizes, orquestrar nossas relações, colocar mais pausas para o descanso e reflexão, acelerar ou diminuir o andamento, experimentar outros ritmos, colocar uma fermata no amor, mudar de tom se o tom não estiver adequado, repetir as partes mais interessantes e harmonizar nossos sentimentos. 

Cada um pode fazer de 2026 a melhor música. FELIZ 2026!


Rubens Kunca é escritor, e atualmente reside na Espanha.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O TREM DE GUARAREMA

Prepare o coração (e a câmera!), porque o famoso "trem da comida" que viralizou é, na verdade, uma experiência histórica incrível em Guararema! 

​Para você não cair em "fake news" e aproveitar cada segundo, aqui está o resumo com tudo o que você precisa saber:

​O que é real e o que é lenda? 

  • ​Comida à vontade? Não é bem assim! O post que viralizou exagerou um pouquinho. 
  • ​O que tem de verdade: Existe um vagão bar/restaurante super charmoso onde você pode comprar lanches, petiscos e bebidas à parte enquanto curte a vista. Nada de banquete liberado, mas muita classe!

​Os números da diversão: 

  • ​Trajeto: São 6,8 km de pura nostalgia entre a Estação de Guararema e a Vila de Luís Carlos.
  • ​Duração: O passeio dura cerca de 2 horas (contando ida, parada estratégica e volta). É o tempo perfeito para desconectar do caos da cidade!
  • ​História viva: O trem é operado pela ABPF e é uma verdadeira cápsula do tempo do início do século XX.

​Por que você vai amar? 

  • ​Vibe Retrô: Esqueça o ar-condicionado! Aqui as janelas abrem de verdade, os bancos são de madeira e o som da locomotiva é a trilha sonora oficial. 🎶
  • ​Vila de Luís Carlos: A parada final é um vilarejo restaurado que parece cenário de novela, com casinhas coloridas e cafés fofos. 
  • ​Experiência Sensorial: O cheiro de madeira polida, o balanço do trem e o ar puro do Vale do Paraíba valem mais que qualquer buffet livre!

​A dica de ouro: Vá pelo prazer de viver a história, ver uma locomotiva a vapor de perto e criar memórias. Se você busca nostalgia e um dia leve no campo, o Trem de Guararema é o seu destino certo!


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Polêmica envolvendo o cultivo de Tílápia gera críticas por não ter embasamento científico

 A principal polêmica recente envolvendo a CONABIO (Comissão Nacional da Biodiversidade) e o setor produtivo agrícola e aquícola no Brasil é a proposta de incluir a tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras.

​Embora o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ao qual a CONABIO é ligada, tenha negado a intenção de proibir o cultivo, a classificação como "invasora" gerou grande preocupação no setor, que teme restrições à produção.

​Além da tilápia, outras espécies que foram mencionadas em propostas da CONABIO (ou que o setor produtivo e parlamentares apontaram como risco de inclusão na lista e potencial proibição/restrição) incluem:

  • ​Na aquicultura:
    • ​Camarão-branco do Pacífico (Penaeus vannamei)
    • ​Ostras
    • ​Tambaqui
    • ​Pirarucu
  • ​Na agricultura (frutas e outros cultivos):
    • ​Goiaba
    • ​Manga
    • ​Jaqueira
    • ​Eucalipto
  • ​Outras espécies (pecuária e pastagens):
    • ​Búfalo
    • ​Cabra
    • ​Braquiária (Urochloa brizantha)

​⚠️ É importante ressaltar:

  • ​A inclusão na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras não significa, automaticamente, a proibição de cultivo, mas sim a classificação de espécies que podem causar danos à biodiversidade nativa, servindo de base para políticas públicas de prevenção e controle.
  • ​A inclusão da tilápia e de outras espécies gerou um forte debate e protestos do setor produtivo e de parlamentares, que argumentam a falta de base científica para a classificação de espécies economicamente importantes e cultivadas sob normas ambientais.
  • ​O MMA tem reforçado que o objetivo é técnico e preventivo, e que não há qualquer proposta ou planejamento para interromper as atividades de cultivo licenciadas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

"O DIA QUE UM "TIA" ESTRAGOU UM BANHO DE ALMA"

"PEQUENAS PALAVRAS, GRANDES FERIDAS"

Carlos Gilberto Triel

Na loja de material elétrico “A Luminosa”, numa manhã qualquer do ano passado, o balcão estava lotado. Para ser atendido, o distinto freguês precisava pegar a senha e aguardar a chamada.

Uma jovem senhora de uns 38 anos — bonita, sorriso fácil, cabelos ainda úmidos de banho — carregava aquela convicção radiante de quem está “com tudo em cima”, corpo e alma lavados. Pegou sua senha e aguardou a vez.

Mais atrás, um caboclo vestia uma camiseta dupla face: de um lado, a cara de Che Guevara e a frase “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”; do outro, um paradoxo estampado: “Deus é Fiel”.

Quando estava prestes a ser atendido, ele avançou, pôs a mão no ombro da mulher e, com voz esganiçada, disparou:

Aí, minha tia, dá licença aí...

Ela ficou pasma — não pelo toque invasivo, mas pelo “minha tia”. Olhou incrédula: ele parecia mais velho que ela! “Tia”?! Homens tolos, imaturos, desprovidos de senso comum... ignoram que não se deve jamais chamar uma mulher de “tia”, a não ser que ela seja, de fato, sua tia.

E aquela não era exceção: tinha espelho em casa, cuidava-se, ainda era jovem e bonita. Qual a razão dessa crueldade gratuita? Ser chamada de “tia” foi como uma punhalada no ego.

Em menos de um minuto, a mulher que até então irradiava alegria levava a mão à boca, engolindo um choro. A vontade de estar ali evaporou. Sem saber mais o que comprar, enxugou discretamente uma lágrima e foi embora.

A deselegância do homem atual nunca esteve tão alta.

Entre sermões de púlpitos, podcasts motivacionais e conselhos de autoajuda, esquecem-se do principal: ensinar aos “projetos de homem” que pequenos delitos podem provocar tragédias invisíveis.

Quando chegou minha vez de ser atendido, lá estava o caboclo, ocupando exatamente o lugar que antes fora dela. Sem hesitar, devolvi na mesma moeda:

Por favor, deixa eu passar aí, tiozinho...

“Tiozinho”?! Como assim?! Agora era ele quem não acreditava. Mais surpreso ainda por ter sido chamado assim por alguém visivelmente mais velho. Na cabeça dele, isso significava que aparentava muito mais idade do que tinha.

Provar do próprio veneno não estava nos planos.

Comprei o que precisava e fui ao caixa. Ao sair, o reencontrei na calçada, meio fora de prumo. Olhou-me com raiva, como quem perguntava “Como ousa?”.

Encarei-o como se encara bêbados, fanáticos e idiotas, e completei com a frase agora imortalizada na história do país:

Perdeu, titio. Não amola.

E foi embora, carregando no rosto o mesmo constrangimento que havia provocado.

Porque, no fundo, é simples: ninguém é obrigado a medir palavras, mas todo mundo é responsável por onde elas batem. A língua não é faca, mas corta; não é pedra, mas afunda. E, às vezes, basta um “tia” ou um “tiozinho” mal colocado para transformar um dia bonito em um dia que se quer esquecer.


terça-feira, 29 de julho de 2025

PREFEITO LUQUE LUQUINHA

O prefeito de Seropedrópolis, Luque Luquinha, adentrou o seu gabinete cuspindo marimbondo e gesticulando feito passista em dia de desfile:

 — Não pode! Não pode! Isso não pode!

 

Dona Magali, a secretária, tentando acalmar sua excelência:

— Danosse, Luquinha! O que houve?

 

Luque Luquinha, suando em bicas e em pânico:

— Os vereadores da oposição vão me denunciar ao Trump e pedir pra me aplicarem essa tal de lei Maniquiste, só porque a cidade tá um lixo só!

 

Dona Magali, incrédula: — Que sujeitinhos maldosos, prefeito! Logo agora que o senhor queria ir à Disney conhecer o Mickey e o Pateta...

 

Luque Luquinha, com os olhinhos marejados de emoção, não sem antes levar à boca duas jujubas, seu doce predileto:

— Minha vida toda esperei por isso, Magali. Jeová sabe o duro que dei, economizando meus proventos pra essa viagem.

 

Magali, solidária com o chefinho:

— Esses vereadores não tiveram infância, são uns abomináveis...

 

O prefeito Luque Luquinha colocou mais duas jujubas na boca, ajeitou a calça que teimava em escorregar abaixo da cintura:

— Mas isso não vai ficar assim! Magali, liga pro governador Castro Castrinho. Quero falar com ele já!

 

Dona Magali, curiosa:

 — O que o senhor pretende fazer, prefeito?

 

Luque Luquinha, com olhos faiscando de esperança:

— Quero que ele me apresente o Duda Bozo, o filho do Bozo Pai! O cara é peixe do Trump. Vou pedir pra ele aliviar minha barra com o lourão!

 

Magali, em tom de alerta: — Prefeito, não é muito adequado dizer "Bozo"... Desse jeito, vai só piorar as coisas.

 

Luque Luquinha, dando-se conta:

— Ih, é mesmo! Melhor chamar de Mito Kid. Assim limpo minha barra e ainda carimbo minha passagem pra Disney.

 

Dona Magali, prática: — Prefeito... não seria mais fácil pedir ao governador uns 300 caminhões pra tirar o lixo da cidade?

 

Luque Luquinha, nervoso, dando pulinhos indignados:

— Tá maluca?! Esse lixo não é prioridade agora! O que pode ser mais importante neste momento do que meu salvo-conduto pra Disney?

 

Magali balançou a cabeça, decepcionada:

— Prefeito... a cidade virou uma lixeira a céu aberto!

 

Luquinha foi categórico: — Magali, presta atenção: um dia de lixo a mais ou a menos não faz diferença. Mas se a Maniquiste me pegar, tô frito! Tenho que me antecipar, mulher!


Magali, aproveitou para sugerir o que a incomodava:

- Que tal propor aos vereadores disciplinar o som pancadão?


Luque Luquinha, viu que era furada:

- Endoidou de vez, mulher! O lixo os vereadores até supera, mas proibir o pancadão, quem se ferra sou eu. 

 

Nesse instante, o som de uma sirene de ambulância cortou e o prefeito, suando frio, acordou, e deu um salto na cama:

— Valha meu Padroeiro São Guandu! Ainda bem que foi um sonho...

Passando a mão pela cama à procura de conforto, Luquinha sentiu que algo estava faltando:

— Ué... Eu jurava que tinha trazido minhas jujubas pra dormir ontem...

 

E virando-se para o lado, voltou a dormir o sono dos justos...


Nota do autor: Essa é uma obra de ficção. Os personagens são fictícios qualquer semelhança com casos, pessoas e mera coincidência.