sábado, 8 de agosto de 2026

CHANCE, OS GAFANHOTOS E O JARDIM

Há muitos anos, assisti a Muito Além do Jardim com meu compadre, hoje radicado na Espanha, o “Lameira” — assim mesmo, entre aspas, porque certas criaturas já chegam ao mundo acompanhadas de legenda. Peter Sellers fazia Chance Jardim, um jardineiro que não entendia absolutamente nada do mundo, mas era tratado por todos como um gênio. Na época, achei engraçado. Hoje, olhando a política, acho quase profético.

Chance falava de plantas e estações; os outros ouviam profundas teorias sobre a humanidade. Na esquerda, a fórmula continua funcionando: se a economia afunda, é estrutural; se o desemprego aumenta, é conjuntural; se tudo piora, a culpa é do capitalismo. E se alguém perguntar quando aquilo vai melhorar, surge sempre um intelectual para explicar que a pergunta é, no mínimo, fascista.

Chance não torcia contra o jardim; simplesmente não conhecia outro. Já seus admiradores modernos aprenderam que, quanto mais mato, mais discurso, quanto mais crise, mais palanque e quanto pior a colheita, mais fácil vender a enxada como solução. É a extraordinária arte de torcer para o incêndio e depois posar de especialista em mangueiras.

No filme, confundiram a ignorância de Chance com genialidade. Na política, há quem transforme a própria incompetência em ideologia — e ainda encontre plateia para aplaudir. Nesses casos, não adianta discutir: é melhor deixar o jardineiro, a enxada e os gafanhotos além das linhas da arrebentação; afinal, até o jardim merece algum descanso.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A LÓGICA DA RIO FARMES

A coitada da paciente renal achou que estava arrasando ao pedir uma simples receita pro médico da hemodiálise.

Ela só queria o Cloridrato de Sevelâmer e o Cloridrato de Cinacalcete pra tentar a sorte na tal Rio Farmes.

Na cabeça dela, cheia de boa vontade, cuidar da saúde antes do troço piorar era a coisa mais lógica do mundo.

Pura inocência: ela esqueceu que a lógica e a burocracia do Rio nem se cumprimentam na rua.

​Sem nem piscar, o doutor tratou de mandar aquele choque de realidade com direito a balde de água gelada.

O recado foi direto: a briosa instituição estadual não libera esses remédios pra quem tá só precisando, não.

A regra do jogo é cristalina: o paciente tem que tá praticamente com um pé na cova e o outro numa casca de banana.

Aparentemente, continuar respirando sem drama é considerado um luxo desnecessário pro orçamento do Estado.

​É de uma genialidade sem tamanho: pra ganhar o remédio que salva a vida, você primeiro precisa quase perder a vida.

A saúde pública fluminense não trabalha com prevenção, trabalha com emoção forte e contagem regressiva.

O cidadão que se vire pra chegar à beira do abismo só pra ter o direito de conseguir o carimbo da receita.

Uma eficiência de dar inveja: a medicação só sai do estoque a tempo de servir como brinde no velório.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A TRAPALHADA PERFEITA: COMO LINDBERGH E SORAYA CRIARAM O VICE DE FLÁVIO BOLSONARO

Se a estratégia de Lindbergh Farias e Soraya Thronicke era afundar a reputação alheia, o tiro não apenas saiu pela culatra, como ganhou propulsão espacial. Transformados na dupla mais estabanada de Brasília, os dois aloprados resolveram disparar difamações a esmo durante a CPI do INSS. Com o habitual faro tático que lhes é peculiar, os parlamentares miraram num alvo até então discreto nos corredores do Congresso. O resultado da manobra atabalhoada foi atirar o até então anônimo deputado de Alagoas diretamente no centro do holofote público. Em vez de sepultar a carreira do colega, a dupla funcionou como uma eficiente — e involuntária — agência de marketing pessoal.

​Incapazes de antever o desfecho da própria trapalhada, os acusadores entregaram ao deputado nordestino um palanque em horário nobre. Alfredo Gaspar reagiu às acusações com uma veemência tão devastadora que expôs a mentira em transmissão ao vivo para todo o país. Cada investida atrapalhada vinda de Lindbergh ou Soraya servia como um impulsionamento gratuito para a popularidade do alagoano. O público acompanhou atento a história do parlamentar que desmontou a farsa e ganhou a simpatia nacional no processo. A falta de pontaria dos dois aloprados transformou um ataque difamatório no maior catalisador de projeção política recente.

​Graças ao empenho involuntário dos dois acusadores mambembes, a trajetória de Alfredo Gaspar tomou um rumo totalmente surreal. O que era para ser um linchamento na CPI virou o passaporte definitivo do parlamentar para o topo do cenário eleitoral de 2026. Ostentando o peso do eleitorado nordestino e o selo de vítima combativa, o alagoano viu sua cotação disparar na velocidade da luz. Foi assim que, empurrado pelo vexame alheio, ele garantiu o cobiçado posto de vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Se a campanha sair vitoriosa, o mínimo a se fazer é enviar um cartão de agradecimento com flores a Lindbergh e Soraya pelo excelente serviço prestado

terça-feira, 4 de agosto de 2026

NOVOS GAFANHOTOS

Anos atrás, numa encenação da Paixão de Cristo, o ator que fazia Jesus pediu ao sujeito vestido de soldado romano que maneirasse  nas chicotadas. "Companheiro, pega leve, isso aqui é teatro..." O cidadão, possuído pelo espírito de Hollywood, respondeu que era um profissional e que, para viver o personagem, tinha que bater de verdade. Jesus, quer dizer, o ator que fazia o papel Jesus, não pensou duas vezes, largou a cruz e meteu a porrada no romano. Pela primeira vez, o Calvário terminou em nocaute técnico.

A plateia foi ao delírio: 

-Jesus! Jesus! 

Se acontecesse hoje, teria milhões de visualizações antes mesmo de Cristo ressuscitar. Metade da internet chamaria Jesus de agressor; a outra metade pediria canonização imediata por legítima defesa. Os influenciadores fariam análise corporal da briga, e algum "especialista" juraria que tudo estava previsto num evangelho apócrifo encontrado no HD de um arqueólogo.

O engraçado é que a história continua atual. O fanatismo apenas trocou de fantasia. Antes vinha de túnica, hoje chega de celular na mão NN e polegar nervoso. Não importa se é religião, política ou celebridade: basta discordar que aparece um batalhão de iluminados querendo crucificar alguém antes do almoço.

Os gafanhotos bíblicos devastavam lavouras. Os de agora devoram neurônios. Formam enxames nas redes sociais, sobrevivem de indignação em promoção e transformam qualquer debate numa rinha de galinhas. Depois reclamam que o país não vai para frente. Também pudera... com tanta gente pastando ódio, até o bom senso entrou em extinção.

GENTILEZA NO COTIDIANO

Tem um ditado que vive circulando por aí dizendo que nunca devemos elogiar pessoas ou lugares onde fomos felizes, porque nada continua igual. Pode até ser, mas confesso que essa filosofia meio azeda nunca me convenceu. Quando encontro gente que faz diferença, faço questão de reconhecer, porque gentileza também merece aplauso.

Hoje cedo, voltando de Guaratinguetá, parei mais uma vez na lojinha de conveniência do Posto Shell, em Resende. Para minha alegria, lá estavam a Vitória e as outras atendentes de sempre, cujos nomes nunca perguntei, mas cuja simpatia já virou marca registrada. Atendem todo mundo com uma cordialidade tão natural que parece ingrediente secreto do lugar.

Pode ser o cafezinho expresso, o pão de queijo quentinho ou a tentação daquela vitrine cheia de carboidratos irresistíveis. A verdade é que sempre saio dali com a mesma certeza: quando as pessoas escolhem tratar o próximo com gentileza, transformam qualquer ambiente. E aí o velho ditado ganha vida: o melhor lugar do mundo é, mesmo, aqui e agora.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR"O GOVERNO DO RIO?

 Nos anos 80, tive a honra de frequentar um "curso superior" que, embora tenha durado apenas algumas horas, valeu mais do que muito mestrado por aí. O professor era Jadir Ferreira Baptista, fundador do IBATE, um dos institutos de pesquisa mais respeitados do país. Foi ali que aprendi que eleição não é fotografia; é filme. O eleitor muda de humor, muda de assunto e, quando resolve mudar de candidato, nem o estatístico mais caprichoso consegue convencê-lo do contrário.

Hoje, felizmente ou infelizmente, o currículo ficou bem mais acessível. Basta assistir a três vídeos nas redes sociais e o cidadão já recebe, sem precisar colar grau, os títulos de infectologista, economista, jurista, estrategista militar, chef de cozinha e profeta do Apocalipse. Se sobrar tempo, ainda grava um vídeo ensinando como salvar o planeta, fazer pudim sem leite condensado e prever quem vencerá a próxima eleição.

Não ousaria chegar ao requinte do inesquecível Léo Montenegro, de O Avesso da Vida, que promovia um cidadão à categoria de especialista apenas porque ele morava ao lado de um médico. Mas, amparado pelo meu "diploma" concedido pelo professor Jadir, arrisco um palpite que vale exatamente o preço desta crônica: para mim, os institutos de pesquisa podem continuar fazendo contas, cruzando tabelas e desenhando gráficos coloridos. O eleitor, esse velho gozador, adora desmoralizar certezas estatísticas na hora de apertar o botão da urna.

Por isso, assumo inteira responsabilidade pela heresia: minha impressão é que Garotinho será eleito governador do Rio de Janeiro. Não porque tenha descoberto uma fórmula secreta, mas porque a campanha terá um único protagonista — a segurança pública. Quem convencer o eleitor de que enfrentará o crime com mais firmeza largará na frente. Garotinho percebeu isso e já experimenta o figurino de um "Bukele fluminense". Os adversários, por sua vez, parecem mais preocupados em discutir marqueteiro, pesquisa e alianças. Como ensinava meu "curso superior" de algumas horas, eleição não premia quem agrada aos institutos; premia quem acerta a principal angústia do eleitor.

domingo, 2 de agosto de 2026

A CRISE, O CRIME E A CARA DE PAU S/A

Antes de entrar no assunto, uma rápida viagem a 2020.

Lembram-se?

Ficar em casa era a oitava maravilha do mundo.

Quem discordasse do confinamento indiscriminado era tratado como herege, terraplanista, negacionista e candidato à fogueira da Inquisição.

Celebridades trancadas em mansões de mil metros quadrados gravavam vídeos ensinando o pedreiro, o camelô, o garçom e o pequeno comerciante a "ficarem em casa".

Era de uma sensibilidade com o bolso alheio que chegava a emocionar.

Boa parte da imprensa embarcou de corpo e alma.

Alguns apresentadores de televisão assumiram o papel de sacerdotes da nova religião sanitária.

Questionar deixou de ser ciência.

Passou a ser pecado.

E João Doria, sempre com uma câmera por perto, vestiu a fantasia de marechal da pandemia, distribuindo certezas com a convicção de quem acreditava que a História já havia reservado um pedestal em sua homenagem.

O tempo, esse sujeito teimoso que nunca assina manifesto nem participa de coletiva de imprensa, resolveu fazer o que sabe de melhor: passar.

Vieram os números.

Vieram as revisões.

Vieram os documentos.

Vieram os depoimentos.

Vieram as dúvidas que antes eram proibidas.

E, curiosamente, muitos dos que apontavam o dedo resolveram guardar a mão no bolso.

Não houve autocrítica.

Não houve pedido de desculpas.

Não houve sequer um constrangimento visível.

Mudou-se apenas o assunto.

Afinal, memória curta sempre foi um excelente desinfetante para reputações.

E isso nos leva a uma velha frase atribuída a Delfim Netto:

"A falência purifica."

Purifica mesmo.

Tem gente que quebra uma empresa e reaparece como consultor.

Tem gente que quebra a própria credibilidade e reaparece como especialista.

E tem quem erre em horário nobre para, meses depois, voltar ao horário nobre explicando por que, na verdade, nunca errou.

É um talento extraordinário.

Mas quem continua imbatível é Dom Rossé Cavaca:

"Há milhares de notas falsas em circulação, mas tão prestativas que conquistaram a confiança de todos."

Talvez hoje ele escrevesse:

"Há milhares de verdades em circulação, mas tão inconvenientes que quase ninguém quer recebê-las."

sábado, 1 de agosto de 2026

A SÍNDROME DO BODE EXPIATÓRIO

Carlos Gilberto Triel

Moro no Brasil, pago boleto em real e ainda aturo alguns canhoteiros no exterior dando pitaco sobre a minha rotina. 

O cidadão cruza a fronteira, mas mantém o cordão umbilical preso aqui só para palestrar virtudes que a própria família despreza. É fascinante ver quem vive longe tentar aplicar uma régua moral que ninguém aguenta. O sujeito se acha um farol de sabedoria, mas enguiçou no patamar da mediocridade e não se deu conta.

​Nessa altura da vida, fui obrigado a ouvir um outro ex-amigo contar que o centro espírita dele deixou de respeitar Divaldo Franco só porque ele disse ter votado no Bolsonaro. Do dia para a noite, o homem virou a excrescência da doutrina para meia dúzia de vigaristas que se acham iluminados. Se a carreira não decolou ou o pneu furou lá fora, a culpa nunca é da própria mediocridade, mas do Trump ou do Bolsonaro. É a comodidade de culpar a política para não olhar no espelho.

​Entrar numa discussão dessas é o atalho mais rápido para perder a paz de espírito que já temos pouca. Como alertou um influenciador, tentar argumentar com quem está hipnotizado por narrativa ideológica é um erro crasso. Não adianta mostrar o caminho da razão; a reação dessa gente nunca é o debate, mas um salto direto na sua jugular. A ingenuidade de tentar converter esses doutores da virtude só custa dor de cabeça e sermão grátis.

​Entre a minguada do nosso salário e a fartura dos boletos, o melhor remédio é o sagrado silêncio. Deixe que o palestrante da diáspora continue pregando para o vento e cancelando ícones por picuinha eleitoral. A nossa saúde mental agradece quando aprendemos a não alimentar o ego de quem trocou de país, mas não evoluiu nada. Que Deus me perdoe e guarde, mas para aguentar esse coitadismo em dólar ou euro, só rindo alto.

QUEM DIRIA: COVID PASSADA A LIMPO

Desde sempre, o circo é o mesmo: palpiteiro de fora chegando pra ditar regra na casa dos outros, ou aquele estrangeiro recalcado que escolheu o Trump como seu gafanhoto favorito da vez — até porque nada diz “análise geopolítica profunda” como ter um colapso nervoso diário por causa do topete alheio.

Em 2021, a salvação da lavoura virou o Paxlovid — a nova “vitória suprema da Ciência™”. Se você piscasse meio torto, já virava “negacionista”. Afinal, virou moda usar “a Ciência” como carteirada pra calar a boca de todo mundo.

Aí o Fauci vai dar explicações no Congresso e fica a dúvida: se a história era tão redondinha, por que tá cheia de remendo agora? Transparência, pelo visto, só servia quando era conveniente.

E a galera do “Eu Sigo a Ciência”? Desapareceu. Aquela turma que adorava desdenhar de qualquer um fora do script hoje é campeã em mudar de assunto. Vale lembrar que falar em ivermectina e cloroquina era fazer apologia a tomar remédio pra piolho e ser rotulado de negacionistas.

Aliás, o silêncio é geral. Políticos tipo o Dória, que adoravam pagar de xerifes na pandemia, hoje fingem demência e não voltam no assunto nem pagando.

Moral da história: ninguém deveria ter passe livre só porque usa terno ou jaleco ou mesmo crachá de escriba. Ciência de verdade não vive de dogma, vive de dúvida. O resto é só pose.


terça-feira, 28 de julho de 2026

MAIS DE 8 MIL VOZES NA CURVA DA VIDA

Há dias em que a escrita parece um diálogo em voz baixa, quase solitário, com o papel e com o tempo. Em outros, surpresas chegam sem pedir licença. No dia de ontem, o Nova Laranja viveu um desses momentos raros e gratificantes ao registrar a marca de 8.149 acessos em vinte e quatro horas.

​Acredito que o impulso veio do texto "Na curva avançada da vida", uma reflexão sobre as marchas e contramarchas da jornada que, por razões que a própria escrita desconhece, acabou ecoando no peito de milhares de leitores de forma tão simultânea.

​Ver mais de 8 mil pessoas passarem por estas páginas digitais em um só dia reaviva a certeza de que a palavra sincera sempre encontra o seu caminho. Ela atravessa telas, alcança a rotina do leitor e faz uma pequena pausa na correria do cotidiano.

​A todos os que leram, compartilharam ou simplesmente deixaram o olhar pousar por alguns minutos nas crônicas da nossa casa digital: o meu mais sincero muito obrigado. Seguimos juntos, linha a linha, curva a curva.



domingo, 26 de julho de 2026

E NA CURVA AVANÇADA DA VIDA...

É curioso notar como, para alguns, a falta de argumentos é rapidamente substituída pela arrogância e pela ofensa pessoal.

​Virou hábito de certos entusiastas de uma pretensa "superioridade moral e intelectual" reagir ao contraditório não com dados ou ideias, mas com ataques gratuitos, ironias baratas e um vocabulário rebuscado usado para camuflar a intolerância. Quando a divergência surge, o diálogo cede lugar à agressão infantil.

​Talvez exista aí uma fragilidade ainda mais profunda. Na curva avançada da vida, ao perceberem a escassez de perspectivas para novos ciclos produtivos, alguns recorrem ao rancor e à impaciência como armas de defesa. É o triste espetáculo de quem, ao envelhecer, renega a serenidade de uma alma verdadeiramente cristã para abraçar um ressentimento tardio, adotando na velhice valores de atrito e arrogância com os quais sequer comungava na juventude. A agressividade verbal vira, então, a última armadura de um ego que tenta se convencer de que continua relevante.

​O verdadeiro conhecimento caminhará sempre ao lado da humildade e da capacidade de ouvir. Quem precisa desqualificar o outro para sustentar a própria posição só demonstra a fragilidade do terreno em que pisa.

​Debater a complexidade do mundo exige maturidade, alma e classe. O resto é só o ruído doloroso de quem prefere o eco do próprio monólogo.

domingo, 12 de julho de 2026

OMISSÃO QUE SEGREGA: A CÚMPLICE INDIFERENÇA DA LIDERANÇA

É inadmissível que, em um cenário onde o empresariado tanto luta contra estigmas injustos, o proprietário de um grande supermercado em Seropédica —cujo nome e o de sua empresa, por enquanto, optamos por não divulgar-alguém que afirma conhecer de perto seus colaboradores — escolha o caminho da omissão covarde. Ao fazer vista grossa e fingir ignorar o assédio moral explícito em sua própria loja, o empresário não apenas se exime de sua função de líder, mas se torna cúmplice de uma segregação cruel, alimentada pelas vaidades, picuinhas e idiossincrasias de seus fiscais de caixa.

​O episódio ocorrido na última semana é o retrato do desamparo institucional. Uma funcionária, uma senhora de pouco mais de cinquenta anos, cumpriu seu dever com a dignidade habitual: bateu o ponto e aceitou a missão de treinar uma recém-admitida. Assim que concluiu a tarefa — servindo apenas como um "tapa-buraco" enquanto a iniciante lanchava —, foi descartada de forma humilhante. Conduzida ao Departamento Pessoal sob a justificativa genérica de "reestruturação", a verdade por trás do ato ficou evidente: foi o ápice de um processo de perseguição que o dono da empresa preferiu não ver.

​Mesmo sob profundo abalo emocional, a trabalhadora manteve a postura que faltou à gerência. Atravessou a imensa loja com os olhos marejados, sob os olhares de suas agora ex-colegas e, pior, sob os olhos do próprio proprietário. Este, em uma demonstração de pura hipocrisia, encenou uma falsa surpresa diante da decisão tomada pela sua equipe de fiscais.

​A conta dessa humilhação cai sobre a mesa da diretoria

Um verdadeiro líder não se esconde atrás de decisões de subalternos. Quando um proprietário permite que o ego e o sadismo de pequenos chefes ditem o destino de funcionários exemplares, ele abdica da autoridade e assume a responsabilidade pela injustiça praticada. A reestruturação que a empresa de fato precisa não é de pessoal, mas de caráter e liderança.

A supressão do aviso-prévio nesse contexto confessa a arbitrariedade.

Descartar sumariamente uma funcionária sem o devido prazo legal coroa o assédio moral, transformando a dispensa em um ato de mera represália corporativa que custará caro na Justiça.


sábado, 23 de maio de 2026

TUDO POR UMA GENEBRA

Eliseu Tamborim entrou no supermercado com o pensamento a mil por hora:

- Tomara que ainda encontre a Genebra, semana passada o estoque estava fraco.

Zé Campista vinha em sentido contrário com a mesma determinação:

- Se não renovaram o estoque vou comprar logo 2 pra garantir a semana.

Três metros de distância, a única Genebra na prateleira, os dois pinguços se entreolharam e correram em direção à preciosa.

Zé Campista esbaforido pegou a garrafa pelo gargalo, enquanto Elizeu Tamborim segurou pela base.

Zé Campista berrou:

- Solta! Solta cabrunco, eu vi primeiro!

Elizeu Tamborim cuspindo e com a dentadura quase despencando:

- É ruim, não solto nem pelo baralho do meu pai!

Pepita Petista, uma militante política que assistia a briga, exagerada, começou a berrar:

- Segurança! Segurança! Socorro!!Tem dois terroristas querendo explodir uma garrafa de urânio enriquecido aqui

Paulo Palermo, aposentado e fiscal da vida alheia foi taxativo:

- Duas bestas. Onde já se viu saírem na porrada por causa de uma Genebra, se fosse por uma Stanreigh não diria nada.

Agenor Lemos e Castro, descendente direto do Conde Deu:

- Os dois elementos estão no patamar do desespero etílico, sei bem o que é isso, graças ao Pastor  Malasilas Macedo tô livre desse capeta.

Elizeu Tamborim bem que tentou, não conseguiu manter a Cremilda presa na boca, e a dentadura acabou estatelada no chão.

Zé Campista, sem soltar a garrafa, arregalou os olhos, admirado com a dentadura do adversário, banguela desde quando Collor confiscou sua poupança, mandou uma proposta :

- Que belezura! Deixo a Genebra se você me vender essa jóia rara!

Elizeu Tamborim pensou que já era tempo de providenciar uma Cremilda mais nova e decidiu rápido:

Um galo e ela é sua.

Zé Campista sorriu feliz:

Tá feito, tome a cinquentinha e pode ficar com a garrafa.

A briga acabou bem antes de aparecer os seguranças, felizes abriram a Genebra pra comemorar o acordo.


sábado, 9 de maio de 2026

DUDA REINALDO, O PREFEITO DE NOVA LARANJA

Carlos Gilberto Triel

Prefeito Duda Reinaldo entrou na prefeitura igual caminhão sem freio e já foi berrando pro chefe de gabinete:

— Gargamel, hoje eu só recebo meu padrinho Rosbipierre Lisboeta e olhe lá. O resto pode dizer que morri, fui abduzido ou virei coach motivacional.

Gargamel Soprano levantou num pulo e saiu atrás do prefeito abanando papel pra todo lado:

— Prefeito, não queria estragar seu mau humor, mas o vereador-deputado Aelton Jeová tá aí desde sete da manhã. Já tomou três cafés, comeu dez pães de queijo e até a samambaia que fica pendurada na recepção.

Duda Reinaldo nem piscou:

— Nem se a vaca aprender balé e o sapo lavar o pé eu recebo esse encosto político.

Gargamel Soprano insistiu igual cobrança de operadora:

— Prefeito, o homem tá perigosíssimo. Disse que se o senhor não atender, vai fazer live, podcast, thread, dancinha e até vídeo chorando no carro falando de perseguição política.

Duda Reinaldo levou a mão ao peito e fez cara de novela mexicana:

— Senhor Deus, por acaso acabou o estoque de meteorito? Manda pelo menos uma praga premium aí pra resolver isso!

Nisso, o deputado Carlitos BNDES entrou na sala sem bater, mascando chiclete e cheirando a emenda parlamentar:

— Dudão, preciso daquele caminhão de asfalto lá pro bairro Cabrito Capado. O povo tá atolando até de chinelo.

Duda já começou a suar igual tampa de marmita:

— Outro caminhão, Carlitos!? Rapaz, ontem eu mandei dois, um rolo compressor e quase uma escavadeira!

Carlitos BNDES abriu aquele sorriso de vendedor de consórcio:

— Dudinha do povo, a situação tá feia. A rua do Boteco Bigode de Arame tá tão esburacada que o pessoal já tá pescando tilápia nas crateras.

Duda Reinaldo apontou o dedo sem paciência:

— Já sei… se eu não mandar asfalto, o deputado Avis Raras vai te infernizar até no grupo da família, né?

Carlitos BNDES foi direto massagear o ego do prefeito:

— Exatamente, meu futuro presidente da República, imperador da baixada e orgulho dos marqueteiros.

Duda abriu um sorriso de quem já imaginou a própria estátua:

— Para com isso, Carlitos… assim eu fico humilde demais. Ainda preciso ser governador antes de salvar o planeta.

Gargamel Soprano interrompeu a bajulação já em desespero:

— Prefeito! O vereador-deputado Aelton Jeová foi embora cuspindo marimbondo. Disse que vai fazer sua caveira pro ex-governador Menininho!

Duda Reinaldo quase engoliu a dentadura imaginária:

— Misericórdia! Se eu soubesse que ele ia apelar praquele fofoqueiro profissional eu tinha recebido até com café e bolo!

Carlitos BNDES fez o sinal da cruz em câmera lenta:

— Cruz credo, saravá, bate na madeira e amarra a ferradura! Quando Menininho cisma com a cara do caboclo até capeta vira evangélico.

Duda já parecia um chuveiro humano:

— Gargamel, corre atrás do Aelton! Diz que houve um mal-entendido, uma falha cósmica, um problema espiritual… fala qualquer coisa!

Missão dada, missão cumprida. Gargamel saiu desembestado e voltou cinco minutos depois, ofegante:

— Prefeito, alcancei o vereador-deputado Aelton Jeová. Ele agradeceu o convite e disse que volta outro dia. Perguntei quando pra deixar agendado…

Duda abriu um sorriso aliviado:

— Ainda bem… e quando essa carreta de problema disse que volta?

Gargamel Soprano baixou a cabeça, sem coragem:

— O miserávi falou que volta em 2028… já como prefeito eleito.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Entre Woody Allen e os Profetas da Boêmia Ideológica

Carlos Gilberto Triel

Aos 90 anos, Woody Allen continua sendo símbolo de um humor sofisticado, observador e livre de cartilha ideológica. Já no Brasil, como observou Adrilles Jorge, muitos dos que se vendem como humoristas trocaram a inteligência pela militância rasteira. A piada perdeu espaço para o deboche político barato, sempre protegido pela claque do poder e pelos aplausos automáticos da bolha.

O mais curioso é ver surgir também os “educadores” da internet e seus derivados da boêmia etílica: figuras de raciocínio esquerdista previsível, aparência maltratada pelo álcool e discurso carregado de superioridade moral. Falam como se fossem guardiões da consciência humana, mas passam boa parte do tempo distribuindo ofensas, ressentimento e arrogância contra quem não se ajoelha às mesmas opiniões. Confundem desequilíbrio emocional com profundidade intelectual.

Nas redes sociais, essa turma posa de culta, sensível e revolucionária, enquanto transforma inveja e frustração em conteúdo diário. Muitos já perderam a leveza, o humor e até o brilho pessoal, mas seguem se apresentando como faróis da virtude moderna. No fim, acabam revelando exatamente aquilo que fingem combater: intolerância, vaidade e uma necessidade desesperada de aprovação ideológica.

sábado, 2 de maio de 2026

O "Desconfiômetro" e a Narrativa do Bitcoin

Carlos Gilberto Triel 

Faz tempo que o papo entusiasmado do meu amigo Dener sobre o tal "Brasil Paralelo" ficou ecoando na minha cabeça. Ele jurava que o time era de primeira, desvendando as entranhas do poder e revelando o que ninguém mais ousava mostrar com tamanha clareza. Movido por essa curiosidade instigada por uma recomendação tão calorosa, resolvi dar o benefício da dúvida e espiar o que aqueles especialistas de fato entregavam.

​O problema começou quando decidi investir em um curso de criptomoedas oferecido pela plataforma, esperando conteúdo denso sobre o famoso Bitcoin. Para minha decepção, após pagar e encarar explicações intermináveis, percebi que havia comprado apenas uma introdução teórica regada a "blá-blá-blá" narrativo. Ficou aquele gosto amargo de quem pagou pelo ingresso, mas descobriu que, para ver o show de verdade, teria que desembolsar uma segunda etapa.

​Essa experiência deixou um legado de ceticismo que carrego comigo toda vez que algum anúncio milagroso brota no meu feed das redes sociais. Agora, o meu "desconfiômetro" acende o sinal vermelho imediatamente diante de promessas de cursos que parecem mais iscas do que ferramentas de aprendizado. Aprendi, do jeito mais caro, que muita gente cobra caro apenas para descrever o cenário, deixando o ensino real para um amanhã que nunca chega.

domingo, 26 de abril de 2026

FÉ E QUÂNTICA, OS SANTOS FORA DO SEU TEMPO

Carlos Gilberto Triel

Sabe aquela sensação de que o tempo é uma linha reta? Pois é, com Padre Pio e Santo Antônio essa lógica vai para o ralo. A bilocação mostra que eles podiam estar aqui e lá ao mesmo tempo, provando que o espaço e o tempo são muito mais flexíveis do que a gente imagina na correria do dia a dia.

Quando a prece diz que Pio participou da Paixão, é como se ele tivesse pego um atalho espiritual para o passado. Ele não estava apenas lembrando de algo que aconteceu; ele estava lá, sentindo tudo na pele, conectando o século vinte diretamente ao Calvário através de uma fenda que só o mistério explica.

No fim das contas, esses santos parecem viajantes que não precisam de máquinas, apenas de uma fé gigante para dobrar a realidade. Seja Antônio pregando em duas cidades de uma vez ou Pio vivendo as dores de Cristo, ambos mostram que o amor é a única força capaz de vencer as barreiras do relógio


sexta-feira, 24 de abril de 2026

MUITO ALÉM DO JARDIM

Carlos Gilberto Triel

O curioso do filme Muito Além do Jardim é que o jardineiro não engana ninguém — ele apenas é tomado por aquilo que os outros desejam ver. Sua fala simples, quase literal, ganha ares de profundidade num ambiente que já não distingue sabedoria de projeção. O mundo ao redor, sedento por sentido, transforma banalidade em filosofia. E assim, Chance cresce não por mérito, mas pela carência alheia de referências reais.

Revendo hoje, o filme parece menos uma fábula e mais um espelho desconfortável. A ingenuidade do jardineiro encontra eco em uma sociedade que prefere narrativas fáceis à complexidade dos fatos. No terreno da política, isso se traduz numa dinâmica em que símbolos e discursos simplificados ocupam o lugar de propostas concretas. O conteúdo cede espaço à performance — e quem melhor encarna um papel convincente, leva.

Nesse cenário, o vitimismo se torna uma ferramenta poderosa. Ao se colocar constantemente na posição de injustiçado, cria-se um escudo contra críticas e uma ponte direta com emoções primárias do eleitor. A lógica é simples: se há um opressor, qualquer questionamento passa a ser visto como perseguição. O debate empobrece, e a análise cede lugar à adesão emocional. Não se discute mais o que é dito, mas quem supostamente sofre.

O paralelo com o jardineiro é inevitável. Assim como Chance, certas figuras públicas prosperam não pela densidade de suas ideias, mas pela forma como são interpretadas por um público predisposto. A diferença é que, no filme, há um tom de ironia quase inocente; na política real, as consequências são concretas e duradouras. A ingenuidade, quando instrumentalizada, deixa de ser apenas um traço humano — torna-se estratégia.

Talvez a lição mais incômoda seja esta: o problema não está apenas em quem fala, mas em quem escuta. Enquanto houver disposição para transformar simplicidade em genialidade e vitimismo em virtude incontestável, o jardim continuará sendo cultivado — não pela verdade, mas pela conveniência.

domingo, 19 de abril de 2026

OS TRAIDORES DE SI MESMO

Carlos Gilberto Triel

Há um curioso desfile nas redes: intelectuais e influenciadores criticam Trump e a direita com o olhar de crianças deslumbradas diante de vitrines de brinquedos. No passado, esses mesmos atores jamais defenderiam pautas contra judeus, o aborto, a censura ou a judicialização do torto, mas hoje tropeçam na coerência básica. Falam alto, ignorando o simples como quem esquece a seta no trânsito; o óbvio virou um incômodo e a lógica tornou-se meramente opcional nesta fase da vida.

​A metáfora é direta: certas regras não são ideológicas, são civilizatórias, mas muitos preferem atalhos retóricos para sustentar o que antes seria considerado indefensável. É irônico ver defensores da liberdade flertarem com o cerceamento de falas e com o uso do Judiciário para moldar o que é certo ou errado por pura conveniência. Muitos que se apresentam como educadores conhecem a farsa que propagam, mas seguem adiante pelo aplauso fácil, enterrando princípios que outrora pareciam ser inegociáveis.

​No fim, multiplicam-se dedos acusatórios contra quem respeita o “sinal verde” da razão, enquanto o senso comum é trocado por narrativas moldáveis e perigosas. A defesa de pautas que ferem a tradição e a ética demonstra que a autoridade intelectual se esvai quando se ignora o básico da própria história. Talvez seja hora de reaprender os fundamentos, pois sem o lastro da verdade e da justiça, nem o discurso se sustenta, nem a integridade moral consegue se manter.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

UM PREFEITO DE SORTE

Carlos Gilberto Triel

O prefeito de Nova Laranja, Duda Reinaldo chegou no gabinete cuspindo maribondos, não sem antes conferir no espelhinho portátil os fios de cabelo resilientes.

- Assim não dá, Assim não dá! Essa cambada não larga do meu pé! 

A secretária Malu Tarantella preocupadíssima com o chefe:

- O que aconteceu, prefeito? 

Duda Reinaldo guardou o espelhinho, passou a mão na testa retornando com dois fiozinhos rebeldes ao patamar da cabeça, e se pôs a lamentar:

- Malu, que culpa tenho que o motorista da carreta dá uma porrada no viaduto, eu chego rapidinho pra dar força pro contribuinte e, os subvencionados metidos a jornalistas me esculhambam.

Malu Tarantella, uma exagerada:

- Liga não prefeito, assim como foi com Churchill, Kennedy, Obama e o Trump, o Sr. também passa por igual provação com a imprensa.

Duda Reinaldo nem disfarçou que gostou, pigarreou, pôs a mão fechada no queixo, franziu a testa com pose de conteúdo, e não fez por menos, viajou na maionese:

- A diferença minha cara Malu, é que esses meus colegas estadistas tiveram um longo cronograma de espera, o meu destino é chegar logo ao governo do Rio e quatro anos depois à presidência do Brasil.

Mario Sabonete, o assessor para motivação, um baba ovo arrumado:

- Grande Duda, além de predestinado, tu é um cabra de sorte, nasceu de duas letrinhas viradas pra lua, e quanto a essa oposição, os cães ladram e a caravana passa.

Malu Tarantella direta ao ponto:

- Exatamente. Quem na história de Nova Laranja teve tanta sorte, concorreu e já na primeira eleição foi alçado a presidente da Câmara e depois prefeito?

Mario Sabonete insuperável na puxação de saco:

- Isso sem falar que você foi o primeiro prefeito de Nova Laranja a mostrar intimidade com o futebol. 

Duda Reinaldo que já estava ficando alegrinho, lembrou da porrada que levou na sua partida de futebol como prefeito:

- Ih nem me fale, toda vez que lembro desse jogo minha vontade é ligar pro Xandaquistão e pedir a prisão daquele meliante que me acertou de forma criminosa.

Mario Sabonete sabe vender bem seu peixe:

- Ô meu prefeito, fica assim não, quando pintar esse clima de depressão siga o mantra do nosso deputado Julinho da Roda: Energia! Muita Energia!

Duda Reinaldo, não gostou:

- Energia do Julinho da Roda!!? Tô fora, aquilo não tem energia nem pra rapel de anão.

Pauli Pestana, o meste de cerimônias de festas juninas entrou na conversa:

- Prefeito, de acordo com sua determinação o Arraiá da Jura já reservou um camarote especial para o seu convidado de fama internacional...

Duda Reinaldo, olhinhos brilharam de alegria: 

- Perfeito, já entrei em contato com o gabinete de apoio do meu convidado, estou no aguardo da resposta.

Todos se entre olharam e juntos  perguntaram:

- Quem seria?

Duda Reinaldo, pescoço com altivez de uma marmota observando possíveis predadores na pradaria:

- Confesso que pensei no Donald Trump, mas não quero problemas com o governo federal. Então decidi convocar o meu amigo Charles.

Todos novamente se entre olharam e juntos perguntaram:

- O Rei Charles da Inglaterra? 

Duda Reinaldo, desdenhou a resposta e não se fez de rogado:

- Que Rei Charles nada, convidei foi o Charlles Rekson patrão e amigo do Tiringa.