É curioso notar como, para alguns, a falta de argumentos é rapidamente substituída pela arrogância e pela ofensa pessoal.
Virou hábito de certos entusiastas de uma pretensa "superioridade moral e intelectual" reagir ao contraditório não com dados ou ideias, mas com ataques gratuitos, ironias baratas e um vocabulário rebuscado usado para camuflar a intolerância. Quando a divergência surge, o diálogo cede lugar à agressão infantil.
Talvez exista aí uma fragilidade ainda mais profunda. Na curva avançada da vida, ao perceberem a escassez de perspectivas para novos ciclos produtivos, alguns recorrem ao rancor e à impaciência como armas de defesa. É o triste espetáculo de quem, ao envelhecer, renega a serenidade de uma alma verdadeiramente cristã para abraçar um ressentimento tardio, adotando na velhice valores de atrito e arrogância com os quais sequer comungava na juventude. A agressividade verbal vira, então, a última armadura de um ego que tenta se convencer de que continua relevante.
O verdadeiro conhecimento caminhará sempre ao lado da humildade e da capacidade de ouvir. Quem precisa desqualificar o outro para sustentar a própria posição só demonstra a fragilidade do terreno em que pisa.
Debater a complexidade do mundo exige maturidade, alma e classe. O resto é só o ruído doloroso de quem prefere o eco do próprio monólogo.
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