Eliseu Tamborim entrou no supermercado com o pensamento a mil por hora:
- Tomara que ainda encontre a Genebra, semana passada o estoque estava fraco.
Zé Campista vinha em sentido contrário com a mesma determinação:
- Se não renovaram o estoque vou comprar logo 2 pra garantir a semana.
Três metros de distância, a única Genebra na prateleira, os dois pinguços se entreolharam e correram em direção à preciosa.
Zé Campista esbaforido pegou a garrafa pelo gargalo, enquanto Elizeu Tamborim segurou pela base.
Zé Campista berrou:
- Solta! Solta cabrunco, eu vi primeiro!
Elizeu Tamborim cuspindo e com a dentadura quase despencando:
- É ruim, não solto nem pelo baralho do meu pai!
Pepita Petista, uma militante política que assistia a briga, exagerada, começou a berrar:
- Segurança! Segurança! Socorro!!Tem dois terroristas querendo explodir uma garrafa de urânio enriquecido aqui
Paulo Palermo, aposentado e fiscal da vida alheia foi taxativo:
- Duas bestas. Onde já se viu saírem na porrada por causa de uma Genebra, se fosse por uma Stanreigh não diria nada.
Agenor Lemos e Castro, descendente direto do Conde Deu:
- Os dois elementos estão no patamar do desespero etílico, sei bem o que é isso, graças ao Pastor Malasilas Macedo tô livre desse capeta.
Elizeu Tamborim bem que tentou, não conseguiu manter a Cremilda presa na boca, e a dentadura acabou estatelada no chão.
Zé Campista, sem soltar a garrafa, arregalou os olhos, admirado com a dentadura do adversário, banguela desde quando Collor confiscou sua poupança, mandou uma proposta :
- Que belezura! Deixo a Genebra se você me vender essa jóia rara!
Elizeu Tamborim pensou que já era tempo de providenciar uma Cremilda mais nova e decidiu rápido:
Um galo e ela é sua.
Zé Campista sorriu feliz:
Tá feito, tome a cinquentinha e pode ficar com a garrafa.
A briga acabou bem antes de aparecer os seguranças, felizes abriram a Genebra pra comemorar o acordo.
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