sábado, 23 de maio de 2026

TUDO POR UMA GENEBRA

Eliseu Tamborim entrou no supermercado com o pensamento a mil por hora:

- Tomara que ainda encontre a Genebra, semana passada o estoque estava fraco.

Zé Campista vinha em sentido contrário com a mesma determinação:

- Se não renovaram o estoque vou comprar logo 2 pra garantir a semana.

Três metros de distância, a única Genebra na prateleira, os dois pinguços se entreolharam e correram em direção à preciosa.

Zé Campista esbaforido pegou a garrafa pelo gargalo, enquanto Elizeu Tamborim segurou pela base.

Zé Campista berrou:

- Solta! Solta cabrunco, eu vi primeiro!

Elizeu Tamborim cuspindo e com a dentadura quase despencando:

- É ruim, não solto nem pelo baralho do meu pai!

Pepita Petista, uma militante política que assistia a briga, exagerada, começou a berrar:

- Segurança! Segurança! Socorro!!Tem dois terroristas querendo explodir uma garrafa de urânio enriquecido aqui

Paulo Palermo, aposentado e fiscal da vida alheia foi taxativo:

- Duas bestas. Onde já se viu saírem na porrada por causa de uma Genebra, se fosse por uma Stanreigh não diria nada.

Agenor Lemos e Castro, descendente direto do Conde Deu:

- Os dois elementos estão no patamar do desespero etílico, sei bem o que é isso, graças ao Pastor  Malasilas Macedo tô livre desse capeta.

Elizeu Tamborim bem que tentou, não conseguiu manter a Cremilda presa na boca, e a dentadura acabou estatelada no chão.

Zé Campista, sem soltar a garrafa, arregalou os olhos, admirado com a dentadura do adversário, banguela desde quando Collor confiscou sua poupança, mandou uma proposta :

- Que belezura! Deixo a Genebra se você me vender essa jóia rara!

Elizeu Tamborim pensou que já era tempo de providenciar uma Cremilda mais nova e decidiu rápido:

Um galo e ela é sua.

Zé Campista sorriu feliz:

Tá feito, tome a cinquentinha e pode ficar com a garrafa.

A briga acabou bem antes de aparecer os seguranças, felizes abriram a Genebra pra comemorar o acordo.


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