Carlos Gilberto Triel
Há um curioso desfile nas redes: intelectuais e influenciadores criticam Trump e a direita com o olhar de crianças deslumbradas diante de vitrines de brinquedos. No passado, esses mesmos atores jamais defenderiam pautas contra judeus, o aborto, a censura ou a judicialização do torto, mas hoje tropeçam na coerência básica. Falam alto, ignorando o simples como quem esquece a seta no trânsito; o óbvio virou um incômodo e a lógica tornou-se meramente opcional nesta fase da vida.
A metáfora é direta: certas regras não são ideológicas, são civilizatórias, mas muitos preferem atalhos retóricos para sustentar o que antes seria considerado indefensável. É irônico ver defensores da liberdade flertarem com o cerceamento de falas e com o uso do Judiciário para moldar o que é certo ou errado por pura conveniência. Muitos que se apresentam como educadores conhecem a farsa que propagam, mas seguem adiante pelo aplauso fácil, enterrando princípios que outrora pareciam ser inegociáveis.
No fim, multiplicam-se dedos acusatórios contra quem respeita o “sinal verde” da razão, enquanto o senso comum é trocado por narrativas moldáveis e perigosas. A defesa de pautas que ferem a tradição e a ética demonstra que a autoridade intelectual se esvai quando se ignora o básico da própria história. Talvez seja hora de reaprender os fundamentos, pois sem o lastro da verdade e da justiça, nem o discurso se sustenta, nem a integridade moral consegue se manter.
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